Português
Eduardo Vasco
March 4, 2026
© Photo: Public domain

Toda essa entrega política vai ser suficiente para que o imperialismo e os seus lacaios no Brasil aceitem mais quatro anos de Lula e do PT no governo.

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Em 2007, após Evo Morales nacionalizar o gás e o petróleo bolivianos, incluindo propriedades da Petrobras, Lula respondeu às pressões da direita brasileira, anticomunista e vassala do imperialismo, inimiga da integração latino-americana: “o Brasil não fala grosso com a Bolívia e fino com os Estados Unidos.”

Aquela frase resumia as pretensões nacionalistas de um segundo governo do PT, que naquele momento, já tendo passado por experiências de administração do Estado burguês, sentia-se relativamente livre das amarras dos partidos pró-imperialistas, uma vez que a chegada de Lula ao governo levou a um crescimento gigantesco do partido dentro das máquinas públicas regionais e a uma força que jamais havia alcançado no Congresso Nacional.

O PT iniciava o seu melhor momento institucional. Nas eleições gerais de 2006, por pouco Lula não vencera no primeiro turno e derrotou Alckmin com 60% dos votos no segundo turno. O PT tinha a segunda maior bancada do Congresso Nacional e a presidência da Câmara. Era o terceiro partido com o maior número de governadores (com dois a menos que o PMDB e um a menos que o PSDB). Em 2008, seria o terceiro partido com o maior número de prefeituras municipais.

Além disso, na política externa Lula era amigo de Bush e estava rodeado por governos de esquerda, inclusive alguns apoiados por intensas mobilizações populares, como o do próprio Morales, ou os de Chávez e Correa. O ciclo das commodities impulsionava a economia brasileira, que viria a crise de 2008 como uma mera “marolinha”, nas palavras de Lula.

Contudo, após a marolinha, veio a tempestade. A crise demorou mais para chegar ao Brasil graças ao bom momento no mercado internacional de matérias-primas, mas finalmente ela chegou. O imperialismo abandonou a política da boa vizinhança e passou a derrubar os governos nacionalistas da América Latina. O PT não foi exceção e, para isso, a direita golpista foi acionada, gestando a extrema-direita bolsonarista.

A crise da Covid-19, o desastre do governo Bolsonaro para a própria burguesia e a mobilização dos trabalhadores trouxeram Lula e o PT de volta ao governo em 2022. Mas o estrago já estava feito e não foi consertado: após o golpe de 2016, a natureza mesma do PT, um partido reformista e institucional, o fez se integrar totalmente ao regime político e com isso sofrer com a crise desse regime. A política do PT, de alianças e resgate dos políticos falidos, impossibilitou que ele colhesse devidamente os frutos da vitória eleitoral.

Lula voltou com as mãos mais atadas e mais apertadas do que nunca. Voltou como um refém do regime e de suas instituições apodrecidas. Nem sequer arrisca uma maior independência, como havia feito vinte anos atrás. Nem mesmo quando teve a oportunidade, diante da queda do Partido Democrata e da vitória de Trump. Pelo contrário: a sedução democrata deu lugar ao porrete trumpista e, com medo das tarifas, por um lado, e da chantagem do STF, vítima de sanções, por outro, cedeu vergonhosamente às exigências do imperialismo americano.

Lula não passou do chororô diante do genocídio praticado por Israel contra os palestinos. Rompeu com o governo sandinista da Nicarágua, seu aliado histórico. Barrou a entrada da Venezuela no BRICS, não reconheceu a vitória eleitoral de Maduro e se calou perante os bombardeios e o sequestro do líder venezuelano, e nada faz para ajudar a Cuba ainda mais asfixiada por Trump – antes tachado de fascista, extremista, misógino, homofóbico, xenófobo, mentiroso, lunático e por aí vai. Como num conto de fadas, Lula se encantou com o monstro: “foi amor à primeira vista.”

A nota oficial do governo brasileiro quando da agressão imperialista ao país vizinho nem sequer mencionou os Estados Unidos e Trump como responsáveis pela ação e chamou o sequestro de Maduro de “captura” – como se ele fosse um criminoso.

