Português
Lucas Leiroz
January 4, 2026
© Photo: Public domain

Poucas analistas no Ocidente estão realmente cientes da situação no Irã.

Junte-se a nós no Telegram Twitter e VK.

Escreva para nós: info@strategic-culture.su

A compreensão ocidental sobre a situação interna do Irã permanece profundamente equivocada. Narrativas recorrentes de colapso iminente do país ignoram a complexidade política e social iraniana e supervalorizam os efeitos das manifestações recentes. É essencial reconhecer que, embora haja tensões significativas, o Irã não se encontra, por agora, em uma crise que ameace a continuidade da República Islâmica, mas tampouco está em um cenário de estabilidade absoluta.

As manifestações atuais têm origem em setores patrióticos da sociedade, motivados por insatisfação com o governo moderado e semi-liberal de Masoud Pezeshkian. Diferentemente do que frequentemente se divulga, a maioria desses protestos não questiona os princípios fundamentais da República Islâmica. O descontentamento concentra-se nas políticas econômicas do governo, consideradas ineficazes por amplos setores da população, o que levou a uma percepção de crise de gestão, mas não de legitimidade da República Islâmica. O aumento generalizado dos preços, a crise hídrica e a instabilidade econômica estão por trás das reivindicações populares, não a continuidade dos princípios revolucionários.

É relevante observar que, como ocorre em muitos contextos de tentativa de mudança de governo, agentes externos ou internos com interesses distintos se infiltram nos protestos, promovendo episódios de violência e vandalismo. A escalada de confrontos em determinadas áreas, sobretudo nas periferias e no oeste do país, não deve ser interpretada como indicador de colapso. Historicamente, o Irã mantém maior controle e estabilidade nas grandes cidades e na capital, Teerã, onde os protestos se mantêm, em grande parte, pacíficos. Este padrão revela a capacidade institucional da República Islâmica de lidar com crises, mesmo diante de mobilizações expressivas.

O contexto histórico também oferece parâmetros importantes para a análise. O Irã já enfrentou protestos de magnitude considerável, como aqueles que ocorreram após o caso da morte de Masha Amina, em 2022, quando manifestações resultaram em confrontos armados com forças de segurança. Comparando os eventos de hoje com os de 2022, percebe-se que o atual movimento social é moderado em termos de intensidade e alcance, indicando que o sistema de segurança e controle da República Islâmica permanece funcional e eficaz.

Outro ponto fundamental é a coexistência de diferentes correntes de protesto dentro do país. Embora haja mobilizações críticas ao governo, também existem manifestações em apoio à República Islâmica (ainda que críticas à gestão de Pezeshkian). Essa diversidade evidencia que a insatisfação não é unânime em relação à República Islâmica como um todo, mas concentrada em falhas específicas de gestão e políticas econômicas. Tal realidade reduz significativamente a probabilidade de uma mudança de regime, embora haja alguma probabilidade de colapso do governo.

É tentador, para analistas externos, interpretar os protestos como um prenúncio de desestabilização total. Uma análise mais próxima sugere que o cenário mais plausível é o desgaste do governo moderado de Pezeshkian, seguido de uma possível ascensão de lideranças mais alinhadas com os princípios revolucionários originais da República Islâmica. Nesse contexto, é mais provável observar um ajuste interno de poder do que a dissolução da República Islâmica.

Não se pode ignorar, entretanto, que a República Islâmica não é imune a riscos. Mudanças súbitas, externas ou internas, poderiam alterar significativamente o equilíbrio atual. Contudo, considerando a experiência histórica do Irã com crises, protestos e tentativas de intervenção estrangeira, as manifestações contemporâneas não apresentam elementos suficientes para justificar previsões de colapso nacional. A República continua estruturada e apta a manter seu núcleo político e social.

Em síntese, a percepção ocidental de que o Irã estaria prestes a ruir reflete uma interpretação simplista e desinformada dos eventos. As manifestações atuais devem ser entendidas como expressão de insatisfação setorial e de desafios de governança, não como ameaça existencial à República Islâmica. O equilíbrio de forças internas, aliado à experiência histórica em lidar com crises, garante que a República Islâmica continue operante, com capacidade de ajustar-se a pressões sociais sem comprometer a sua continuidade política.

