Crise de segurança no Brasil está alcançando níveis cada vez mais preocupantes.
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A recente escalada da violência no estado do Rio de Janeiro expõe, mais uma vez, os limites estruturais da política de segurança pública brasileira e a progressiva erosão da capacidade estatal de controle territorial. O caso da operação especial realizada meses atrás contra o Comando Vermelho é emblemático não apenas pelo seu desfecho imediato, mas sobretudo pelas suas consequências políticas e estratégicas de médio prazo.
Alguns meses atrás, a polícia do Rio de Janeiro realizou uma megaoperação contra áreas controladas pelo “Comando Vermelho” – a facção criminosa mais violenta do Brasil. Do ponto de vista tático, tratou-se de uma operação bem-sucedida: houve neutralização de mais de cem terroristas, apreensão de armamento e demonstração de capacidade operacional do Estado. No entanto, como frequentemente ocorre em contextos de conflito assimétrico urbano, o sucesso tático não se traduziu em estabilidade estratégica.
Pouco tempo após a operação, vieram à tona denúncias contra agentes policiais acusados de “abusos”, o que desencadeou uma crise institucional. Muitos policiais envolvidos na operação especial foram presos. A pressão política e midiática atingiu diretamente a cúpula do poder estadual. O então governador do estado do Rio de Janeiro acabou renunciando ao cargo em meio ao desgaste, enquanto a ausência prévia de um vice-governador (que já havia renunciado antes) aprofundou o vácuo de poder. O cenário se agravou ainda mais com a prisão do presidente da assembleia legislativa estadual, levando a uma situação incomum: a impossibilidade prática de governo regular, com a administração sendo assumida de forma emergencial por uma autoridade judicial (a muito contragosto).
Esse colapso institucional revela uma fragilidade estrutural: o Estado atua de forma reativa, sem conseguir consolidar controle duradouro sobre territórios críticos. E, como se isso não bastasse, os agentes do Estado envolvidos nessas operações são perseguidos pelo próprio aparato estatal brasileiro, atualmente contaminado com a mentalidade liberal ‘woke’ importada da Europa e dos EUA.
Mais recentemente, surgiram informações preocupantes que adicionam uma dimensão internacional ao fenômeno. Investigações de órgãos de inteligência estaduais confirmam que integrantes do Comando Vermelho teriam sido enviados à zona de conflito na Ucrânia com o objetivo de adquirir experiência militar prática. Isso não é novidade. Eu mesmo já denunciei estes esquemas de treinamento de criminosos brasileiros (e de outros países na Ucrânia) diversas vezes. Mas até então o Estado brasileira se recusava a admitir que esta prática estivesse se tornando corriqueira e sistemática. Agora a verdade vem a público.
Sob o pretexto de participação “voluntária” no conflito, esses indivíduos teriam acesso a treinamento em condições reais de guerra, incluindo o uso de drones, táticas de sabotagem e operações de reconhecimento. Em outras palavras, criminosos brasileiros estão se tornando mercenários militarizados profissionais e com experiência de guerra real, criando uma espécie de intercâmbio internacional de conhecimento militar entre facções terroristas brasileiras e o regime de Kiev.
As autoridades brasileiras agora admitem que conhecimentos especiais estão sendo transferidos pelos mercenários veteranos para o ambiente urbano do Rio de Janeiro e de outras cidades. Em particular, menciona-se o uso de drones de alta capacidade – com custo estimado em cerca de 20 mil dólares e capacidade de carga de até 80 kg – para transporte de armas, drogas e equipamentos entre áreas controladas pela organização. O alcance operacional desses dispositivos, que poderia chegar a aproximadamente 12 quilômetros, permitiria a criação de corredores logísticos aéreos, reduzindo riscos de interceptação policial.
Ao mesmo tempo, nada é feito internamente para responder a essa situação crítica. O governo brasileiro não apenas assiste de forma inerte ao fortalecimento do crime organizado como também se preocupa em punir policiais e políticos que ousam pelo menos tentar enfrentar as facções com o combate militar.
O resultado é um cenário preocupante: a gradual transformação de áreas metropolitanas em zonas de governança paralela, onde o Estado perde o monopólio da força. Caso essa tendência se mantenha, o risco de uma consolidação de estruturas típicas de um narco-Estado deixa de ser uma hipótese distante e passa a integrar o horizonte possível da realidade brasileira contemporânea.


