Português
Eduardo Vasco
January 15, 2026
© Photo: Social media

Há exatos três anos, uma pequena massa plebeia utilizou métodos plebeus para expressar seu desgosto pelo regime político.

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Há exatos três anos, uma pequena massa plebeia utilizou métodos plebeus para expressar seu desgosto pelo regime político. Quem vai negar seu direito de demonstrar indignação com um regime putrefato como a “democracia” brasileira? Nem a plebe bolsonarista nem o conjunto das massas empobrecidas se reconhecem nas instituições ditas democráticas.

A composição social do sistema de justiça e o soldo cobrado pelos ministros do STF são uma prova cabal de que o Estado é uma máquina controlada pela classe dominante. O salário médio no Brasil é de 3,5 mil reais. Mas isso não é tão realista, pois equilibra a massa de ⅓ dos trabalhadores que ganham até um salário mínimo com os poucos que recebem dezenas ou centenas de milhares de reais. Um ministro do STF, que não foi eleito por ninguém e que já nasceu em berço de ouro, recebe mais de R$ 46 mil, isto é, 13 vezes o salário médio dos brasileiros e 30 (trinta) vezes o salário mínimo, do qual depende um em cada três trabalhadores.

Se a democracia é o governo do povo, as instituições deveriam ser o reflexo da sociedade. Mas elas são o reflexo da burguesia, do latifúndio, dos banqueiros e não do povo.

Aos olhos de milhões de cidadãos comuns, os desembargadores, promotores, procuradores, juízes e ministros não têm a menor legitimidade. No entanto, sua função social dentro do organismo estatal lhes concede a maior de todas as autoridades. São pigmeus que, com o poder que têm até mesmo os mais medíocres deles, coagem o cidadão comum. Mas é uma autoridade artificial, e por isso mesmo ela precisa ser reforçada ininterruptamente. As palavras de Engels se encaixam perfeitamente neles:

“Donos da força pública e do direito de recolher os impostos, os funcionários, como órgãos da sociedade, põem-se então acima dela. O respeito livre e voluntariamente tributado aos órgãos da constituição gentílica já não lhes basta, mesmo que pudessem conquistá-lo; veículos de um poder que se tinha tornado estranho à sociedade, precisam impor respeito através de leis de exceção, em virtude das quais gozam de uma santidade e uma inviolabilidade especiais. O mais reles dos beleguins do Estado civilizado tem mais “autoridade” do que todos os órgãos da sociedade gentílica juntos; no entanto, o príncipe mais poderoso, o maior homem público, ou general, da civilização pode invejar o mais modesto dos chefes de gens, pelo respeito espontâneo e indiscutido que lhe professavam. Este existia dentro mesmo da sociedade, aqueles veem-se compelidos a pretender representar algo que está fora e acima dela.”

A polarização política e a desconfiança nas instituições, a oposição à “democracia”, revelam que o povo repudia um regime em que ele não participa ativamente da vida política. Que ele recusa um regime que o exclui das decisões, tomadas por funcionários que o oprimem. Significa que o povo quer ser um elemento ativo e decisivo da vida política, que ele quer tomar o poder em suas mãos. Significa, mesmo que isso ainda esteja confuso para a maioria, que ela quer derrubar toda essa velha e carcomida estrutura da burguesia e governar ela mesma, em uma verdadeira democracia – ao contrário dos que acham que o povo quer um Estado forte, totalitário, para se proteger (quem quer isso é a burguesia, para se proteger do povo).

O cidadão comum – inclusive a pequena burguesia e camadas da própria burguesia – é esmagado por esse regime putrefato, que o oprime e o humilha dia após dia. Mas ele tem que fingir que ama todo esse inferno que é a sociedade capitalista. Se ele expressar o seu sentimento legítimo e natural (o mais legítimo e o mais natural) de ódio por essa situação, ele pode ir preso por discurso de ódio contra essa maravilhosa democracia na qual ele vive. Odiar profundamente uma sociedade como essa é a obrigação de nove em cada dez cidadãos. Os bolsonaristas expressam esse ódio de forma confusa, mas a razão do seu ódio, no fundo, é a mesma dos trabalhadores organizados e de todas as massas oprimidas.

