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Bruna Frascolla
February 20, 2026
© Photo: Public domain

Os Arquivos Epstein mostraram o comprometimento dos ícones do neoateísmo com o pedófilo canibal.

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Os Arquivos Epstein mostraram o comprometimento dos ícones do neoateísmo com o pedófilo canibal. Uma vez que o neoateísmo está comprometido com o sionismo, a relação entre o judeu praticante Jeffrey Epstein e os neoateísmo não pode se limitar a um apoio utilitário que tenha em vista somente descobertas científicas. Passemos em revista os ícones do neoateísmo.

O neoateísmo, seja como movimento organizado ou fenômeno de internet, despontou nos anos 2000. O público-alvo eram jovens interessados em ciências, e de fato é impossível encontrar um divulgador científico que não seja no mínimo agnóstico. Essa categoria tal como a conhecemos hoje – o divulgador científico midiático – provavelmente teve o seu primeiro espécime na pessoa de Carl Sagan (1934 – 1996), um cientista medíocre caçador de OVNIs que tinha acesso privilegiado à mídia e se colocava como uma espécie de encarnação da racionalidade, o que inclui ser um ateu cientificista que representa a religião como uma simples decorrência da ignorância e dos temores humanos. Não obstante, esse sumo sacerdote da racionalidade chegou a se entusiasmar com o projeto da NASA de ensinar inglês a golfinhos sob o efeito de LSD, e até fundou a Ordem do Golfinho, uma sociedade secreta composta por cientistas interessados em ETs. Em vez de ser um ateu agressivo (vale lembrar que ele era dos EUA e os EUA têm preconceito contra ateus), Sagan adotava uma filosofia espinosana e citava Einstein. Era, portanto, mais um judeu ateu.

As personagens principais

Os marcos históricos do neoateísmo são editoriais. Em 2004, o jovem jornalista californiano Sam Harris (n. 1967) publica A Morte da Fé: Religião, terror e o futuro da razão, que é uma diatribe contra a “religião organizada” como causadora de todo tipo de mal. O livro foi um best seller – coisa impressionante em se tratando dos Estados Unidos; explicável, porém, pelo trauma recente do atentado às Torres Gêmeas. Pela argumentação do pioneiro, basta ser religioso para sair cometendo atentados terroristas por aí. Quanto à origem religiosa, Sam Harris é filho de pai quacre com mãe judia, o que faz dele um judeu segundo a Halachá. Vale destacar que Sam Harris não é um ateu compatível com o racionalismo típico dos divulgadores de ciência, já que é adepto de esoterismos, abriu-se para a “espiritualidade” com drogas e foi até o Tibete estudar meditação com o pedófilo Dalai Lama. Talvez o problema de Harris seja só com a “religião organizada”, leia-se, com instituições e doutrina sólidas, em vez de religiões desorganizadas que cultuam gurus esotéricos. Em 2009, já depois da fama, sua busca por uma moralidade científica garantiu-lhe um doutorado em neurociência (não em filosofia: neurociência!), mas ele não exerceu a vida acadêmica.

O segundo nome importante na cronologia é o inglês Richard Dawkins (n. 1949), um professor de Oxford com vida própria, independente da militância ateia. Dawkins é quem melhor encarna o ideal do neoateu: é um cientista de verdade com obra reconhecida, coloca o darwinismo como prova de que a ciência contradiz a religião (considerada tacitamente um sinônimo de criacionismo), é ateu desde a adolescência e trata todo religioso como um lunático imbecil. Após o sucesso editorial de Sam Harris, o editor aceita a sua antiga proposta de fazer um livro contra a religião. Em 2006, sai Deus: Um delírio, um livro radical segundo o qual todo aquele que crê em Deus está literalmente delirando. Quanto às suas origens, Dawkins nasceu no Quênia Britânico, filho de pais anglicanos. Foi ele quem lançou a moda de dizer-se “culturalmente cristão”, ou “culturalmente anglicano” (Pinker se diz “culturalmente judeu”) – e aí nos perguntamos como um cientista super científico pode ser culturalmente delirante.

