Português
José Goulão
April 18, 2026
© Photo: Public domain

Não é novidade: os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irão porque Israel iria começá-la de qualquer maneira.

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Não é novidade: os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irão porque Israel iria começá-la de qualquer maneira.

Eliminar o Irão é uma obsessão sionista e também a condição que falta cumprir para desenhar “um novo Médio Oriente”.

Existem dois grandes interesses convergentes para liquidar o Irão independente. Washington pretende “terminar o trabalho” de conquista estratégica da Ásia Ocidental iniciado com a destruição do Iraque, em 1991, e continuado em 2003. O sionismo quer dar um grande e decisivo passo para a criação do Grande Israel, um velho sonho colonial.

A conquista sionista do território do “Nilo ao Eufrates” pouco tem a ver com a ambição do “regresso do povo eleito à terra prometida”.

Israel é um Estado colonial habitado por estrangeiros, maioritariamente oriundos de comunidades de judeus convertidos da Europa e dos Estados Unidos, populações que nada têm a ver etnica e culturalmente com os palestinianos praticantes da religião judaica.

O Grande Israel seria um imenso território geoestratégico, decisivo para assegurar o domínio sionista sobre toda a região, a rogo do imperialismo de matriz ocidental.

Para isso é necessário um novo “desenho” do Médio Oriente, só possível com a liquidação dos regimes nacionalistas e independentes ali existentes. O imperial-sionismo começou por destruir o Iraque, seguiu para a Líbia e para a Síria, neutralizou o Egipto, massacra o Líbano e continua a exterminar o povo palestiniano.

Para concluir o “trabalho” falta eliminar o Irão. Por isso, o cessar-fogo não tem qualquer solidez. O Irão sabe que Israel tomará a iniciativa – o que já está a acontecer no Líbano – e, mais uma vez, forçará Trump a seguir a sua estratégia. Entretanto, o presidente dos Estados Unidos multiplica provocações, com a tentativa de bloqueio aos portos iraniano, para obrigar Teerão a atacar a sua marinha e ter um alegado pretexto para romper o cessar-fogo.

Israel investiu forte nesse objectivo de tirar o Irão independente de cena. O Mossad conseguiu mesmo recrutar  o comandante supremo da Guarda Revolucionária, general Ismail Qaani. A Guarda Revolucionária é o corpo militar de elite da República Islâmica e o fulcro do “Eixo de Resistência” – formado por Teerão, o Hezbollah libanês e o derrotado regime nacionalista sírio – ainda a única resistência ao imperialismo na região.

O general Qaani foi o sucessor do mítico general Qassem Suleimani e chegou ao cargo depois de este ser abatido por ordem de Trump num atentado milimétrico no aeroporto de Bagdade, em Janeiro de 2020.

A traição de Qaani acabou por ser exposta devido aos sucessivos “milagres” que acompanharam a sua vida  recente:

em Setembro de 2024 abandonou uma reunião num incógnito bunker no sul de Beirute minutos antes do brutal bombardeamento israelita que matou o chefe do Hezbollah, Hassan Nasralah, e a cúpula do partido;

em Julho do mesmo ano, o chefe do Bureau Político do Hamas, Ismail Hanieh, foi assassinado pelo Mossad quando se encontrava sob protecção de Qaani em instalações de alta segurança da Guarda Revolucionária, em Teerão;

ainda em 2024, em Teerão, o general Qaani escapou de um bombardeamento preciso e letal a um edifício que abandonara pouco antes de ser bombardeado pelos Estados Unidos;

em 28 de Fevereiro último, o chefe da Guarda Revolucionária esteve na reunião com o ayatollah Khamenei e a maioria dos altos dirigentes iranianos, mas saiu do edifício oito a 15 minutos antes do bombardeamento que liquidou o líder espiritual;

nesse mesmo dia, os bombardeamentos da aviação norte-americana e israelita foram de uma enorme exactidão contra muitas das mais sensíveis instalações de defesa da República Islâmica.