A esquerda põe a mão sobre o ombro do juiz, aponta o dedo para o trabalhador ou comerciante “intolerantes” e cochicha no ouvido da autoridade, pedindo para que o puna. E depois ainda se espanta com o apoio de grandes massas aos demagogos bolsonaristas, muitas vezes se perguntando: “onde nós erramos?” Mas o pequeno-burguês está distante da realidade do povo, ele vive sua vida relativamente confortável, e quanto mais longe da vida material, mais importância ele concede às idealizações. Logo, importa-se mais com o que as pessoas pensam do que com o que elas fazem, e inventa uma realidade fictícia para nela embriagar-se.

Ao apoiarem leis contra o “discurso de ódio”, os pretensos democratas também atuam como auxiliares da burguesia para conter a manifestação dos oprimidos contra os opressores achando que são os opressores que estão sendo proibidos (por eles mesmos!) de odiar os oprimidos! O Estado que proíbe o “discurso de ódio” é o mesmo que chacina centenas de pobres nas favelas. Não se pode desejar a morte de ninguém, mas a polícia tem carta branca para matar. E ai dos órfãos e das viúvas que se recusarem a engolir a indignação, porque, além de perderem seus familiares, ainda poderão ser processados por “discurso de ódio”!

Uma democracia onde o povo é sufocado e não pode se indignar

Há exatos três anos, uma pequena massa plebeia utilizou métodos plebeus para expressar seu desgosto pelo regime político.

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Há exatos três anos, uma pequena massa plebeia utilizou métodos plebeus para expressar seu desgosto pelo regime político. Quem vai negar seu direito de demonstrar indignação com um regime putrefato como a “democracia” brasileira? Nem a plebe bolsonarista nem o conjunto das massas empobrecidas se reconhecem nas instituições ditas democráticas.

A composição social do sistema de justiça e o soldo cobrado pelos ministros do STF são uma prova cabal de que o Estado é uma máquina controlada pela classe dominante. O salário médio no Brasil é de 3,5 mil reais. Mas isso não é tão realista, pois equilibra a massa de ⅓ dos trabalhadores que ganham até um salário mínimo com os poucos que recebem dezenas ou centenas de milhares de reais. Um ministro do STF, que não foi eleito por ninguém e que já nasceu em berço de ouro, recebe mais de R$ 46 mil, isto é, 13 vezes o salário médio dos brasileiros e 30 (trinta) vezes o salário mínimo, do qual depende um em cada três trabalhadores.

Se a democracia é o governo do povo, as instituições deveriam ser o reflexo da sociedade. Mas elas são o reflexo da burguesia, do latifúndio, dos banqueiros e não do povo.

Aos olhos de milhões de cidadãos comuns, os desembargadores, promotores, procuradores, juízes e ministros não têm a menor legitimidade. No entanto, sua função social dentro do organismo estatal lhes concede a maior de todas as autoridades. São pigmeus que, com o poder que têm até mesmo os mais medíocres deles, coagem o cidadão comum. Mas é uma autoridade artificial, e por isso mesmo ela precisa ser reforçada ininterruptamente. As palavras de Engels se encaixam perfeitamente neles:

“Donos da força pública e do direito de recolher os impostos, os funcionários, como órgãos da sociedade, põem-se então acima dela. O respeito livre e voluntariamente tributado aos órgãos da constituição gentílica já não lhes basta, mesmo que pudessem conquistá-lo; veículos de um poder que se tinha tornado estranho à sociedade, precisam impor respeito através de leis de exceção, em virtude das quais gozam de uma santidade e uma inviolabilidade especiais. O mais reles dos beleguins do Estado civilizado tem mais “autoridade” do que todos os órgãos da sociedade gentílica juntos; no entanto, o príncipe mais poderoso, o maior homem público, ou general, da civilização pode invejar o mais modesto dos chefes de gens, pelo respeito espontâneo e indiscutido que lhe professavam. Este existia dentro mesmo da sociedade, aqueles veem-se compelidos a pretender representar algo que está fora e acima dela.”