O filósofo estadunidense Daniel Dennett (1942 – 2024) é a figura de origem mais interessante. Seu pai era PhD em estudos islâmicos e ele passou a infância no Líbano, porque seu pai estava lá a serviço do OSS (órgão precursor da CIA). Daniel Dennett chama-se Daniel Clement Dennett III, e seu pai era Daniel Clement Dennett Jr. Ele teve três livros importantes para nosso assunto: Consciousness Explained (1991), onde dá uma explicação materialista da mente ou da alma (toda a consciência e o pensamento coincidiriam com atividade cerebral); Darwin’s Dangerous Idea (1995), que lastreia a moralidade no darwinismo (alinhado com a tese de Harris); e, já durante o fenômeno do neoateísmo, publica Breaking the Spell (2006), no qual pretende que se busquem explicações evolutivas para a existência da religião. Nesse livro, em vez de chamar-se de ateu, ele se declara “brilhante”, e estimula um movimento chamado The Brights (“os brilhantes”), de “naturalistas filosóficos”. Isso incluiria tanto ateus radicais como Dawkins quanto personalidades nuançadas como Einstein.

Por fim, há o jornalista inglês Christopher Hitchens (1949-2011). Ele teve uma trajetória esquerdista liberal na maior parte da sua vida, com passagem pelo Labour e pelo trotskismo. Foi amigo dos importantes antissionistas Edward Said, Israel Shahak e Noam Chomsky. Não obstante, sua trajetória muda em 2001, quando apoia a invasão do Iraque, animado pelo atentado às Torres Gêmeas. Em 2007, no calor do neoateísmo, lança God is Not Great, negando a frase árabe “Allahu Akbar”. Quanto às suas origens, foi criado como cristão e somente aos 38 anos descobriu que sua mãe tinha origem judaica pela via materna, e aí passou a se autoidentificar como judeu. A crermos no obituário feito pela revista identitária judaica Tablet Mag, Hitchens via no ateísmo um remédio judaico para evitar o totalitarismo. Na mesma peça, aprendemos que sua mãe era uma louca New Age que cometeu suicídio junto com seu amante, um ex-pastor que a levou para a seita de um guru indiano. Longe de rechaçar a loucura como um bom ateu racionalista, Hitchens via a adesão da mãe ao modismo como uma característica dialética do judaísmo.

Considerações

Algo que sempre me chamou a atenção no neoateísmo é a implausibilidade de sua alegação principal: que todo religioso é burro, de modo que só ateus são científicos e inteligentes. O ateísmo era muito raro antes do século passado, e o único grande cientista inequivocamente ateu de que se tem notícia é Darwin. O fato de essa ideia se espalhar no país de Isaac Newton é ainda mais descabido, já que esse gênio da ciência, além de ser um exegeta bíblico obstinado e dado a misticismos, era também uma espécie de proto-criacionista, já que acreditava num Criador versado em matemática e inspirou as Boyle Lectures. Não seria arriscado dizer que o neoateísmo teve por finalidade combater o fantasma de Newton a fim de divorciar o cristianismo da ciência, fazendo crer que, se você é cristão, você é burro. Já se for judeu, há uma porção de provas científicas de que o QI está atrelado à raça – provas, aliás, dadas por James Watson, ganhador do Nobel e enésimo cientista a aparecer nos Arquivos Epstein.

Pois bem, olhando para esses breves rascunhos biográficos, vejo que só um dos “quatro cavaleiros” corresponde à imagem do ateu inequivocamente ateu que despreza tudo o que não é espelho. O iniciador da moda, Sam Harris, é um esotérico que crê que a ciência pode fazer as vezes de religião, dando um guiamento moral cientificamente correto. Ele bem poderia ser um espinosano, um tipo que crê que Deus é a mesma coisa que a natureza. Hitchens acreditava que o ateísmo era uma virtude judaica, de modo que seu ateísmo está vinculado a essa religião racial. Quem se aproxima mais do radicalismo do gentio Dawkins é o também gentio Dennett. Ambos têm em comum uma agressividade darwinista que não parece aberta a uma divinização da natureza, a qual Darwin descreve como um verdadeiro mundo cão. No entanto, Dennett segue a faceta menos divulgada de Darwin, que enxerga na solidariedade social um mecanismo evolutivo da espécie: enquanto Dawkins fraciona o indivíduo para falar de gene egoísta, Dennett prefere dar atenção à seleção de coletividades altruístas. Além disso, em vez de colocar-se simplesmente como ateu, preferiu filiar-se a um movimento de “naturalistas” autodeclarados brilhantes. Excetuado Dawkins, todos apontam para uma zona ambígua entre ateísmo e deísmo, abrindo espaço para qualquer bobajada New Age na qual se possa botar números para chamar de ciência. Nada muito diferente de Sagan embasbacado com golfinhos sob efeito de LSD.

