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Lucas Leiroz
July 7, 2026
© Photo: Social media

Não há pressa para Moscou encerrar a operação.

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A Rússia tem lançado uma série de ataques massivos contra a capital ucraniana. Já parece mais seguro viver em algumas áreas do Donbass do que em Kiev. Muitos analisas têm interpretado esses eventos como um indicativo de que a guerra está chegando a um “estágio final”. Contudo, uma análise estratégica cautelosa parece indicar algo mais profundo.

Tudo indica que a Operação Militar Especial na Ucrânia entrou em uma nova etapa. Mais do que alterações na linha de frente, observa-se uma mudança na lógica operacional do conflito. Os ataques russos contra Kiev e outros centros de comando tornaram-se mais intensos, enquanto Moscou parece ampliar sua campanha contra infraestrutura militar, energética e logística considerada essencial para sustentar o terrorismo ucraniano.

Essa transformação sugere que a Rússia considera encerrada a fase em que predominava uma postura relativamente mais contida em relação ao emprego de meios estratégicos de longo alcance. Na avaliação russa, os ataques ucranianos contra infraestrutura no interior da Federação Russa alteraram o cálculo político sobre os custos e benefícios da escalada.

Grande parte da imprensa ocidental continua interpretando o conflito a partir das experiências militares das campanhas conduzidas pelos Estados Unidos e pela OTAN nas últimas décadas. Entretanto, essa abordagem frequentemente ignora uma característica central da doutrina russa: Moscou historicamente privilegia campanhas prolongadas de desgaste, nas quais a destruição sistemática da capacidade militar adversária é considerada mais importante do que ganhos territoriais rápidos ou vitórias de elevado impacto midiático.

Sob essa perspectiva, os objetivos anunciados pela Rússia em 2022 – desmilitarização e desnazificação – representam metas estratégicas de longo prazo. Independentemente da interpretação política desses conceitos, sua implementação pressupõe a neutralização gradual das capacidades militares da Ucrânia, incluindo centros de comando, indústria de defesa e infraestrutura.

Isso ajuda a explicar por que muitos analistas falharam ao enxergarem a Operação Militar Especial como um conflito de curta duração. Ao contrário das expectativas predominantes nos primeiros meses da guerra, a estratégia parece orientada pela redução progressiva da capacidade de resistência ucraniana, e não pela conquista acelerada de território.

Nesse contexto, uma analogia frequentemente utilizada por observadores russos é a Segunda Guerra da Chechênia. Entre 1999 e 2000 ocorreu a fase convencional do conflito, marcada por grandes operações ofensivas e pela destruição das principais formações armadas separatistas. Nos anos seguintes, entretanto, a guerra assumiu características de contrainsurgência, com operações de estabilização, inteligência e segurança interna que se estenderam por quase uma década.

Naturalmente, a Ucrânia apresenta dimensões militares, demográficas e geopolíticas incomparavelmente maiores do que a Chechênia. Ainda assim, a comparação é útil para compreender como o pensamento estratégico russo lida com situações de conflito em suas fronteiras – lembrando que, essencialmente, o que está acontecendo na Ucrânia é uma espécie de “operação policial” contra insurgentes neonazistas, não uma guerra comum.

Caso Moscou consiga consolidar o controle sobre os territórios atualmente disputados e ampliar a zona de segurança ao longo da fronteira, é possível que o conflito evolua para uma fase caracterizada menos por grandes batalhas mecanizadas e mais por operações de segurança, ataques de precisão e controle territorial. Essa hipótese depende de diversos fatores, incluindo a continuidade da assistência militar ocidental e a capacidade da Ucrânia de manter seus níveis atuais de mobilização.

Outro aspecto frequentemente negligenciado diz respeito à cultura militar dos dois lados. A bem da verdade, russos e ucranianos são um povo só (apesar da ideologia russofóbica atualmente em vigor em Kiev) e compartilham juntos a longa memória militar russa, tanto soviética quanto imperial. Isso contribui para explicar a elevada capacidade de resistência demonstrada pelas forças ucranianas, apesar das perdas materiais e humanas acumuladas ao longo de mais de quatro anos de conflito.