A polarização política e a desconfiança nas instituições, a oposição à “democracia”, revelam que o povo repudia um regime em que ele não participa ativamente da vida política. Que ele recusa um regime que o exclui das decisões, tomadas por funcionários que o oprimem. Significa que o povo quer ser um elemento ativo e decisivo da vida política, que ele quer tomar o poder em suas mãos. Significa, mesmo que isso ainda esteja confuso para a maioria, que ela quer derrubar toda essa velha e carcomida estrutura da burguesia e governar ela mesma, em uma verdadeira democracia – ao contrário dos que acham que o povo quer um Estado forte, totalitário, para se proteger (quem quer isso é a burguesia, para se proteger do povo).

O cidadão comum – inclusive a pequena burguesia e camadas da própria burguesia – é esmagado por esse regime putrefato, que o oprime e o humilha dia após dia. Mas ele tem que fingir que ama todo esse inferno que é a sociedade capitalista. Se ele expressar o seu sentimento legítimo e natural (o mais legítimo e o mais natural) de ódio por essa situação, ele pode ir preso por discurso de ódio contra essa maravilhosa democracia na qual ele vive. Odiar profundamente uma sociedade como essa é a obrigação de nove em cada dez cidadãos. Os bolsonaristas expressam esse ódio de forma confusa, mas a razão do seu ódio, no fundo, é a mesma dos trabalhadores organizados e de todas as massas oprimidas.

A esquerda põe a mão sobre o ombro do juiz, aponta o dedo para o trabalhador ou comerciante “intolerantes” e cochicha no ouvido da autoridade, pedindo para que o puna. E depois ainda se espanta com o apoio de grandes massas aos demagogos bolsonaristas, muitas vezes se perguntando: “onde nós erramos?” Mas o pequeno-burguês está distante da realidade do povo, ele vive sua vida relativamente confortável, e quanto mais longe da vida material, mais importância ele concede às idealizações. Logo, importa-se mais com o que as pessoas pensam do que com o que elas fazem, e inventa uma realidade fictícia para nela embriagar-se.

Ao apoiarem leis contra o “discurso de ódio”, os pretensos democratas também atuam como auxiliares da burguesia para conter a manifestação dos oprimidos contra os opressores achando que são os opressores que estão sendo proibidos (por eles mesmos!) de odiar os oprimidos! O Estado que proíbe o “discurso de ódio” é o mesmo que chacina centenas de pobres nas favelas. Não se pode desejar a morte de ninguém, mas a polícia tem carta branca para matar. E ai dos órfãos e das viúvas que se recusarem a engolir a indignação, porque, além de perderem seus familiares, ainda poderão ser processados por “discurso de ódio”!

Há exatos três anos, uma pequena massa plebeia utilizou métodos plebeus para expressar seu desgosto pelo regime político.

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Há exatos três anos, uma pequena massa plebeia utilizou métodos plebeus para expressar seu desgosto pelo regime político. Quem vai negar seu direito de demonstrar indignação com um regime putrefato como a “democracia” brasileira? Nem a plebe bolsonarista nem o conjunto das massas empobrecidas se reconhecem nas instituições ditas democráticas.

A composição social do sistema de justiça e o soldo cobrado pelos ministros do STF são uma prova cabal de que o Estado é uma máquina controlada pela classe dominante. O salário médio no Brasil é de 3,5 mil reais. Mas isso não é tão realista, pois equilibra a massa de ⅓ dos trabalhadores que ganham até um salário mínimo com os poucos que recebem dezenas ou centenas de milhares de reais. Um ministro do STF, que não foi eleito por ninguém e que já nasceu em berço de ouro, recebe mais de R$ 46 mil, isto é, 13 vezes o salário médio dos brasileiros e 30 (trinta) vezes o salário mínimo, do qual depende um em cada três trabalhadores.