Agora, a divinização da natureza explicaria também a reverência de um judeu religioso como Epstein diante de mecanismos de seleção natural. É comum apontar para a relação entre calvinismo e darwinismo por causa da noção de predestinação. No entanto, um deísmo espinosano e materialista levaria a uma divinização do próprio mecanismo de seleção natural.

Um assunto que é um elefante na sala é o sionismo. Sob qualquer luz racional, o sionismo deveria ser rejeitado por ateus que odeiam a “religião organizada”, já que Israel é um Estado religioso que se lastreia numa promessa feita por Deus a Abraão. Não obstante, a conduta padrão de três neoateus é focar no islamismo: é como se Israel fosse um Estado laico e o conflito só existisse porque os muçulmanos são fanáticos, e não porque as suas propriedades (bem como as dos cristãos) foram roubadas. Dennett não parece ter se pronunciado sobre o assunto, mas ele não era muito midiático. Hitchens, embora se dissesse antissionista e argumentasse com base no liberalismo, na prática apoiava o Estado de Israel porque apoiou efusivamente a invasão do Iraque. Os judeus são representados como seres racionais e iluminados (mesmo que em Israel não falte fanatismo religioso judaico); só os palestinos são religiosos obscurantistas cheios de ódio.

E como Epstein nos trouxe até aqui, vale lembrar mais uma vez que dois dos citados estavam no Lolita Express de Epstein (Dawkins e Dennett), e que Sam Harris recebia financiamento de Epstein para a sua ONG de ateus que se acham geniais (Fundação Edge, ou Edge.Org).

Também discutimos no artigo anterior as crenças de Epstein, e aqui reaparece aquele materialismo anímico, que faz da alma uma coisa material que está no cérebro, mesmo que não possamos vê-la. Dennett dá a fundamentação filosófica a essa convicção. Quanto às correspondências com a Renascença, a ideia darwinista de uma moralidade inerente à natureza tem precedente no De rerum natura, já que não são só os corpos biológicos que se compõem segundo uma ordem, mas também os corpos sociopolíticos, os quais vão se constituindo espontaneamente e se desagregam quando padecem de alguma desordem interna.

Um outro assunto instigante que ainda não abordamos (porque ainda estou me inteirando) é o da tentativa, na Renascença, de superar a divisão do cristianismo ocidental através de uma nova religião fundada nas revelações de Hermes Trismegistos. Os herméticos acreditavam que Moisés, Pitágoras e Platão viajaram até o Egito para aprender toda a sua sabedoria desse tal Hermes. Assim, o cristianismo poderia voltar às suas verdadeiras raízes junto com o judaísmo, já que Hermes era o professor de Moisés. Daí vêm o hermetismo, a cabala cristã e o início do movimento ocultista.

Por fim, fica a dúvida: se o ocultismo não professa publicamente tudo aquilo em que acredita, será possível que o ateísmo militante seja a camada exotérica de uma religião hermética? Será que, com a ascensão do cientificismo, o sobrenatural (ou preternatural) foi privatizado para pequenos círculos iniciados que frequentam festas estranhas com templos em ilhas privadas, enquanto todas as instituições dizem que nada de sobrenatural existe?

Esoterismo, neoateísmo e Epstein

Os Arquivos Epstein mostraram o comprometimento dos ícones do neoateísmo com o pedófilo canibal.

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Os Arquivos Epstein mostraram o comprometimento dos ícones do neoateísmo com o pedófilo canibal. Uma vez que o neoateísmo está comprometido com o sionismo, a relação entre o judeu praticante Jeffrey Epstein e os neoateísmo não pode se limitar a um apoio utilitário que tenha em vista somente descobertas científicas. Passemos em revista os ícones do neoateísmo.

O neoateísmo, seja como movimento organizado ou fenômeno de internet, despontou nos anos 2000. O público-alvo eram jovens interessados em ciências, e de fato é impossível encontrar um divulgador científico que não seja no mínimo agnóstico. Essa categoria tal como a conhecemos hoje – o divulgador científico midiático – provavelmente teve o seu primeiro espécime na pessoa de Carl Sagan (1934 – 1996), um cientista medíocre caçador de OVNIs que tinha acesso privilegiado à mídia e se colocava como uma espécie de encarnação da racionalidade, o que inclui ser um ateu cientificista que representa a religião como uma simples decorrência da ignorância e dos temores humanos. Não obstante, esse sumo sacerdote da racionalidade chegou a se entusiasmar com o projeto da NASA de ensinar inglês a golfinhos sob o efeito de LSD, e até fundou a Ordem do Golfinho, uma sociedade secreta composta por cientistas interessados em ETs. Em vez de ser um ateu agressivo (vale lembrar que ele era dos EUA e os EUA têm preconceito contra ateus), Sagan adotava uma filosofia espinosana e citava Einstein. Era, portanto, mais um judeu ateu.