Apesar da traição e das consequências desastrosas da agressão, o Irão está a recompor-se, resiste, contra-ataca e forçou um cessar-fogo humilhante para o imperial-sionismo. As ditaduras do Golfo, Israel e as bases militares norte-americanas na região acumulam danos e não tiveram um dia de descanso sob os mísseis e drones iranianos. Teerão fechou o estratégico Estreito de Ormuz e mantém a economia mundial sob crescente pressão, de tal modo que Trump chegou a pedir auxílio aos países europeus da NATO e, imagine-se, à China Popular para quebrar o bloqueio. A tentativa de bloqueio dos portos iranianos tem igualmente como objectivo fazer represálias à China, devido à oposição deste país à agressão ao Irão.

Os povos que habitaram e habitam o planalto iraniano ao longo de milénios aprenderam que a defesa contra inimigos tecnologicamente superiores se faz com resistência, organização e paciência. E que a guerra de atrito se trava à distância, por pressão indirecta e prolongada no tempo. O imperialismo, por seu lado, começa a dar sinais de que o tempo não joga a seu favor.

A resistência do Irão independente é fulcral. A sua derrota representaria um enorme reforço do domínio estratégico do imperialismo sobre a fundamental Eurásia. Seria ainda como uma larga porta aberta para a construção do Grande Israel e um passo de gigante para a imposição do desumano regime globalista neoliberal. Os povos do mundo ficariam então numa situação aterradora.

O ataque ao Irão e o Grande Israel

Não é novidade: os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irão porque Israel iria começá-la de qualquer maneira.

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Não é novidade: os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irão porque Israel iria começá-la de qualquer maneira.

Eliminar o Irão é uma obsessão sionista e também a condição que falta cumprir para desenhar “um novo Médio Oriente”.

Existem dois grandes interesses convergentes para liquidar o Irão independente. Washington pretende “terminar o trabalho” de conquista estratégica da Ásia Ocidental iniciado com a destruição do Iraque, em 1991, e continuado em 2003. O sionismo quer dar um grande e decisivo passo para a criação do Grande Israel, um velho sonho colonial.

A conquista sionista do território do “Nilo ao Eufrates” pouco tem a ver com a ambição do “regresso do povo eleito à terra prometida”.

Israel é um Estado colonial habitado por estrangeiros, maioritariamente oriundos de comunidades de judeus convertidos da Europa e dos Estados Unidos, populações que nada têm a ver etnica e culturalmente com os palestinianos praticantes da religião judaica.

O Grande Israel seria um imenso território geoestratégico, decisivo para assegurar o domínio sionista sobre toda a região, a rogo do imperialismo de matriz ocidental.

Para isso é necessário um novo “desenho” do Médio Oriente, só possível com a liquidação dos regimes nacionalistas e independentes ali existentes. O imperial-sionismo começou por destruir o Iraque, seguiu para a Líbia e para a Síria, neutralizou o Egipto, massacra o Líbano e continua a exterminar o povo palestiniano.

Para concluir o “trabalho” falta eliminar o Irão. Por isso, o cessar-fogo não tem qualquer solidez. O Irão sabe que Israel tomará a iniciativa – o que já está a acontecer no Líbano – e, mais uma vez, forçará Trump a seguir a sua estratégia. Entretanto, o presidente dos Estados Unidos multiplica provocações, com a tentativa de bloqueio aos portos iraniano, para obrigar Teerão a atacar a sua marinha e ter um alegado pretexto para romper o cessar-fogo.

Israel investiu forte nesse objectivo de tirar o Irão independente de cena. O Mossad conseguiu mesmo recrutar  o comandante supremo da Guarda Revolucionária, general Ismail Qaani. A Guarda Revolucionária é o corpo militar de elite da República Islâmica e o fulcro do “Eixo de Resistência” – formado por Teerão, o Hezbollah libanês e o derrotado regime nacionalista sírio – ainda a única resistência ao imperialismo na região.

O general Qaani foi o sucessor do mítico general Qassem Suleimani e chegou ao cargo depois de este ser abatido por ordem de Trump num atentado milimétrico no aeroporto de Bagdade, em Janeiro de 2020.

