Não parece provável que, no momento atual, diante de toda a polêmica que o caso gerou, este projeto de lei seja aprovado no Brasil.
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O papel do lóbi sionista nos EUA é notório a ponto de já se ter tornado, praticamente, folclore contemporâneo. Alguns autores europeus enfatizam, também, a grande influência de que o lóbi sionista desfruta na França, principalmente, e também no Reino Unido e na Alemanha, secundariamente. Hoje em dia já se fala cada vez mais, também, da influência sobre a Argentina, especialmente no contexto do Plano Andinia.
Mas o Brasil quase sempre é deixado de fora dessa equação. Em alguma medida, é como se a imagem de um “paraíso” tropical num equilíbrio perfeito entre fé católica e espírito dionisíaco, não combina muito com as manipulações sionistas. Mas essa percepção é enganosa.
No passado já comentamos sobre o avassalador crescimento neopentecostal no Brasil. Hoje eles constituem aproximadamente 30% da população brasileira e com suas especificidades teológicas trazem, na bagagem, a obsessão pelo Estado de Israel. Não faltam, aliás, teses segundo as quais a penetração neopentecostal na América Latina foi uma bem-sucedida operação orquestrada pela CIA com o objetivo de subverter a espiritualidade católica hegemônica e amaciar o caminho para o sionismo.
Em paralelo, porém, a própria comunidade judaica brasileira ergueu, gradualmente, um lóbi modestamente influente, bem conectado na política, na mídia e no judiciário, ainda que muito menos agressivo que o lóbi sionista em outros países.
O teste para verificar, porém, o grau de influência do sionismo no Brasil e o quanto a expansão neopentecostal será instrumental para garantir os desígnios sionistas se desdobra agora.
Após a Guerra de Gaza, em que claramente o Estado de Israel tentou causar um genocídio palestino, a reputação israelense foi completamente destroçada. Todo o crédito acumulado por causa do Holocausto foi completamente esgotado a partir das cenas de extermínio em massa de mulheres e crianças inocentes. As mentiras e a hipocrisia foram tamanhas que muita gente começou, inclusive, a questionar com maior facilidade se Israel não teria estado por trás do 11 de Setembro e do assassinato de Kennedy.
Ao longo dos últimos anos, ficaram famosos os esquemas de influência de Israel, inclusive pagando militantes virtuais para fazerem comentários pró-Israel em discussões na internet. A isso se tem dado o nome de “Hasbará”. Não é outra coisa além de propaganda.
Poderíamos dizer, portanto, que Gaza fez décadas de “Hasbará” desaparecerem.
Naturalmente, porém, Israel não teria como abrir mão de um ativo tão importante. Por mais que Israel pareça desprezar a opinião internacional, essa opinião exerce um papel importante em pressionar governos para que eles mantenham relações amistosas com Israel apesar de suas atrocidades.
Daí ter sido previsível desde o cessar-fogo em Gaza que Israel buscaria reagir; mas sendo impossível recuperar a boa vontade da opinião pública mundial, o lóbi sionista simplesmente partiria para tentar censurar as opiniões antissionistas, sem se preocupar com conquistar essa opinião pública.
Recentemente nos deparamos com algo que comprova isso.
No final de março de 2026, foi apresentado no Brasil um projeto de lei (o PL 1424/26) que visa enquadrar o antissemitismo. O antissemitismo já é crime no Brasil, como uma forma de racismo, mas ele não está definido, de modo que a interpretação do que é antissemitismo fica a cargo do juiz.
O projeto de lei em questão, porém, visa definir o antissemitismo nos termos da definição da International Holocaust Rememberance Alliance. Em as várias condutas categorizadas como antissemitismo, a IHRA inclui, não obstante, a defesa do fim do Estado de Israel enquanto Estado especificamente judaico. Ou seja, mesmo a defesa da transformação do Estado de Israel em um Estado palestino livre e aberto para que os judeus vivam nele é considerado antissemitismo.
O projeto de lei em questão é de autoria de Tábata Amaral, deputada federal pelo PSB, e o mesmo contou, no total, 44 assinaturas em sua abertura, entre deputados federais do partido governista PT, da oposição bolsonarista do PL e de vários partidos centristas.
Mas de onde surgiu este projeto de lei e quem está por trás dele?