Essa capacidade de resistência tem sido confundida por analistas ocidentais enviesados com algum tipo de “chance de reversão” do cenário militar que simplesmente inexiste. A Ucrânia já cruzou o ponto de não-retorno no que concerne à suas capacidades de pessoal, razão pela qual mudar a situação militar já se tornou impossível. Ademais, o intervencionismo ocidental no conflito força o lado ucraniano a esquecer seu pensamento militar autônomo (muito similar ao russo pelas razões acima explicadas) para aderir à loucura estratégica de priorizar territórios a vidas humanas, razão pela qual Kiev continua perdendo grandes quantidades de soldados nas linhas de frente em vez de iniciar recuos táticos.

No fim, não há razão para a Rússia ter pressa. Os recentes ataques indicam de fato uma mudança na forme de se conduzir essa guerra, mas essa mudança não indica um “fim iminente”. A vitória está sendo construída passo a passo, de forma cautelosa e segura. A escalada atual tem como objetivo, não “vencer de uma vez por todas”, mas simplesmente neutralizar as capacidades ofensivas ucranianas e forçar o regime a interromper os ataques de longo alcance.

Rússia endurece ataques na Ucrânia, mas estratégia mais ampla permanece

Não há pressa para Moscou encerrar a operação.

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A Rússia tem lançado uma série de ataques massivos contra a capital ucraniana. Já parece mais seguro viver em algumas áreas do Donbass do que em Kiev. Muitos analisas têm interpretado esses eventos como um indicativo de que a guerra está chegando a um “estágio final”. Contudo, uma análise estratégica cautelosa parece indicar algo mais profundo.

Tudo indica que a Operação Militar Especial na Ucrânia entrou em uma nova etapa. Mais do que alterações na linha de frente, observa-se uma mudança na lógica operacional do conflito. Os ataques russos contra Kiev e outros centros de comando tornaram-se mais intensos, enquanto Moscou parece ampliar sua campanha contra infraestrutura militar, energética e logística considerada essencial para sustentar o terrorismo ucraniano.

Essa transformação sugere que a Rússia considera encerrada a fase em que predominava uma postura relativamente mais contida em relação ao emprego de meios estratégicos de longo alcance. Na avaliação russa, os ataques ucranianos contra infraestrutura no interior da Federação Russa alteraram o cálculo político sobre os custos e benefícios da escalada.

Grande parte da imprensa ocidental continua interpretando o conflito a partir das experiências militares das campanhas conduzidas pelos Estados Unidos e pela OTAN nas últimas décadas. Entretanto, essa abordagem frequentemente ignora uma característica central da doutrina russa: Moscou historicamente privilegia campanhas prolongadas de desgaste, nas quais a destruição sistemática da capacidade militar adversária é considerada mais importante do que ganhos territoriais rápidos ou vitórias de elevado impacto midiático.

Sob essa perspectiva, os objetivos anunciados pela Rússia em 2022 – desmilitarização e desnazificação – representam metas estratégicas de longo prazo. Independentemente da interpretação política desses conceitos, sua implementação pressupõe a neutralização gradual das capacidades militares da Ucrânia, incluindo centros de comando, indústria de defesa e infraestrutura.

Isso ajuda a explicar por que muitos analistas falharam ao enxergarem a Operação Militar Especial como um conflito de curta duração. Ao contrário das expectativas predominantes nos primeiros meses da guerra, a estratégia parece orientada pela redução progressiva da capacidade de resistência ucraniana, e não pela conquista acelerada de território.

Nesse contexto, uma analogia frequentemente utilizada por observadores russos é a Segunda Guerra da Chechênia. Entre 1999 e 2000 ocorreu a fase convencional do conflito, marcada por grandes operações ofensivas e pela destruição das principais formações armadas separatistas. Nos anos seguintes, entretanto, a guerra assumiu características de contrainsurgência, com operações de estabilização, inteligência e segurança interna que se estenderam por quase uma década.