A traição de Qaani acabou por ser exposta devido aos sucessivos “milagres” que acompanharam a sua vida  recente:

em Setembro de 2024 abandonou uma reunião num incógnito bunker no sul de Beirute minutos antes do brutal bombardeamento israelita que matou o chefe do Hezbollah, Hassan Nasralah, e a cúpula do partido;

em Julho do mesmo ano, o chefe do Bureau Político do Hamas, Ismail Hanieh, foi assassinado pelo Mossad quando se encontrava sob protecção de Qaani em instalações de alta segurança da Guarda Revolucionária, em Teerão;

ainda em 2024, em Teerão, o general Qaani escapou de um bombardeamento preciso e letal a um edifício que abandonara pouco antes de ser bombardeado pelos Estados Unidos;

em 28 de Fevereiro último, o chefe da Guarda Revolucionária esteve na reunião com o ayatollah Khamenei e a maioria dos altos dirigentes iranianos, mas saiu do edifício oito a 15 minutos antes do bombardeamento que liquidou o líder espiritual;

nesse mesmo dia, os bombardeamentos da aviação norte-americana e israelita foram de uma enorme exactidão contra muitas das mais sensíveis instalações de defesa da República Islâmica.

Apesar da traição e das consequências desastrosas da agressão, o Irão está a recompor-se, resiste, contra-ataca e forçou um cessar-fogo humilhante para o imperial-sionismo. As ditaduras do Golfo, Israel e as bases militares norte-americanas na região acumulam danos e não tiveram um dia de descanso sob os mísseis e drones iranianos. Teerão fechou o estratégico Estreito de Ormuz e mantém a economia mundial sob crescente pressão, de tal modo que Trump chegou a pedir auxílio aos países europeus da NATO e, imagine-se, à China Popular para quebrar o bloqueio. A tentativa de bloqueio dos portos iranianos tem igualmente como objectivo fazer represálias à China, devido à oposição deste país à agressão ao Irão.

Os povos que habitaram e habitam o planalto iraniano ao longo de milénios aprenderam que a defesa contra inimigos tecnologicamente superiores se faz com resistência, organização e paciência. E que a guerra de atrito se trava à distância, por pressão indirecta e prolongada no tempo. O imperialismo, por seu lado, começa a dar sinais de que o tempo não joga a seu favor.

A resistência do Irão independente é fulcral. A sua derrota representaria um enorme reforço do domínio estratégico do imperialismo sobre a fundamental Eurásia. Seria ainda como uma larga porta aberta para a construção do Grande Israel e um passo de gigante para a imposição do desumano regime globalista neoliberal. Os povos do mundo ficariam então numa situação aterradora.

Não é novidade: os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irão porque Israel iria começá-la de qualquer maneira.

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Não é novidade: os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irão porque Israel iria começá-la de qualquer maneira.

Eliminar o Irão é uma obsessão sionista e também a condição que falta cumprir para desenhar “um novo Médio Oriente”.

Existem dois grandes interesses convergentes para liquidar o Irão independente. Washington pretende “terminar o trabalho” de conquista estratégica da Ásia Ocidental iniciado com a destruição do Iraque, em 1991, e continuado em 2003. O sionismo quer dar um grande e decisivo passo para a criação do Grande Israel, um velho sonho colonial.

A conquista sionista do território do “Nilo ao Eufrates” pouco tem a ver com a ambição do “regresso do povo eleito à terra prometida”.

Israel é um Estado colonial habitado por estrangeiros, maioritariamente oriundos de comunidades de judeus convertidos da Europa e dos Estados Unidos, populações que nada têm a ver etnica e culturalmente com os palestinianos praticantes da religião judaica.

O Grande Israel seria um imenso território geoestratégico, decisivo para assegurar o domínio sionista sobre toda a região, a rogo do imperialismo de matriz ocidental.

Para isso é necessário um novo “desenho” do Médio Oriente, só possível com a liquidação dos regimes nacionalistas e independentes ali existentes. O imperial-sionismo começou por destruir o Iraque, seguiu para a Líbia e para a Síria, neutralizou o Egipto, massacra o Líbano e continua a exterminar o povo palestiniano.