As personagens principais

Os marcos históricos do neoateísmo são editoriais. Em 2004, o jovem jornalista californiano Sam Harris (n. 1967) publica A Morte da Fé: Religião, terror e o futuro da razão, que é uma diatribe contra a “religião organizada” como causadora de todo tipo de mal. O livro foi um best seller – coisa impressionante em se tratando dos Estados Unidos; explicável, porém, pelo trauma recente do atentado às Torres Gêmeas. Pela argumentação do pioneiro, basta ser religioso para sair cometendo atentados terroristas por aí. Quanto à origem religiosa, Sam Harris é filho de pai quacre com mãe judia, o que faz dele um judeu segundo a Halachá. Vale destacar que Sam Harris não é um ateu compatível com o racionalismo típico dos divulgadores de ciência, já que é adepto de esoterismos, abriu-se para a “espiritualidade” com drogas e foi até o Tibete estudar meditação com o pedófilo Dalai Lama. Talvez o problema de Harris seja só com a “religião organizada”, leia-se, com instituições e doutrina sólidas, em vez de religiões desorganizadas que cultuam gurus esotéricos. Em 2009, já depois da fama, sua busca por uma moralidade científica garantiu-lhe um doutorado em neurociência (não em filosofia: neurociência!), mas ele não exerceu a vida acadêmica.

O segundo nome importante na cronologia é o inglês Richard Dawkins (n. 1949), um professor de Oxford com vida própria, independente da militância ateia. Dawkins é quem melhor encarna o ideal do neoateu: é um cientista de verdade com obra reconhecida, coloca o darwinismo como prova de que a ciência contradiz a religião (considerada tacitamente um sinônimo de criacionismo), é ateu desde a adolescência e trata todo religioso como um lunático imbecil. Após o sucesso editorial de Sam Harris, o editor aceita a sua antiga proposta de fazer um livro contra a religião. Em 2006, sai Deus: Um delírio, um livro radical segundo o qual todo aquele que crê em Deus está literalmente delirando. Quanto às suas origens, Dawkins nasceu no Quênia Britânico, filho de pais anglicanos. Foi ele quem lançou a moda de dizer-se “culturalmente cristão”, ou “culturalmente anglicano” (Pinker se diz “culturalmente judeu”) – e aí nos perguntamos como um cientista super científico pode ser culturalmente delirante.

O filósofo estadunidense Daniel Dennett (1942 – 2024) é a figura de origem mais interessante. Seu pai era PhD em estudos islâmicos e ele passou a infância no Líbano, porque seu pai estava lá a serviço do OSS (órgão precursor da CIA). Daniel Dennett chama-se Daniel Clement Dennett III, e seu pai era Daniel Clement Dennett Jr. Ele teve três livros importantes para nosso assunto: Consciousness Explained (1991), onde dá uma explicação materialista da mente ou da alma (toda a consciência e o pensamento coincidiriam com atividade cerebral); Darwin’s Dangerous Idea (1995), que lastreia a moralidade no darwinismo (alinhado com a tese de Harris); e, já durante o fenômeno do neoateísmo, publica Breaking the Spell (2006), no qual pretende que se busquem explicações evolutivas para a existência da religião. Nesse livro, em vez de chamar-se de ateu, ele se declara “brilhante”, e estimula um movimento chamado The Brights (“os brilhantes”), de “naturalistas filosóficos”. Isso incluiria tanto ateus radicais como Dawkins quanto personalidades nuançadas como Einstein.

Por fim, há o jornalista inglês Christopher Hitchens (1949-2011). Ele teve uma trajetória esquerdista liberal na maior parte da sua vida, com passagem pelo Labour e pelo trotskismo. Foi amigo dos importantes antissionistas Edward Said, Israel Shahak e Noam Chomsky. Não obstante, sua trajetória muda em 2001, quando apoia a invasão do Iraque, animado pelo atentado às Torres Gêmeas. Em 2007, no calor do neoateísmo, lança God is Not Great, negando a frase árabe “Allahu Akbar”. Quanto às suas origens, foi criado como cristão e somente aos 38 anos descobriu que sua mãe tinha origem judaica pela via materna, e aí passou a se autoidentificar como judeu. A crermos no obituário feito pela revista identitária judaica Tablet Mag, Hitchens via no ateísmo um remédio judaico para evitar o totalitarismo. Na mesma peça, aprendemos que sua mãe era uma louca New Age que cometeu suicídio junto com seu amante, um ex-pastor que a levou para a seita de um guru indiano. Longe de rechaçar a loucura como um bom ateu racionalista, Hitchens via a adesão da mãe ao modismo como uma característica dialética do judaísmo.

