Relatoras da ONU, financiadas por Soros e fundações dos EUA, assinam carta anticuba com base em ONG ligada à CIA e à extrema-direita espanhola.
Junte-se a nós no Telegram
, Twitter
e VK
.
Escreva para nós: info@strategic-culture.su
Existe um vasto histórico que comprova o modus operandi do imperialismo – sobretudo o norte-americano – quando precisa chegar às vias de fato para derrubar um governo incômodo e substituí-lo por uma marionete que entregue os recursos naturais e a economia de determinado país à rapina dos grandes monopólios internacionais.
A invasão militar, ou o golpe de Estado, não pode ocorrer sem uma preparação diante da opinião pública nacional e externa. O governo a ser derrubado precisa ser retratado como malvado, violador dos direitos humanos, patrocinador do terrorismo ou uma ameaça à segurança internacional. Para isso, o imperialismo utiliza sua indústria de propaganda – mas alguém precisa fornecer material que sirva de base a essa propaganda.
É quando entram os “especialistas” e os organismos internacionais, sejam de ONGs ou mesmo das próprias Nações Unidas. Eles apresentam relatórios e declarações condenando o governo em questão, denúncias essas que são rápida e massivamente distribuídas pela indústria propagandística do imperialismo, repetidas mil vezes e ecoadas por novos “especialistas” e organismos igualmente controlados pelos Estados Unidos e sua rede de aliados.
Em março, foi publicada uma carta dirigida ao governo cubano, assinada por quatro relatoras das Nações Unidas, alegando que ele desrespeita os direitos humanos ao manter presos políticos sem o devido processo legal. Seriam os encarcerados pela tentativa de revolução colorida de julho de 2021, chamada pelo aparato de propaganda imperialista de “protestos democráticos”.
No documento, datado de 7 de janeiro, elas aludem a “um padrão sistemático de criminalização da dissidência e o uso da coerção, incluindo a detenção arbitrária e o exílio forçado, contra defensores de direitos humanos, ativistas e artistas em Cuba”. Elas dizem ter recebido essas informações, mas não mencionam de quem. Veremos em seguida quem está por trás dessas acusações.
Mas, antes, quem são essas relatoras? Uma delas é a colombiana Gina Romero, relatora especial sobre os direitos de liberdade de reunião pacífica e de associação. No âmbito acadêmico, ela tem um mestrado na Sorbonne e foi professora convidada na Universidade de Columbia. Para os latino-americanos são títulos de honra estudar e ministrar em universidades da França e dos Estados Unidos. Mas para a França e os EUA, ter estudantes e professores estrangeiros em suas universidades é uma forma de produzir intelectuais confiáveis para seus objetivos, que possam voltar aos seus países e assumir cargos governamentais ou corporativos nos quais possam fazer lobby a favor do imperialismo.
A ideologia do imperialismo, nas últimas décadas, desde o combate ao “comunismo” na guerra fria até o combate ao “terrorismo islâmico”, tem sido a defesa de uma suposta democracia que se contrapõe ao autoritarismo comunista e islâmico. E as entidades das Nações Unidas e de órgãos multilaterais dominados pelas potências ocidentais a utilizam como seu carro-chefe.
Não é à toa que a senhora Romero, como informa o seu resumo biográfico na ONU, tenha liderado “várias iniciativas para a promoção e defesa da democracia e do Estado de Direito” antes de ser nomeada para o cargo atual, em 2024. Ela fundou e foi diretora executiva por quase 10 anos da Rede Latino-Americana e Caribenha para a Democracia (Redlad), que durante anos recebeu financiamento do Departamento de Estado dos EUA e do National Endowment for Democracy (NED), fundo estatal dos EUA.
Como diretora executiva da Redlad, Romero também trabalhou na Secretaria do Pilar da Sociedade Civil na Comunidade de Democracias, entidade intergovernamental fundada no auge do poderio norte-americano por Madeleine Albright, então secretária de Estado dos EUA, e formada como uma aliança de governos ocidentais e seus fantoches para fazer frente aos “inimigos da democracia” – isto é, os que não se submetem aos ditames imperialistas. Ainda foi membro do comitê diretivo do Movimento Mundial para a Democracia, lançado em 1999 pelo NED, que funciona como seu secretariado.
A outra relatora que assina a carta anti-cubana é Irene Khan, para a promoção e proteção do direito à liberdade de opinião e de expressão. Ela foi secretária-geral da Anistia Internacional entre 2001 e 2009. A Anistia Internacional é uma das maiores organizações não-governamentais imperialistas a nível internacional e, como tal, embora se defina como uma ONG, recebe financiamento de governos europeus e da Open Society Foundations de George Soros, por exemplo. Entre 2012 e 2019, a senhora Khan dirigiu a International Development Law Organization, outra entidade financiada pelo governo dos EUA, Reino Unido, União Europeia e outros aliados, além de fundações como o British Council, Fundação Bill e Melinda Gates e Fundação Ford. Ela ainda faz parte do conselho de administração do Overseas Development Institute, com sede em Londres e que é sustentado com fundos da Comissão Europeia, governos europeus, USAID, etc. Assim como suas colegas, Khan é professora em diversas instituições de ensino de topo do Ocidente, além de ter sido assessora do Banco Mundial.