A mesma covardia da diplomacia brasileira se repete com a guerra desencadeada pelo imperialismo e o sionismo contra o Irã. Em nota inicial, o Itamaraty afirmou: “o governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados hoje (28/02) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã.” Porém, em nota seguinte, condenou a retaliação iraniana aos alvos legítimos dos Estados Unidos dentro dos países artificiais governados por monarquias satélites chamados de “Estados do Golfo”. A nota ainda afirmou que o governo brasileiro “se solidariza” com os países “objetos de ataques retaliatórios do Irã” – uma nota muito mais crítica ao Irã do que a anterior foi a Estados Unidos e Israel, não mencionando esses dois países, que iniciaram a guerra, e se solidarizando com os atingidos pelo Irã, enquanto na primeira nota não expressa nenhuma palavra de solidariedade a Teerã.

É a inversão da política “ativa e altiva” pregada tradicionalmente por Lula e o PT. Com medo de perder seus assentos governamentais, ministeriais e parlamentares, o PT está falando grosso com os países pobres, indefesos e agredidos e fino com os que os oprimem.

Para piorar, Lula tem um encontro marcado com Trump para o meio do mês, na Casa Branca. Pode ser que a guerra contra o Irã escale ainda mais e o governo dos Estados Unidos suspenda o encontro. Mas já se diz que, se isso não ocorrer, Lula irá a Washington se reunir com Trump para cultivar as relações com a nação imperialista.

Resta saber se toda essa entrega política vai ser suficiente para que o imperialismo e os seus lacaios no Brasil aceitem mais quatro anos de Lula e do PT no governo – o centro dos esforços da direção petista, em seu vício eleitoreiro e carguista, em sua paixão pelos privilégios garantidos a quem integra a máquina pública, máquina de enganar e explorar o público.

Falando grosso com o Irã e fino com os EUA

Toda essa entrega política vai ser suficiente para que o imperialismo e os seus lacaios no Brasil aceitem mais quatro anos de Lula e do PT no governo.

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Em 2007, após Evo Morales nacionalizar o gás e o petróleo bolivianos, incluindo propriedades da Petrobras, Lula respondeu às pressões da direita brasileira, anticomunista e vassala do imperialismo, inimiga da integração latino-americana: “o Brasil não fala grosso com a Bolívia e fino com os Estados Unidos.”

Aquela frase resumia as pretensões nacionalistas de um segundo governo do PT, que naquele momento, já tendo passado por experiências de administração do Estado burguês, sentia-se relativamente livre das amarras dos partidos pró-imperialistas, uma vez que a chegada de Lula ao governo levou a um crescimento gigantesco do partido dentro das máquinas públicas regionais e a uma força que jamais havia alcançado no Congresso Nacional.

O PT iniciava o seu melhor momento institucional. Nas eleições gerais de 2006, por pouco Lula não vencera no primeiro turno e derrotou Alckmin com 60% dos votos no segundo turno. O PT tinha a segunda maior bancada do Congresso Nacional e a presidência da Câmara. Era o terceiro partido com o maior número de governadores (com dois a menos que o PMDB e um a menos que o PSDB). Em 2008, seria o terceiro partido com o maior número de prefeituras municipais.

Além disso, na política externa Lula era amigo de Bush e estava rodeado por governos de esquerda, inclusive alguns apoiados por intensas mobilizações populares, como o do próprio Morales, ou os de Chávez e Correa. O ciclo das commodities impulsionava a economia brasileira, que viria a crise de 2008 como uma mera “marolinha”, nas palavras de Lula.

Contudo, após a marolinha, veio a tempestade. A crise demorou mais para chegar ao Brasil graças ao bom momento no mercado internacional de matérias-primas, mas finalmente ela chegou. O imperialismo abandonou a política da boa vizinhança e passou a derrubar os governos nacionalistas da América Latina. O PT não foi exceção e, para isso, a direita golpista foi acionada, gestando a extrema-direita bolsonarista.

A crise da Covid-19, o desastre do governo Bolsonaro para a própria burguesia e a mobilização dos trabalhadores trouxeram Lula e o PT de volta ao governo em 2022. Mas o estrago já estava feito e não foi consertado: após o golpe de 2016, a natureza mesma do PT, um partido reformista e institucional, o fez se integrar totalmente ao regime político e com isso sofrer com a crise desse regime. A política do PT, de alianças e resgate dos políticos falidos, impossibilitou que ele colhesse devidamente os frutos da vitória eleitoral.