Considerações

Algo que sempre me chamou a atenção no neoateísmo é a implausibilidade de sua alegação principal: que todo religioso é burro, de modo que só ateus são científicos e inteligentes. O ateísmo era muito raro antes do século passado, e o único grande cientista inequivocamente ateu de que se tem notícia é Darwin. O fato de essa ideia se espalhar no país de Isaac Newton é ainda mais descabido, já que esse gênio da ciência, além de ser um exegeta bíblico obstinado e dado a misticismos, era também uma espécie de proto-criacionista, já que acreditava num Criador versado em matemática e inspirou as Boyle Lectures. Não seria arriscado dizer que o neoateísmo teve por finalidade combater o fantasma de Newton a fim de divorciar o cristianismo da ciência, fazendo crer que, se você é cristão, você é burro. Já se for judeu, há uma porção de provas científicas de que o QI está atrelado à raça – provas, aliás, dadas por James Watson, ganhador do Nobel e enésimo cientista a aparecer nos Arquivos Epstein.

Pois bem, olhando para esses breves rascunhos biográficos, vejo que só um dos “quatro cavaleiros” corresponde à imagem do ateu inequivocamente ateu que despreza tudo o que não é espelho. O iniciador da moda, Sam Harris, é um esotérico que crê que a ciência pode fazer as vezes de religião, dando um guiamento moral cientificamente correto. Ele bem poderia ser um espinosano, um tipo que crê que Deus é a mesma coisa que a natureza. Hitchens acreditava que o ateísmo era uma virtude judaica, de modo que seu ateísmo está vinculado a essa religião racial. Quem se aproxima mais do radicalismo do gentio Dawkins é o também gentio Dennett. Ambos têm em comum uma agressividade darwinista que não parece aberta a uma divinização da natureza, a qual Darwin descreve como um verdadeiro mundo cão. No entanto, Dennett segue a faceta menos divulgada de Darwin, que enxerga na solidariedade social um mecanismo evolutivo da espécie: enquanto Dawkins fraciona o indivíduo para falar de gene egoísta, Dennett prefere dar atenção à seleção de coletividades altruístas. Além disso, em vez de colocar-se simplesmente como ateu, preferiu filiar-se a um movimento de “naturalistas” autodeclarados brilhantes. Excetuado Dawkins, todos apontam para uma zona ambígua entre ateísmo e deísmo, abrindo espaço para qualquer bobajada New Age na qual se possa botar números para chamar de ciência. Nada muito diferente de Sagan embasbacado com golfinhos sob efeito de LSD.

Agora, a divinização da natureza explicaria também a reverência de um judeu religioso como Epstein diante de mecanismos de seleção natural. É comum apontar para a relação entre calvinismo e darwinismo por causa da noção de predestinação. No entanto, um deísmo espinosano e materialista levaria a uma divinização do próprio mecanismo de seleção natural.

Um assunto que é um elefante na sala é o sionismo. Sob qualquer luz racional, o sionismo deveria ser rejeitado por ateus que odeiam a “religião organizada”, já que Israel é um Estado religioso que se lastreia numa promessa feita por Deus a Abraão. Não obstante, a conduta padrão de três neoateus é focar no islamismo: é como se Israel fosse um Estado laico e o conflito só existisse porque os muçulmanos são fanáticos, e não porque as suas propriedades (bem como as dos cristãos) foram roubadas. Dennett não parece ter se pronunciado sobre o assunto, mas ele não era muito midiático. Hitchens, embora se dissesse antissionista e argumentasse com base no liberalismo, na prática apoiava o Estado de Israel porque apoiou efusivamente a invasão do Iraque. Os judeus são representados como seres racionais e iluminados (mesmo que em Israel não falte fanatismo religioso judaico); só os palestinos são religiosos obscurantistas cheios de ódio.

E como Epstein nos trouxe até aqui, vale lembrar mais uma vez que dois dos citados estavam no Lolita Express de Epstein (Dawkins e Dennett), e que Sam Harris recebia financiamento de Epstein para a sua ONG de ateus que se acham geniais (Fundação Edge, ou Edge.Org).