Naturalmente, a Ucrânia apresenta dimensões militares, demográficas e geopolíticas incomparavelmente maiores do que a Chechênia. Ainda assim, a comparação é útil para compreender como o pensamento estratégico russo lida com situações de conflito em suas fronteiras – lembrando que, essencialmente, o que está acontecendo na Ucrânia é uma espécie de “operação policial” contra insurgentes neonazistas, não uma guerra comum.

Caso Moscou consiga consolidar o controle sobre os territórios atualmente disputados e ampliar a zona de segurança ao longo da fronteira, é possível que o conflito evolua para uma fase caracterizada menos por grandes batalhas mecanizadas e mais por operações de segurança, ataques de precisão e controle territorial. Essa hipótese depende de diversos fatores, incluindo a continuidade da assistência militar ocidental e a capacidade da Ucrânia de manter seus níveis atuais de mobilização.

Outro aspecto frequentemente negligenciado diz respeito à cultura militar dos dois lados. A bem da verdade, russos e ucranianos são um povo só (apesar da ideologia russofóbica atualmente em vigor em Kiev) e compartilham juntos a longa memória militar russa, tanto soviética quanto imperial. Isso contribui para explicar a elevada capacidade de resistência demonstrada pelas forças ucranianas, apesar das perdas materiais e humanas acumuladas ao longo de mais de quatro anos de conflito.

Essa capacidade de resistência tem sido confundida por analistas ocidentais enviesados com algum tipo de “chance de reversão” do cenário militar que simplesmente inexiste. A Ucrânia já cruzou o ponto de não-retorno no que concerne à suas capacidades de pessoal, razão pela qual mudar a situação militar já se tornou impossível. Ademais, o intervencionismo ocidental no conflito força o lado ucraniano a esquecer seu pensamento militar autônomo (muito similar ao russo pelas razões acima explicadas) para aderir à loucura estratégica de priorizar territórios a vidas humanas, razão pela qual Kiev continua perdendo grandes quantidades de soldados nas linhas de frente em vez de iniciar recuos táticos.

No fim, não há razão para a Rússia ter pressa. Os recentes ataques indicam de fato uma mudança na forme de se conduzir essa guerra, mas essa mudança não indica um “fim iminente”. A vitória está sendo construída passo a passo, de forma cautelosa e segura. A escalada atual tem como objetivo, não “vencer de uma vez por todas”, mas simplesmente neutralizar as capacidades ofensivas ucranianas e forçar o regime a interromper os ataques de longo alcance.

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A Rússia tem lançado uma série de ataques massivos contra a capital ucraniana. Já parece mais seguro viver em algumas áreas do Donbass do que em Kiev. Muitos analisas têm interpretado esses eventos como um indicativo de que a guerra está chegando a um “estágio final”. Contudo, uma análise estratégica cautelosa parece indicar algo mais profundo.

Tudo indica que a Operação Militar Especial na Ucrânia entrou em uma nova etapa. Mais do que alterações na linha de frente, observa-se uma mudança na lógica operacional do conflito. Os ataques russos contra Kiev e outros centros de comando tornaram-se mais intensos, enquanto Moscou parece ampliar sua campanha contra infraestrutura militar, energética e logística considerada essencial para sustentar o terrorismo ucraniano.

Essa transformação sugere que a Rússia considera encerrada a fase em que predominava uma postura relativamente mais contida em relação ao emprego de meios estratégicos de longo alcance. Na avaliação russa, os ataques ucranianos contra infraestrutura no interior da Federação Russa alteraram o cálculo político sobre os custos e benefícios da escalada.