Lula voltou com as mãos mais atadas e mais apertadas do que nunca. Voltou como um refém do regime e de suas instituições apodrecidas. Nem sequer arrisca uma maior independência, como havia feito vinte anos atrás. Nem mesmo quando teve a oportunidade, diante da queda do Partido Democrata e da vitória de Trump. Pelo contrário: a sedução democrata deu lugar ao porrete trumpista e, com medo das tarifas, por um lado, e da chantagem do STF, vítima de sanções, por outro, cedeu vergonhosamente às exigências do imperialismo americano.

Lula não passou do chororô diante do genocídio praticado por Israel contra os palestinos. Rompeu com o governo sandinista da Nicarágua, seu aliado histórico. Barrou a entrada da Venezuela no BRICS, não reconheceu a vitória eleitoral de Maduro e se calou perante os bombardeios e o sequestro do líder venezuelano, e nada faz para ajudar a Cuba ainda mais asfixiada por Trump – antes tachado de fascista, extremista, misógino, homofóbico, xenófobo, mentiroso, lunático e por aí vai. Como num conto de fadas, Lula se encantou com o monstro: “foi amor à primeira vista.”

A nota oficial do governo brasileiro quando da agressão imperialista ao país vizinho nem sequer mencionou os Estados Unidos e Trump como responsáveis pela ação e chamou o sequestro de Maduro de “captura” – como se ele fosse um criminoso.

A mesma covardia da diplomacia brasileira se repete com a guerra desencadeada pelo imperialismo e o sionismo contra o Irã. Em nota inicial, o Itamaraty afirmou: “o governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados hoje (28/02) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã.” Porém, em nota seguinte, condenou a retaliação iraniana aos alvos legítimos dos Estados Unidos dentro dos países artificiais governados por monarquias satélites chamados de “Estados do Golfo”. A nota ainda afirmou que o governo brasileiro “se solidariza” com os países “objetos de ataques retaliatórios do Irã” – uma nota muito mais crítica ao Irã do que a anterior foi a Estados Unidos e Israel, não mencionando esses dois países, que iniciaram a guerra, e se solidarizando com os atingidos pelo Irã, enquanto na primeira nota não expressa nenhuma palavra de solidariedade a Teerã.

É a inversão da política “ativa e altiva” pregada tradicionalmente por Lula e o PT. Com medo de perder seus assentos governamentais, ministeriais e parlamentares, o PT está falando grosso com os países pobres, indefesos e agredidos e fino com os que os oprimem.

Para piorar, Lula tem um encontro marcado com Trump para o meio do mês, na Casa Branca. Pode ser que a guerra contra o Irã escale ainda mais e o governo dos Estados Unidos suspenda o encontro. Mas já se diz que, se isso não ocorrer, Lula irá a Washington se reunir com Trump para cultivar as relações com a nação imperialista.

Resta saber se toda essa entrega política vai ser suficiente para que o imperialismo e os seus lacaios no Brasil aceitem mais quatro anos de Lula e do PT no governo – o centro dos esforços da direção petista, em seu vício eleitoreiro e carguista, em sua paixão pelos privilégios garantidos a quem integra a máquina pública, máquina de enganar e explorar o público.

Toda essa entrega política vai ser suficiente para que o imperialismo e os seus lacaios no Brasil aceitem mais quatro anos de Lula e do PT no governo.

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Em 2007, após Evo Morales nacionalizar o gás e o petróleo bolivianos, incluindo propriedades da Petrobras, Lula respondeu às pressões da direita brasileira, anticomunista e vassala do imperialismo, inimiga da integração latino-americana: “o Brasil não fala grosso com a Bolívia e fino com os Estados Unidos.”

Aquela frase resumia as pretensões nacionalistas de um segundo governo do PT, que naquele momento, já tendo passado por experiências de administração do Estado burguês, sentia-se relativamente livre das amarras dos partidos pró-imperialistas, uma vez que a chegada de Lula ao governo levou a um crescimento gigantesco do partido dentro das máquinas públicas regionais e a uma força que jamais havia alcançado no Congresso Nacional.

O PT iniciava o seu melhor momento institucional. Nas eleições gerais de 2006, por pouco Lula não vencera no primeiro turno e derrotou Alckmin com 60% dos votos no segundo turno. O PT tinha a segunda maior bancada do Congresso Nacional e a presidência da Câmara. Era o terceiro partido com o maior número de governadores (com dois a menos que o PMDB e um a menos que o PSDB). Em 2008, seria o terceiro partido com o maior número de prefeituras municipais.