Também discutimos no artigo anterior as crenças de Epstein, e aqui reaparece aquele materialismo anímico, que faz da alma uma coisa material que está no cérebro, mesmo que não possamos vê-la. Dennett dá a fundamentação filosófica a essa convicção. Quanto às correspondências com a Renascença, a ideia darwinista de uma moralidade inerente à natureza tem precedente no De rerum natura, já que não são só os corpos biológicos que se compõem segundo uma ordem, mas também os corpos sociopolíticos, os quais vão se constituindo espontaneamente e se desagregam quando padecem de alguma desordem interna.

Um outro assunto instigante que ainda não abordamos (porque ainda estou me inteirando) é o da tentativa, na Renascença, de superar a divisão do cristianismo ocidental através de uma nova religião fundada nas revelações de Hermes Trismegistos. Os herméticos acreditavam que Moisés, Pitágoras e Platão viajaram até o Egito para aprender toda a sua sabedoria desse tal Hermes. Assim, o cristianismo poderia voltar às suas verdadeiras raízes junto com o judaísmo, já que Hermes era o professor de Moisés. Daí vêm o hermetismo, a cabala cristã e o início do movimento ocultista.

Por fim, fica a dúvida: se o ocultismo não professa publicamente tudo aquilo em que acredita, será possível que o ateísmo militante seja a camada exotérica de uma religião hermética? Será que, com a ascensão do cientificismo, o sobrenatural (ou preternatural) foi privatizado para pequenos círculos iniciados que frequentam festas estranhas com templos em ilhas privadas, enquanto todas as instituições dizem que nada de sobrenatural existe?

Os Arquivos Epstein mostraram o comprometimento dos ícones do neoateísmo com o pedófilo canibal.

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Os Arquivos Epstein mostraram o comprometimento dos ícones do neoateísmo com o pedófilo canibal. Uma vez que o neoateísmo está comprometido com o sionismo, a relação entre o judeu praticante Jeffrey Epstein e os neoateísmo não pode se limitar a um apoio utilitário que tenha em vista somente descobertas científicas. Passemos em revista os ícones do neoateísmo.

O neoateísmo, seja como movimento organizado ou fenômeno de internet, despontou nos anos 2000. O público-alvo eram jovens interessados em ciências, e de fato é impossível encontrar um divulgador científico que não seja no mínimo agnóstico. Essa categoria tal como a conhecemos hoje – o divulgador científico midiático – provavelmente teve o seu primeiro espécime na pessoa de Carl Sagan (1934 – 1996), um cientista medíocre caçador de OVNIs que tinha acesso privilegiado à mídia e se colocava como uma espécie de encarnação da racionalidade, o que inclui ser um ateu cientificista que representa a religião como uma simples decorrência da ignorância e dos temores humanos. Não obstante, esse sumo sacerdote da racionalidade chegou a se entusiasmar com o projeto da NASA de ensinar inglês a golfinhos sob o efeito de LSD, e até fundou a Ordem do Golfinho, uma sociedade secreta composta por cientistas interessados em ETs. Em vez de ser um ateu agressivo (vale lembrar que ele era dos EUA e os EUA têm preconceito contra ateus), Sagan adotava uma filosofia espinosana e citava Einstein. Era, portanto, mais um judeu ateu.

As personagens principais

Os marcos históricos do neoateísmo são editoriais. Em 2004, o jovem jornalista californiano Sam Harris (n. 1967) publica A Morte da Fé: Religião, terror e o futuro da razão, que é uma diatribe contra a “religião organizada” como causadora de todo tipo de mal. O livro foi um best seller – coisa impressionante em se tratando dos Estados Unidos; explicável, porém, pelo trauma recente do atentado às Torres Gêmeas. Pela argumentação do pioneiro, basta ser religioso para sair cometendo atentados terroristas por aí. Quanto à origem religiosa, Sam Harris é filho de pai quacre com mãe judia, o que faz dele um judeu segundo a Halachá. Vale destacar que Sam Harris não é um ateu compatível com o racionalismo típico dos divulgadores de ciência, já que é adepto de esoterismos, abriu-se para a “espiritualidade” com drogas e foi até o Tibete estudar meditação com o pedófilo Dalai Lama. Talvez o problema de Harris seja só com a “religião organizada”, leia-se, com instituições e doutrina sólidas, em vez de religiões desorganizadas que cultuam gurus esotéricos. Em 2009, já depois da fama, sua busca por uma moralidade científica garantiu-lhe um doutorado em neurociência (não em filosofia: neurociência!), mas ele não exerceu a vida acadêmica.