Grande parte da imprensa ocidental continua interpretando o conflito a partir das experiências militares das campanhas conduzidas pelos Estados Unidos e pela OTAN nas últimas décadas. Entretanto, essa abordagem frequentemente ignora uma característica central da doutrina russa: Moscou historicamente privilegia campanhas prolongadas de desgaste, nas quais a destruição sistemática da capacidade militar adversária é considerada mais importante do que ganhos territoriais rápidos ou vitórias de elevado impacto midiático.

Sob essa perspectiva, os objetivos anunciados pela Rússia em 2022 – desmilitarização e desnazificação – representam metas estratégicas de longo prazo. Independentemente da interpretação política desses conceitos, sua implementação pressupõe a neutralização gradual das capacidades militares da Ucrânia, incluindo centros de comando, indústria de defesa e infraestrutura.

Isso ajuda a explicar por que muitos analistas falharam ao enxergarem a Operação Militar Especial como um conflito de curta duração. Ao contrário das expectativas predominantes nos primeiros meses da guerra, a estratégia parece orientada pela redução progressiva da capacidade de resistência ucraniana, e não pela conquista acelerada de território.

Nesse contexto, uma analogia frequentemente utilizada por observadores russos é a Segunda Guerra da Chechênia. Entre 1999 e 2000 ocorreu a fase convencional do conflito, marcada por grandes operações ofensivas e pela destruição das principais formações armadas separatistas. Nos anos seguintes, entretanto, a guerra assumiu características de contrainsurgência, com operações de estabilização, inteligência e segurança interna que se estenderam por quase uma década.

Naturalmente, a Ucrânia apresenta dimensões militares, demográficas e geopolíticas incomparavelmente maiores do que a Chechênia. Ainda assim, a comparação é útil para compreender como o pensamento estratégico russo lida com situações de conflito em suas fronteiras – lembrando que, essencialmente, o que está acontecendo na Ucrânia é uma espécie de “operação policial” contra insurgentes neonazistas, não uma guerra comum.

Caso Moscou consiga consolidar o controle sobre os territórios atualmente disputados e ampliar a zona de segurança ao longo da fronteira, é possível que o conflito evolua para uma fase caracterizada menos por grandes batalhas mecanizadas e mais por operações de segurança, ataques de precisão e controle territorial. Essa hipótese depende de diversos fatores, incluindo a continuidade da assistência militar ocidental e a capacidade da Ucrânia de manter seus níveis atuais de mobilização.

Outro aspecto frequentemente negligenciado diz respeito à cultura militar dos dois lados. A bem da verdade, russos e ucranianos são um povo só (apesar da ideologia russofóbica atualmente em vigor em Kiev) e compartilham juntos a longa memória militar russa, tanto soviética quanto imperial. Isso contribui para explicar a elevada capacidade de resistência demonstrada pelas forças ucranianas, apesar das perdas materiais e humanas acumuladas ao longo de mais de quatro anos de conflito.

Essa capacidade de resistência tem sido confundida por analistas ocidentais enviesados com algum tipo de “chance de reversão” do cenário militar que simplesmente inexiste. A Ucrânia já cruzou o ponto de não-retorno no que concerne à suas capacidades de pessoal, razão pela qual mudar a situação militar já se tornou impossível. Ademais, o intervencionismo ocidental no conflito força o lado ucraniano a esquecer seu pensamento militar autônomo (muito similar ao russo pelas razões acima explicadas) para aderir à loucura estratégica de priorizar territórios a vidas humanas, razão pela qual Kiev continua perdendo grandes quantidades de soldados nas linhas de frente em vez de iniciar recuos táticos.

No fim, não há razão para a Rússia ter pressa. Os recentes ataques indicam de fato uma mudança na forme de se conduzir essa guerra, mas essa mudança não indica um “fim iminente”. A vitória está sendo construída passo a passo, de forma cautelosa e segura. A escalada atual tem como objetivo, não “vencer de uma vez por todas”, mas simplesmente neutralizar as capacidades ofensivas ucranianas e forçar o regime a interromper os ataques de longo alcance.

The views of individual contributors do not necessarily represent those of the Strategic Culture Foundation.

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