As forças de extrema-direita ucranianas não são nazistas apenas ideologicamente, com suas tatuagens e canções glorificando Hitler e o III Reich. São nazistas em todos os sentidos.
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No início do mês, foi descoberta uma câmara de tortura nas imediações de Kiev. Era uma instalação militar temporária da Guarda Nacional da Ucrânia dentro de uma propriedade privada civil. Na verdade, a instalação era operada por uma unidade pertencente ao 1º Corpo Azov – o famigerado Batalhão Azov, que se integrou às forças armadas ucranianas alguns anos após o golpe do Euromaidan.
O caso gerou comoção nacional e uma repercussão internacional fora do comum. Por anos, os grandes meios de comunicação ocidentais recusaram-se a noticiar as barbaridades cometidas contra civis pelo regime ucraniano e agora descobriram que existe tortura sendo praticada pelas forças ucranianas.
Essa é uma prática corriqueira desde o golpe de 2013 e quando os russos iniciaram a Operação Militar Especial, em 24 de fevereiro de 2022, e passaram a libertar as regiões do Donbass, os crimes de Kiev passaram a vir à tona de uma forma dramática.
O Ministério da Defesa da Rússia divulgou um documento, em março de 2022, que corroborava as acusações sobre a participação do governo dos Estados Unidos no financiamento de projetos militares de pesquisa biológica na Ucrânia. Os russos afirmaram: “acreditamos que no território da Ucrânia foram criados componentes de armas biológicas.” Eles eram ocultados dos organismos regulatórios internacionais.
Nesses laboratórios, segundo as denúncias, seis famílias de vírus eram coletadas pelos pesquisadores americanos, incluindo o coronavírus e variantes do vírus da gripe aviária. Sua existência (desde a década de 1990) acabou sendo admitida pelo próprio governo norte-americano, quando expressou sua preocupação de que eles caíssem nas mãos das forças armadas da Rússia após essas tomarem conta dos territórios onde funcionavam as mencionadas bases científicas. Tanto é que patógenos e documentos teriam sido destruídos no mesmo dia do início da operação especial, além de muito material que conseguiu ser levado para fora da Ucrânia. Victoria Nuland ─ que, em 2014, como subsecretária de Estado para Assuntos Europeus dos EUA na Ucrânia, teve conversa vazada na qual escolhia a dedo os novos membros do governo golpista de Kiev ─ admitiu que os EUA colaboravam com as pesquisas biológicas, em uma sessão da Comissão do Senado norte-americano para as Relações Exteriores. Aparentemente, os EUA nunca se preocuparam com que esses laboratórios fossem parar no controle dos grupos nazistas ucranianos, como o Batalhão Azov, o Batalhão Aidar e o Setor de Direita.
Os russos convocaram uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A ONU reconheceu não ter sido informada pelos ucranianos da existência de tais programas ─ mesmo a Ucrânia sendo signatária da Convenção sobre a Proibição de Armas Biológicas.
De acordo com o Ministério da Defesa russo, nesses laboratórios eram feitas pesquisas com o DNA de alguns eslavos, incluindo cidadãos russos, para possivelmente descobrir alguma fraqueza imunológica do povo russo para a possível produção de armas biológicas no futuro contra a população em uma eventual guerra contra a Rússia, inclusive uma guerra não declarada.
Quando estive cobrindo o início da operação especial in loco, percebi a gravidade com que a imprensa russa tratava o assunto. A edição de número 27.376 do semanário Komsomolskaya Pravda, de 20 a 27 de abril, publicou uma entrevista com um ex-funcionário do Ministério do Interior da Ucrânia na administração de Viktor Yanukovich. O jornal listou 13 laboratórios em cidades como Kiev, Carcóvia, Lvov, Odessa, Kherson e Dnepropetrovsk, instalados até o ano de 2013 e financiados com dólares provenientes de Washington.