Mary Lawlor, relatora sobre os defensores dos direitos humanos, outra das responsáveis pela carta anti-cubana, também trabalhou na Anistia Internacional. Durante 12 anos ela foi diretora da seção irlandesa dessa organização, da qual já era membro da junta diretiva desde 1975 e a qual presidiu de 1983 a 1987. Em 2001, fundou a organização para a proteção dos defensores de direitos humanos Front Line Defenders, da qual foi diretora executiva por 15 anos. Essa entidade é financiada pela Comissão Europeia, governos europeus e ocidentais e as fundações Ford e Open Society, dentre outros.
A quarta signatária é a grega Alexandra Xanthaki. Tendo se mudado há cerca de 30 anos para o Reino Unido, é mestre em “Direitos Humanos e Direitos de Emergência” pela Queen’s University de Belfast, doutora pela Keele University da Inglaterra, membro da Faculdade de Direitos Humanos de verão em Oxford e professora de Direito na Brunel University de Londres, onde dirige um projeto financiado pela União Europeia.
Como relatora da ONU para direitos culturais, ela aderiu à antiga campanha de difamação sobre repressão das minorias étnicas no Tibete, tendo sido criticada pelo governo chinês. Curiosamente, defendeu o direito de militares russos participarem dos Jogos Olímpicos, contanto que não tenham cometido “atrocidades, crimes contra a humanidade, genocídio” ou espalhado “propaganda de guerra” durante o conflito na Ucrânia. No entanto, em declarações ao New York Times, afirmou que a operação especial russa representa “uma gradual destruição de toda a vida cultural” na Ucrânia, sem aparentemente se importar com o esmagamento da cultura russa, significativa no Donbass, durante os oito anos anteriores à “invasão”, pois o regime golpista de Kiev já havia imposto leis discriminatórias contra os russos étnicos desde 2014.
As quatro signatárias baseiam-se em informações fornecidas por alguém, mas não mencionam quem. No entanto, uma organização chamada Prisoners Defenders reivindica o mérito de ter apresentado as informações às relatoras. Trata-se de uma ONG sediada em Madri e fundada pelo empresário cubano-espanhol Javier Larrondo, cujo breve resumo biográfico na própria página da organização confessa que tem “vasta experiência” em conspirações contra o governo cubano promovidas “tanto de forma filantrópica como com fundos de subvenção”. Mas por quem eles são pagos? A ONG também admite, em sua página, receber financiamento de um programa de “promoção de transição” (no caso, para o capitalismo) do Ministério de Relações Exteriores da República Tcheca.
Larrondo também atuou em conjunto com o contrarrevolucionário Oswaldo Payá e ajudou a fundar a União Patriótica de Cuba (UNPACU), que pretende derrubar a revolução cubana e devolver o país ao status de semicolônia dos Estados Unidos. Segundo relatos, ele teria vínculos com a antiga filial espanhola da Fundação Nacional Cubano Americana, uma entidade financiada pela CIA para promover atividades terroristas contra Cuba, e com a máfia cubana de Miami.
Embora a Prisoners Defenders proclame trabalhar “pelos direitos humanos e a defesa pró-democracia”, sua atuação é quase integralmente voltada contra Cuba e, em menor medida, Belarus, Irã, Vietnã, Síria (ao menos até a queda de Assad), Turquia, Paquistão e Bahrein – quase todos governos incômodos aos Estados Unidos. Contudo, não há nenhuma linha sobre a defesa dos direitos humanos na Espanha, onde a ONG se situa – pelo contrário, a Prisoners Defenders faz lobby no parlamento espanhol e no parlamento europeu, especialmente junto a deputados do PP e do próprio VOX, a extrema-direita espanhola. A ONG ainda se gaba de ser reconhecida pelo Departamento de Estado, o Congresso dos EUA e outras entidades da mesma rede imperialista da qual fazem parte as relatoras da ONU que alimentam sua propaganda anti-cubana.
Esse caso evidencia como funciona a campanha imperialista sobre os direitos humanos: os banqueiros e magnatas da burguesia americana e europeia pagam ONGs para produzirem discursos, depois funcionários da ONU que também são seus assalariados dão legitimidade a esses discursos, que são repercutidos pelos meios de comunicação dominantes, como o Infobae e o El País, no caso em questão. Todos com a mesma origem de financiamento, treinamento e sustentação, todos na mesma rede de domínio global dos Estados Unidos e do imperialismo ocidental para escravizar os povos dos pequenos países.