O segundo nome importante na cronologia é o inglês Richard Dawkins (n. 1949), um professor de Oxford com vida própria, independente da militância ateia. Dawkins é quem melhor encarna o ideal do neoateu: é um cientista de verdade com obra reconhecida, coloca o darwinismo como prova de que a ciência contradiz a religião (considerada tacitamente um sinônimo de criacionismo), é ateu desde a adolescência e trata todo religioso como um lunático imbecil. Após o sucesso editorial de Sam Harris, o editor aceita a sua antiga proposta de fazer um livro contra a religião. Em 2006, sai Deus: Um delírio, um livro radical segundo o qual todo aquele que crê em Deus está literalmente delirando. Quanto às suas origens, Dawkins nasceu no Quênia Britânico, filho de pais anglicanos. Foi ele quem lançou a moda de dizer-se “culturalmente cristão”, ou “culturalmente anglicano” (Pinker se diz “culturalmente judeu”) – e aí nos perguntamos como um cientista super científico pode ser culturalmente delirante.

O filósofo estadunidense Daniel Dennett (1942 – 2024) é a figura de origem mais interessante. Seu pai era PhD em estudos islâmicos e ele passou a infância no Líbano, porque seu pai estava lá a serviço do OSS (órgão precursor da CIA). Daniel Dennett chama-se Daniel Clement Dennett III, e seu pai era Daniel Clement Dennett Jr. Ele teve três livros importantes para nosso assunto: Consciousness Explained (1991), onde dá uma explicação materialista da mente ou da alma (toda a consciência e o pensamento coincidiriam com atividade cerebral); Darwin’s Dangerous Idea (1995), que lastreia a moralidade no darwinismo (alinhado com a tese de Harris); e, já durante o fenômeno do neoateísmo, publica Breaking the Spell (2006), no qual pretende que se busquem explicações evolutivas para a existência da religião. Nesse livro, em vez de chamar-se de ateu, ele se declara “brilhante”, e estimula um movimento chamado The Brights (“os brilhantes”), de “naturalistas filosóficos”. Isso incluiria tanto ateus radicais como Dawkins quanto personalidades nuançadas como Einstein.

Por fim, há o jornalista inglês Christopher Hitchens (1949-2011). Ele teve uma trajetória esquerdista liberal na maior parte da sua vida, com passagem pelo Labour e pelo trotskismo. Foi amigo dos importantes antissionistas Edward Said, Israel Shahak e Noam Chomsky. Não obstante, sua trajetória muda em 2001, quando apoia a invasão do Iraque, animado pelo atentado às Torres Gêmeas. Em 2007, no calor do neoateísmo, lança God is Not Great, negando a frase árabe “Allahu Akbar”. Quanto às suas origens, foi criado como cristão e somente aos 38 anos descobriu que sua mãe tinha origem judaica pela via materna, e aí passou a se autoidentificar como judeu. A crermos no obituário feito pela revista identitária judaica Tablet Mag, Hitchens via no ateísmo um remédio judaico para evitar o totalitarismo. Na mesma peça, aprendemos que sua mãe era uma louca New Age que cometeu suicídio junto com seu amante, um ex-pastor que a levou para a seita de um guru indiano. Longe de rechaçar a loucura como um bom ateu racionalista, Hitchens via a adesão da mãe ao modismo como uma característica dialética do judaísmo.

Considerações

Algo que sempre me chamou a atenção no neoateísmo é a implausibilidade de sua alegação principal: que todo religioso é burro, de modo que só ateus são científicos e inteligentes. O ateísmo era muito raro antes do século passado, e o único grande cientista inequivocamente ateu de que se tem notícia é Darwin. O fato de essa ideia se espalhar no país de Isaac Newton é ainda mais descabido, já que esse gênio da ciência, além de ser um exegeta bíblico obstinado e dado a misticismos, era também uma espécie de proto-criacionista, já que acreditava num Criador versado em matemática e inspirou as Boyle Lectures. Não seria arriscado dizer que o neoateísmo teve por finalidade combater o fantasma de Newton a fim de divorciar o cristianismo da ciência, fazendo crer que, se você é cristão, você é burro. Já se for judeu, há uma porção de provas científicas de que o QI está atrelado à raça – provas, aliás, dadas por James Watson, ganhador do Nobel e enésimo cientista a aparecer nos Arquivos Epstein.