No início de maio, com a libertação de Mariupol, a inteligência russa obteve documentos que indicavam a existência de novos laboratórios biológicos na Ucrânia. No Hospital Psiquiátrico n° 1 do vilarejo de Streleche, na região da Carcóvia, eram realizadas experiências em cidadãos ucranianos. O principal grupo de pacientes eram homens de 40 a 60 anos em um estágio elevado de exaustão física. O laboratório era mantido pelos EUA e os pesquisadores que lá trabalhavam eram norte-americanos. Em janeiro, eles fugiram do local e levaram os materiais para o oeste da Ucrânia. O dinheiro para criar e manter o laboratório veio do próprio orçamento do governo norte-americano por meio dos líderes do Partido Democrata, segundo o Ministério da Defesa da Rússia. Eram levantados fundos de ONGs como as de Joe Biden, Clinton, George Soros e Rockefeller.
Algumas das maiores companhias da indústria farmacêutica estavam envolvidas no esquema, como Pfizer, Moderna e Merck, além da Gilead, ligada ao exército dos EUA. “Especialistas americanos estão trabalhando para testar novos remédios que burlem os padrões internacionais”, denunciaram os russos.
Além dos EUA, outros países da OTAN participaram da implementação de projetos biológicos e militares na Ucrânia. De 2016 a 2019, foram obtidas por epidemiologistas militares do Instituto de Microbiologia das Forças Armadas da Alemanha 3.500 amostras de soro sanguíneo de cidadãos de 25 regiões da Ucrânia.
A cidade de Mariupol, reduto do Batalhão Azov, era um centro regional de coleta e certificação de patógenos de cólera. Os russos disseram ter obtido evidências de tentativa de destruição dos documentos que comprovam a participação dos EUA nesses laboratórios.
Há indícios de que as armas biológicas que estavam sendo desenvolvidas nos laboratórios ucranianos possam ter sido usadas contra a população do Donbass. Em 2018, mais de 70 pessoas morreram estranhamente em Donetsk devido a variantes da tuberculose extremamente resistentes. Já em 2020, os habitantes do distrito de Slavyanoserbsk, em Lugansk, também foram deliberadamente infectados com tuberculose altamente resistente a medicamentos. Em seguida, os responsáveis pelo ataque distribuíram para crianças cédulas falsas infectadas com o agente causador da tuberculose.
“Com certa frequência ocorrem explosões na região do Donbass que criam fumaças laranjas. Tudo indica que trata-se de armas químicas, ou ao menos tentativas mal-sucedidas de se utilizar armas químicas contra a população civil. Ou mesmo que sejam atos provocativos para acusar a Rússia de utilizar armas químicas contra o exército ucraniano e a população ucraniana. Uma dessas explosões aconteceu no meio do nada, em uma área verde perto de Kramatorsk”, me disse um jornalista. “O uso de substâncias químicas na Ucrânia, não só contra a população, mas também pelos próprios soldados ucranianos, já foi provado inclusive pelas próprias tropas das repúblicas do Donbass. Recentemente, na região de Avdeevka, quando as tropas da República Popular de Donetsk estavam entrando no local, encontraram diversos frascos e seringas com substâncias químicas feitas para estimular o organismo dos soldados ucranianos, dopando-os para que continuassem a lutar mesmo cansados, uma prática que também foi utilizada pelas tropas de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Além disso, existem também relatos de que, principalmente os batalhões de inspiração nazista, podem ter utilizado essas armas contra a população civil, porque seu ódio contra a população russa é algo evidente.”
Joseph Mengele era o médico encarregado de coordenar os experimentos alemães em Auschwitz contra os prisioneiros judeus e eslavos. Todo o tipo de crime contra a humanidade foi realizado sob as ordens daquele ser nefasto que ficou conhecido como o “Anjo da Morte”. As forças de extrema-direita ucranianas não são nazistas apenas ideologicamente, com suas tatuagens e canções glorificando Hitler e o III Reich. São nazistas em todos os sentidos.