Além disso, na política externa Lula era amigo de Bush e estava rodeado por governos de esquerda, inclusive alguns apoiados por intensas mobilizações populares, como o do próprio Morales, ou os de Chávez e Correa. O ciclo das commodities impulsionava a economia brasileira, que viria a crise de 2008 como uma mera “marolinha”, nas palavras de Lula.

Contudo, após a marolinha, veio a tempestade. A crise demorou mais para chegar ao Brasil graças ao bom momento no mercado internacional de matérias-primas, mas finalmente ela chegou. O imperialismo abandonou a política da boa vizinhança e passou a derrubar os governos nacionalistas da América Latina. O PT não foi exceção e, para isso, a direita golpista foi acionada, gestando a extrema-direita bolsonarista.

A crise da Covid-19, o desastre do governo Bolsonaro para a própria burguesia e a mobilização dos trabalhadores trouxeram Lula e o PT de volta ao governo em 2022. Mas o estrago já estava feito e não foi consertado: após o golpe de 2016, a natureza mesma do PT, um partido reformista e institucional, o fez se integrar totalmente ao regime político e com isso sofrer com a crise desse regime. A política do PT, de alianças e resgate dos políticos falidos, impossibilitou que ele colhesse devidamente os frutos da vitória eleitoral.

Lula voltou com as mãos mais atadas e mais apertadas do que nunca. Voltou como um refém do regime e de suas instituições apodrecidas. Nem sequer arrisca uma maior independência, como havia feito vinte anos atrás. Nem mesmo quando teve a oportunidade, diante da queda do Partido Democrata e da vitória de Trump. Pelo contrário: a sedução democrata deu lugar ao porrete trumpista e, com medo das tarifas, por um lado, e da chantagem do STF, vítima de sanções, por outro, cedeu vergonhosamente às exigências do imperialismo americano.

Lula não passou do chororô diante do genocídio praticado por Israel contra os palestinos. Rompeu com o governo sandinista da Nicarágua, seu aliado histórico. Barrou a entrada da Venezuela no BRICS, não reconheceu a vitória eleitoral de Maduro e se calou perante os bombardeios e o sequestro do líder venezuelano, e nada faz para ajudar a Cuba ainda mais asfixiada por Trump – antes tachado de fascista, extremista, misógino, homofóbico, xenófobo, mentiroso, lunático e por aí vai. Como num conto de fadas, Lula se encantou com o monstro: “foi amor à primeira vista.”

A nota oficial do governo brasileiro quando da agressão imperialista ao país vizinho nem sequer mencionou os Estados Unidos e Trump como responsáveis pela ação e chamou o sequestro de Maduro de “captura” – como se ele fosse um criminoso.

A mesma covardia da diplomacia brasileira se repete com a guerra desencadeada pelo imperialismo e o sionismo contra o Irã. Em nota inicial, o Itamaraty afirmou: “o governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados hoje (28/02) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã.” Porém, em nota seguinte, condenou a retaliação iraniana aos alvos legítimos dos Estados Unidos dentro dos países artificiais governados por monarquias satélites chamados de “Estados do Golfo”. A nota ainda afirmou que o governo brasileiro “se solidariza” com os países “objetos de ataques retaliatórios do Irã” – uma nota muito mais crítica ao Irã do que a anterior foi a Estados Unidos e Israel, não mencionando esses dois países, que iniciaram a guerra, e se solidarizando com os atingidos pelo Irã, enquanto na primeira nota não expressa nenhuma palavra de solidariedade a Teerã.

É a inversão da política “ativa e altiva” pregada tradicionalmente por Lula e o PT. Com medo de perder seus assentos governamentais, ministeriais e parlamentares, o PT está falando grosso com os países pobres, indefesos e agredidos e fino com os que os oprimem.

Para piorar, Lula tem um encontro marcado com Trump para o meio do mês, na Casa Branca. Pode ser que a guerra contra o Irã escale ainda mais e o governo dos Estados Unidos suspenda o encontro. Mas já se diz que, se isso não ocorrer, Lula irá a Washington se reunir com Trump para cultivar as relações com a nação imperialista.

Resta saber se toda essa entrega política vai ser suficiente para que o imperialismo e os seus lacaios no Brasil aceitem mais quatro anos de Lula e do PT no governo – o centro dos esforços da direção petista, em seu vício eleitoreiro e carguista, em sua paixão pelos privilégios garantidos a quem integra a máquina pública, máquina de enganar e explorar o público.

The views of individual contributors do not necessarily represent those of the Strategic Culture Foundation.

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