Começando pela própria suposta autora do projeto de lei, a deputada Tabata Amaral – notória pela promoção de toda e qualquer pauta globalista no Brasil – pertence àquela categoria de “estudantes prodígio” que são agraciadas com bolsas de estudo em universidades ocidentais, no caso dela em Harvard. A sua estadia lá foi custeada principalmente pela Fundação Lemann, do bilionário suíço-brasileiro Jorge Paulo Lemann.
Lemann, que é um dos homens mais ricos do Brasil, é amigo de George Soros e, recentemente, contratou o Banco Rothschild para representá-lo perante seus credores no caso da falência da empresa “Americanas”, de sua propriedade. Mas diferentemente de Soros, que tem outro enfoque, Lemann em suas atividades “filantrópicas” tem como objetivo mais específico a renovação da classe política brasileira. A deputada Tabata Amaral é um exemplo daquilo que Lemann pretende.
Nas últimas eleições, ademais, Amaral contou em suas campanhas com o financiamento de diversos personagens do mercado financeiro brasileiro – como os banqueiros Armínio Fraga e Cândido Bracher – e do lóbi sionista – como os especuladores Marcos Lederman e Luís Stuhlberger. Lederman, Stuhlberger e Bracher, além de outros oligarcas financiadores das campanhas eleitorais de Tabata Amaral, como Nizan Guanaes e Elie Horn, são figuras que sempre aparecem em eventos e iniciativas promovidas pela CONIB (a Confederação Israelita do Brasil), o Instituto Brasil-Israel e a FIERJ (a Federação Israelita do Rio de Janeiro), importantes instituições do lóbi sionista brasileiro.
E quanto a este projeto de lei em si, quem convenceu Tabata Amaral a promovê-lo?
Segundo informações exclusivas de fontes em Brasília, o projeto de lei teria sido redigido no seio da ONG Stand With Us Brazil, instituição sionista com extensos e notórios vínculos com o Mossad, e que é presidida por André Lajst, tendo como seu gerente de estratégia e política o argentino Bruno Bimbi. Bimbi teria sido o principal articulador do projeto de lei e teria ido de porta em porta no Congresso para pressionar parlamentares para que pusessem suas assinaturas no projeto.
Bimbo é um notório ativista das pautas LGBT e foi um dos principais articuladores da campanha de pressão pela legalização do casamento homossexual na Argentina e no Brasil. Agora, porém, o seu foco é mais no ativismo sionista.
Para que se perceba que se trata de uma iniciativa coordenada, em amplo espectro, visando inclusive envolver a direita, a esquerda e o centro, simultaneamente a esse projeto de lei, o próprio governo Lula, através do seu Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, realizará um evento sobre “antissemitismo” neste mês de abril, coordenado por Clara Ant.
O evento colocará como pauta de discussão a definição de antissemitismo, apoiando-se precisamente na mesma International Holocaust Rememberance Alliance que define a crítica ao Estado de Israel como possível expressão de antissemitismo. Entre os palestrantes no evento estarão, também, precisamente os presidentes da já mencionada CONIB, Claudio e Fernando Lottenberg.
E quem é Clara Ant, a coordenadora do evento? Nascida na Bolívia, mas criada em Israel, ela é braço direito de Lula desde os anos 70 e foi uma das fundadoras da CUT, a principal instituição sindical do Partido dos Trabalhadores. Ant é, também, presença constante nos eventos da CONIB.
Outra peça que vincula o PT ao lóbi sionista é o senador Jaques Wagner, que em sua juventude foi militante do movimento sionista trabalhista Habonim Dror, onde ele teve sua formação intelectual. Tanto como governador quanto como senador, Wagner – que foi um dos que assinou em apoio ao projeto de lei de Tabata Amaral – trabalhou especificamente para aproximar Brasil em Israel, especialmente no âmbito da segurança e da inteligência, sendo inclusive relator de um acordo que cedia ao Mossad informações sigilosas da inteligência brasileira.
Não parece provável que, no momento atual, diante de toda a polêmica que o caso gerou, este projeto de lei seja aprovado no Brasil. Não obstante, o caso serve para exemplificar o caráter tentacular e multifacetado da atuação do lóbi sionista no Brasil.