Pois bem, olhando para esses breves rascunhos biográficos, vejo que só um dos “quatro cavaleiros” corresponde à imagem do ateu inequivocamente ateu que despreza tudo o que não é espelho. O iniciador da moda, Sam Harris, é um esotérico que crê que a ciência pode fazer as vezes de religião, dando um guiamento moral cientificamente correto. Ele bem poderia ser um espinosano, um tipo que crê que Deus é a mesma coisa que a natureza. Hitchens acreditava que o ateísmo era uma virtude judaica, de modo que seu ateísmo está vinculado a essa religião racial. Quem se aproxima mais do radicalismo do gentio Dawkins é o também gentio Dennett. Ambos têm em comum uma agressividade darwinista que não parece aberta a uma divinização da natureza, a qual Darwin descreve como um verdadeiro mundo cão. No entanto, Dennett segue a faceta menos divulgada de Darwin, que enxerga na solidariedade social um mecanismo evolutivo da espécie: enquanto Dawkins fraciona o indivíduo para falar de gene egoísta, Dennett prefere dar atenção à seleção de coletividades altruístas. Além disso, em vez de colocar-se simplesmente como ateu, preferiu filiar-se a um movimento de “naturalistas” autodeclarados brilhantes. Excetuado Dawkins, todos apontam para uma zona ambígua entre ateísmo e deísmo, abrindo espaço para qualquer bobajada New Age na qual se possa botar números para chamar de ciência. Nada muito diferente de Sagan embasbacado com golfinhos sob efeito de LSD.

Agora, a divinização da natureza explicaria também a reverência de um judeu religioso como Epstein diante de mecanismos de seleção natural. É comum apontar para a relação entre calvinismo e darwinismo por causa da noção de predestinação. No entanto, um deísmo espinosano e materialista levaria a uma divinização do próprio mecanismo de seleção natural.

Um assunto que é um elefante na sala é o sionismo. Sob qualquer luz racional, o sionismo deveria ser rejeitado por ateus que odeiam a “religião organizada”, já que Israel é um Estado religioso que se lastreia numa promessa feita por Deus a Abraão. Não obstante, a conduta padrão de três neoateus é focar no islamismo: é como se Israel fosse um Estado laico e o conflito só existisse porque os muçulmanos são fanáticos, e não porque as suas propriedades (bem como as dos cristãos) foram roubadas. Dennett não parece ter se pronunciado sobre o assunto, mas ele não era muito midiático. Hitchens, embora se dissesse antissionista e argumentasse com base no liberalismo, na prática apoiava o Estado de Israel porque apoiou efusivamente a invasão do Iraque. Os judeus são representados como seres racionais e iluminados (mesmo que em Israel não falte fanatismo religioso judaico); só os palestinos são religiosos obscurantistas cheios de ódio.

E como Epstein nos trouxe até aqui, vale lembrar mais uma vez que dois dos citados estavam no Lolita Express de Epstein (Dawkins e Dennett), e que Sam Harris recebia financiamento de Epstein para a sua ONG de ateus que se acham geniais (Fundação Edge, ou Edge.Org).

Também discutimos no artigo anterior as crenças de Epstein, e aqui reaparece aquele materialismo anímico, que faz da alma uma coisa material que está no cérebro, mesmo que não possamos vê-la. Dennett dá a fundamentação filosófica a essa convicção. Quanto às correspondências com a Renascença, a ideia darwinista de uma moralidade inerente à natureza tem precedente no De rerum natura, já que não são só os corpos biológicos que se compõem segundo uma ordem, mas também os corpos sociopolíticos, os quais vão se constituindo espontaneamente e se desagregam quando padecem de alguma desordem interna.

Um outro assunto instigante que ainda não abordamos (porque ainda estou me inteirando) é o da tentativa, na Renascença, de superar a divisão do cristianismo ocidental através de uma nova religião fundada nas revelações de Hermes Trismegistos. Os herméticos acreditavam que Moisés, Pitágoras e Platão viajaram até o Egito para aprender toda a sua sabedoria desse tal Hermes. Assim, o cristianismo poderia voltar às suas verdadeiras raízes junto com o judaísmo, já que Hermes era o professor de Moisés. Daí vêm o hermetismo, a cabala cristã e o início do movimento ocultista.

Por fim, fica a dúvida: se o ocultismo não professa publicamente tudo aquilo em que acredita, será possível que o ateísmo militante seja a camada exotérica de uma religião hermética? Será que, com a ascensão do cientificismo, o sobrenatural (ou preternatural) foi privatizado para pequenos círculos iniciados que frequentam festas estranhas com templos em ilhas privadas, enquanto todas as instituições dizem que nada de sobrenatural existe?

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