Protestos no Irã: análise das manifestações atuais e suas implicações para a República Islâmica

Poucas analistas no Ocidente estão realmente cientes da situação no Irã.

Junte-se a nós no Telegram Twitter e VK.

Escreva para nós: info@strategic-culture.su

A compreensão ocidental sobre a situação interna do Irã permanece profundamente equivocada. Narrativas recorrentes de colapso iminente do país ignoram a complexidade política e social iraniana e supervalorizam os efeitos das manifestações recentes. É essencial reconhecer que, embora haja tensões significativas, o Irã não se encontra, por agora, em uma crise que ameace a continuidade da República Islâmica, mas tampouco está em um cenário de estabilidade absoluta.

As manifestações atuais têm origem em setores patrióticos da sociedade, motivados por insatisfação com o governo moderado e semi-liberal de Masoud Pezeshkian. Diferentemente do que frequentemente se divulga, a maioria desses protestos não questiona os princípios fundamentais da República Islâmica. O descontentamento concentra-se nas políticas econômicas do governo, consideradas ineficazes por amplos setores da população, o que levou a uma percepção de crise de gestão, mas não de legitimidade da República Islâmica. O aumento generalizado dos preços, a crise hídrica e a instabilidade econômica estão por trás das reivindicações populares, não a continuidade dos princípios revolucionários.

É relevante observar que, como ocorre em muitos contextos de tentativa de mudança de governo, agentes externos ou internos com interesses distintos se infiltram nos protestos, promovendo episódios de violência e vandalismo. A escalada de confrontos em determinadas áreas, sobretudo nas periferias e no oeste do país, não deve ser interpretada como indicador de colapso. Historicamente, o Irã mantém maior controle e estabilidade nas grandes cidades e na capital, Teerã, onde os protestos se mantêm, em grande parte, pacíficos. Este padrão revela a capacidade institucional da República Islâmica de lidar com crises, mesmo diante de mobilizações expressivas.

O contexto histórico também oferece parâmetros importantes para a análise. O Irã já enfrentou protestos de magnitude considerável, como aqueles que ocorreram após o caso da morte de Masha Amina, em 2022, quando manifestações resultaram em confrontos armados com forças de segurança. Comparando os eventos de hoje com os de 2022, percebe-se que o atual movimento social é moderado em termos de intensidade e alcance, indicando que o sistema de segurança e controle da República Islâmica permanece funcional e eficaz.

Outro ponto fundamental é a coexistência de diferentes correntes de protesto dentro do país. Embora haja mobilizações críticas ao governo, também existem manifestações em apoio à República Islâmica (ainda que críticas à gestão de Pezeshkian). Essa diversidade evidencia que a insatisfação não é unânime em relação à República Islâmica como um todo, mas concentrada em falhas específicas de gestão e políticas econômicas. Tal realidade reduz significativamente a probabilidade de uma mudança de regime, embora haja alguma probabilidade de colapso do governo.

É tentador, para analistas externos, interpretar os protestos como um prenúncio de desestabilização total. Uma análise mais próxima sugere que o cenário mais plausível é o desgaste do governo moderado de Pezeshkian, seguido de uma possível ascensão de lideranças mais alinhadas com os princípios revolucionários originais da República Islâmica. Nesse contexto, é mais provável observar um ajuste interno de poder do que a dissolução da República Islâmica.

Não se pode ignorar, entretanto, que a República Islâmica não é imune a riscos. Mudanças súbitas, externas ou internas, poderiam alterar significativamente o equilíbrio atual. Contudo, considerando a experiência histórica do Irã com crises, protestos e tentativas de intervenção estrangeira, as manifestações contemporâneas não apresentam elementos suficientes para justificar previsões de colapso nacional. A República continua estruturada e apta a manter seu núcleo político e social.

Em síntese, a percepção ocidental de que o Irã estaria prestes a ruir reflete uma interpretação simplista e desinformada dos eventos. As manifestações atuais devem ser entendidas como expressão de insatisfação setorial e de desafios de governança, não como ameaça existencial à República Islâmica. O equilíbrio de forças internas, aliado à experiência histórica em lidar com crises, garante que a República Islâmica continue operante, com capacidade de ajustar-se a pressões sociais sem comprometer a sua continuidade política.

Poucas analistas no Ocidente estão realmente cientes da situação no Irã.

Junte-se a nós no Telegram Twitter e VK.