Para concluir o “trabalho” falta eliminar o Irão. Por isso, o cessar-fogo não tem qualquer solidez. O Irão sabe que Israel tomará a iniciativa – o que já está a acontecer no Líbano – e, mais uma vez, forçará Trump a seguir a sua estratégia. Entretanto, o presidente dos Estados Unidos multiplica provocações, com a tentativa de bloqueio aos portos iraniano, para obrigar Teerão a atacar a sua marinha e ter um alegado pretexto para romper o cessar-fogo.

Israel investiu forte nesse objectivo de tirar o Irão independente de cena. O Mossad conseguiu mesmo recrutar  o comandante supremo da Guarda Revolucionária, general Ismail Qaani. A Guarda Revolucionária é o corpo militar de elite da República Islâmica e o fulcro do “Eixo de Resistência” – formado por Teerão, o Hezbollah libanês e o derrotado regime nacionalista sírio – ainda a única resistência ao imperialismo na região.

O general Qaani foi o sucessor do mítico general Qassem Suleimani e chegou ao cargo depois de este ser abatido por ordem de Trump num atentado milimétrico no aeroporto de Bagdade, em Janeiro de 2020.

A traição de Qaani acabou por ser exposta devido aos sucessivos “milagres” que acompanharam a sua vida  recente:

em Setembro de 2024 abandonou uma reunião num incógnito bunker no sul de Beirute minutos antes do brutal bombardeamento israelita que matou o chefe do Hezbollah, Hassan Nasralah, e a cúpula do partido;

em Julho do mesmo ano, o chefe do Bureau Político do Hamas, Ismail Hanieh, foi assassinado pelo Mossad quando se encontrava sob protecção de Qaani em instalações de alta segurança da Guarda Revolucionária, em Teerão;

ainda em 2024, em Teerão, o general Qaani escapou de um bombardeamento preciso e letal a um edifício que abandonara pouco antes de ser bombardeado pelos Estados Unidos;

em 28 de Fevereiro último, o chefe da Guarda Revolucionária esteve na reunião com o ayatollah Khamenei e a maioria dos altos dirigentes iranianos, mas saiu do edifício oito a 15 minutos antes do bombardeamento que liquidou o líder espiritual;

nesse mesmo dia, os bombardeamentos da aviação norte-americana e israelita foram de uma enorme exactidão contra muitas das mais sensíveis instalações de defesa da República Islâmica.

Apesar da traição e das consequências desastrosas da agressão, o Irão está a recompor-se, resiste, contra-ataca e forçou um cessar-fogo humilhante para o imperial-sionismo. As ditaduras do Golfo, Israel e as bases militares norte-americanas na região acumulam danos e não tiveram um dia de descanso sob os mísseis e drones iranianos. Teerão fechou o estratégico Estreito de Ormuz e mantém a economia mundial sob crescente pressão, de tal modo que Trump chegou a pedir auxílio aos países europeus da NATO e, imagine-se, à China Popular para quebrar o bloqueio. A tentativa de bloqueio dos portos iranianos tem igualmente como objectivo fazer represálias à China, devido à oposição deste país à agressão ao Irão.

Os povos que habitaram e habitam o planalto iraniano ao longo de milénios aprenderam que a defesa contra inimigos tecnologicamente superiores se faz com resistência, organização e paciência. E que a guerra de atrito se trava à distância, por pressão indirecta e prolongada no tempo. O imperialismo, por seu lado, começa a dar sinais de que o tempo não joga a seu favor.

A resistência do Irão independente é fulcral. A sua derrota representaria um enorme reforço do domínio estratégico do imperialismo sobre a fundamental Eurásia. Seria ainda como uma larga porta aberta para a construção do Grande Israel e um passo de gigante para a imposição do desumano regime globalista neoliberal. Os povos do mundo ficariam então numa situação aterradora.

The views of individual contributors do not necessarily represent those of the Strategic Culture Foundation.

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