Há algo de podre fluindo nas profundezas do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.
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A prisão de Andrew Mountbatten-Windsor por suas associações ao escândalo Epstein está repleta de aspectos peculiares, tanto num sentido simbólico quanto num sentido histórico. A prisão foi realizada no dia do 66º aniversário de Andrew, em 19 de fevereiro de 2026, 666 dias depois daquele estranho evento em Londres, em 24 de abril de 2024, no qual um cavalo branco ensanguentado se soltou e cavalgou pelas ruas da cidade. Coincidência? Quem sabe?
A acusação, especificamente, envolve inúmeros relatos e evidências, deduzidos a partir dos e-mails de Epstein e de depoimentos de testemunhas, de que Andrew teria participado, acompanhado e colaborado no abuso sexual de mulheres de diversas idades, inclusive meninas potencialmente pré-púberes, e na tortura, também, de crianças e adolescentes – tortura com conotação ou contornos sexuais. Definitivamente, um comportamento atroz e repulsivo.
Andrew, que não é mais príncipe, duque, conde ou barão, tendo perdido todos os seus títulos e os direitos a eles associados, não obstante segue sendo irmão do Rei Carlos III, atual soberano do Reino Unido.
Se estamos nos referindo a polêmicas envolvendo a família real britânica, porém, a figura de Carlos III nos remete rapidamente à estranha morte da princesa Diana, que por um tempo foi esposa do rei britânico quando ele ainda era o príncipe de Gales.
Diana foi princesa de Gales e esposa do atual Rei Carlos de 1981 até 1996, quando se divorciou dele. Nunca saberemos os motivos reais do divórcio, para além das explicações dadas publicamente, as quais passam, por exemplo, por traições do príncipe, bem como pressões constantes da família real sobre ela. Mas aí então há aqueles que insistem que parte das tensões de Diana com a família real envolve segredos muito mais profundos sobre os quais a princesa teria tido conhecimento, incluindo aí o envolvimento de membros da família real com pedofilia e abuso sexual.
Não temos como ter certeza sobre qualquer coisa desse tipo, mas a amizade de Jimmy Savile com membros da família real britânica é, certamente, desconcertante. Jimmy Savile, falecido em 2011, foi um DJ e personalidade midiática britânica que trabalhava na estatal BBC. Mas ele é mais conhecido como sendo um pervertido aberrante que teria abusado sexualmente de centenas de crianças ao longo de décadas. Muito convenientemente, a mídia britânica esperou o falecimento de Savile para expor os seus “podres”. Quase como se todos já soubessem de tudo…
Savile teria conhecido pessoalmente o rei Carlos, quando ele ainda era príncipe, nos anos 70 do século XX, em eventos de caridade. Mas ele rapidamente teria se tornado surpreendentemente íntimo da família real, atuando como conselheiro em inúmeros temas. Segundo Diana, Carlos à época via Savile quase como um guru, um mentor. Savile chegou a dizer, porém, que ele conhecia a família real britânica há ainda mais tempo, desde os anos 60; tendo sido introduzido nos negócios da família real pelo lorde Louis Mountbatten, ex-governador de Burma…e notório pedófilo com predileção por menininhos.
Savile, porém, não era apenas um “consumidor”, ele era também um “fornecedor”. Pelo menos é o que diz seu sobrinho, Guy Marsden, que afirma que Savile organizava festas orgiásticas nas quais o diferencial era a “oferta” de crianças – meninos e meninas – a membros da elite britânica. O sobrinho de Savile diz crer que a maioria das crianças vinha de orfanatos e abrigos. Isso situa Savile numa função semelhante – ainda que talvez de menor envergadura – a Jeffrey Epstein. Savile, aparentemente, não era tão próximo de Andrew quanto ele era do príncipe de Gales, mas o próprio Andrew, numa entrevista infame realizada em 2019, afirmou ter passado muito mais tempo com Savile do que com Epstein.
Retornando a Louis Mountbatten, o tio-avô do rei Carlos III, além de amigo de Jimmy Savile, recentemente alguns vazamentos de arquivos levaram ao conhecimento público o fato de que ele teria abusado de dezenas, ou mesmo centenas de meninos. Uma parcela dos abusos teria ocorrido na Irlanda do Norte, no lar de crianças de Kincora, em Belfast – local em que o orfanato, aparentemente, servia como “bufê” de crianças para membros da elite política e militar britânica, tudo operado pelo MI5. O orfanato foi fechado em 1980, 1 ano após o lorde Mountbatten ser justiçado pelo IRA.
Não há muitos outros escândalos envolvendo pedofilia em conexão com a família real britânica, mas nem por isso deixa de haver outros escândalos sexuais graves.
Se voltarmos ainda mais no tempo, para o final do século XIX, chegaremos à época dos famosos assassinatos de Whitechapel. Canonicamente, 5 mulheres foram assassinadas, com o mesmo modus operandi, por um homem que tornou-se notório no folclore macabro como “Jack o Estripador”. Ninguém nunca foi preso, nenhum culpado foi descoberto, e as teorias abundam.
Uma das mais notórias, é a teoria que conecta os assassinatos à figura do príncipe Alberto Vítor, Duque de Clarence. Alberto, cuja reputação já foi historicamente afetada pela revelação de que ele frequentava um bordel masculino na rua Cleveland, em Londres, passou a ser considerado, com o passar do tempo, o principal suspeito de ser o notório serial killer. O seu conhecimento de caça seria suficiente para dar conta da parte técnica das mortes. Ademais, recentemente ficou comprovado que ele padecia de sífilis e/ou gonorreia, doenças sexualmente transmissíveis que, se não tratadas, levam à insanidade.
As teorias, em cima dessa hipótese, se bifurcam. Há alguns que alegam que o próprio assassino era o príncipe, acometido de surtos de insanidade que o levavam a retaliar contra prostitutas, vistas talvez, enquanto classe, como responsáveis por seu sofrimento. Outros alegam que os assassinatos, na verdade, teriam sido cometidos a mando da família real com o objetivo de ocultar escândalos sexuais nos quais o príncipe Alberto teria estado envolvido, incluindo um possível casamento secreto com uma plebeia, realizado numa taverna e testemunhado por prostitutas.
Diferentemente dos casos mais recentes, a verdade sobre Jack o Estripador e suas possíveis conexões com a família real britânica dificilmente virão à luz, especialmente por todo o tempo que já passou.
Ainda assim, certamente há algo de podre fluindo nas profundezas do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.