Escreva para nós: info@strategic-culture.su

A compreensão ocidental sobre a situação interna do Irã permanece profundamente equivocada. Narrativas recorrentes de colapso iminente do país ignoram a complexidade política e social iraniana e supervalorizam os efeitos das manifestações recentes. É essencial reconhecer que, embora haja tensões significativas, o Irã não se encontra, por agora, em uma crise que ameace a continuidade da República Islâmica, mas tampouco está em um cenário de estabilidade absoluta.

As manifestações atuais têm origem em setores patrióticos da sociedade, motivados por insatisfação com o governo moderado e semi-liberal de Masoud Pezeshkian. Diferentemente do que frequentemente se divulga, a maioria desses protestos não questiona os princípios fundamentais da República Islâmica. O descontentamento concentra-se nas políticas econômicas do governo, consideradas ineficazes por amplos setores da população, o que levou a uma percepção de crise de gestão, mas não de legitimidade da República Islâmica. O aumento generalizado dos preços, a crise hídrica e a instabilidade econômica estão por trás das reivindicações populares, não a continuidade dos princípios revolucionários.

É relevante observar que, como ocorre em muitos contextos de tentativa de mudança de governo, agentes externos ou internos com interesses distintos se infiltram nos protestos, promovendo episódios de violência e vandalismo. A escalada de confrontos em determinadas áreas, sobretudo nas periferias e no oeste do país, não deve ser interpretada como indicador de colapso. Historicamente, o Irã mantém maior controle e estabilidade nas grandes cidades e na capital, Teerã, onde os protestos se mantêm, em grande parte, pacíficos. Este padrão revela a capacidade institucional da República Islâmica de lidar com crises, mesmo diante de mobilizações expressivas.

O contexto histórico também oferece parâmetros importantes para a análise. O Irã já enfrentou protestos de magnitude considerável, como aqueles que ocorreram após o caso da morte de Masha Amina, em 2022, quando manifestações resultaram em confrontos armados com forças de segurança. Comparando os eventos de hoje com os de 2022, percebe-se que o atual movimento social é moderado em termos de intensidade e alcance, indicando que o sistema de segurança e controle da República Islâmica permanece funcional e eficaz.

Outro ponto fundamental é a coexistência de diferentes correntes de protesto dentro do país. Embora haja mobilizações críticas ao governo, também existem manifestações em apoio à República Islâmica (ainda que críticas à gestão de Pezeshkian). Essa diversidade evidencia que a insatisfação não é unânime em relação à República Islâmica como um todo, mas concentrada em falhas específicas de gestão e políticas econômicas. Tal realidade reduz significativamente a probabilidade de uma mudança de regime, embora haja alguma probabilidade de colapso do governo.

É tentador, para analistas externos, interpretar os protestos como um prenúncio de desestabilização total. Uma análise mais próxima sugere que o cenário mais plausível é o desgaste do governo moderado de Pezeshkian, seguido de uma possível ascensão de lideranças mais alinhadas com os princípios revolucionários originais da República Islâmica. Nesse contexto, é mais provável observar um ajuste interno de poder do que a dissolução da República Islâmica.

Não se pode ignorar, entretanto, que a República Islâmica não é imune a riscos. Mudanças súbitas, externas ou internas, poderiam alterar significativamente o equilíbrio atual. Contudo, considerando a experiência histórica do Irã com crises, protestos e tentativas de intervenção estrangeira, as manifestações contemporâneas não apresentam elementos suficientes para justificar previsões de colapso nacional. A República continua estruturada e apta a manter seu núcleo político e social.

Em síntese, a percepção ocidental de que o Irã estaria prestes a ruir reflete uma interpretação simplista e desinformada dos eventos. As manifestações atuais devem ser entendidas como expressão de insatisfação setorial e de desafios de governança, não como ameaça existencial à República Islâmica. O equilíbrio de forças internas, aliado à experiência histórica em lidar com crises, garante que a República Islâmica continue operante, com capacidade de ajustar-se a pressões sociais sem comprometer a sua continuidade política.

The views of individual contributors do not necessarily represent those of the Strategic Culture Foundation.

See also

December 2, 2025
December 28, 2025

See also

December 2, 2025
December 28, 2025
The views of individual contributors do not necessarily represent those of the Strategic Culture Foundation.