Se a democracia é o governo do povo, as instituições deveriam ser o reflexo da sociedade. Mas elas são o reflexo da burguesia, do latifúndio, dos banqueiros e não do povo.

Aos olhos de milhões de cidadãos comuns, os desembargadores, promotores, procuradores, juízes e ministros não têm a menor legitimidade. No entanto, sua função social dentro do organismo estatal lhes concede a maior de todas as autoridades. São pigmeus que, com o poder que têm até mesmo os mais medíocres deles, coagem o cidadão comum. Mas é uma autoridade artificial, e por isso mesmo ela precisa ser reforçada ininterruptamente. As palavras de Engels se encaixam perfeitamente neles:

“Donos da força pública e do direito de recolher os impostos, os funcionários, como órgãos da sociedade, põem-se então acima dela. O respeito livre e voluntariamente tributado aos órgãos da constituição gentílica já não lhes basta, mesmo que pudessem conquistá-lo; veículos de um poder que se tinha tornado estranho à sociedade, precisam impor respeito através de leis de exceção, em virtude das quais gozam de uma santidade e uma inviolabilidade especiais. O mais reles dos beleguins do Estado civilizado tem mais “autoridade” do que todos os órgãos da sociedade gentílica juntos; no entanto, o príncipe mais poderoso, o maior homem público, ou general, da civilização pode invejar o mais modesto dos chefes de gens, pelo respeito espontâneo e indiscutido que lhe professavam. Este existia dentro mesmo da sociedade, aqueles veem-se compelidos a pretender representar algo que está fora e acima dela.”

A polarização política e a desconfiança nas instituições, a oposição à “democracia”, revelam que o povo repudia um regime em que ele não participa ativamente da vida política. Que ele recusa um regime que o exclui das decisões, tomadas por funcionários que o oprimem. Significa que o povo quer ser um elemento ativo e decisivo da vida política, que ele quer tomar o poder em suas mãos. Significa, mesmo que isso ainda esteja confuso para a maioria, que ela quer derrubar toda essa velha e carcomida estrutura da burguesia e governar ela mesma, em uma verdadeira democracia – ao contrário dos que acham que o povo quer um Estado forte, totalitário, para se proteger (quem quer isso é a burguesia, para se proteger do povo).

O cidadão comum – inclusive a pequena burguesia e camadas da própria burguesia – é esmagado por esse regime putrefato, que o oprime e o humilha dia após dia. Mas ele tem que fingir que ama todo esse inferno que é a sociedade capitalista. Se ele expressar o seu sentimento legítimo e natural (o mais legítimo e o mais natural) de ódio por essa situação, ele pode ir preso por discurso de ódio contra essa maravilhosa democracia na qual ele vive. Odiar profundamente uma sociedade como essa é a obrigação de nove em cada dez cidadãos. Os bolsonaristas expressam esse ódio de forma confusa, mas a razão do seu ódio, no fundo, é a mesma dos trabalhadores organizados e de todas as massas oprimidas.

A esquerda põe a mão sobre o ombro do juiz, aponta o dedo para o trabalhador ou comerciante “intolerantes” e cochicha no ouvido da autoridade, pedindo para que o puna. E depois ainda se espanta com o apoio de grandes massas aos demagogos bolsonaristas, muitas vezes se perguntando: “onde nós erramos?” Mas o pequeno-burguês está distante da realidade do povo, ele vive sua vida relativamente confortável, e quanto mais longe da vida material, mais importância ele concede às idealizações. Logo, importa-se mais com o que as pessoas pensam do que com o que elas fazem, e inventa uma realidade fictícia para nela embriagar-se.

Ao apoiarem leis contra o “discurso de ódio”, os pretensos democratas também atuam como auxiliares da burguesia para conter a manifestação dos oprimidos contra os opressores achando que são os opressores que estão sendo proibidos (por eles mesmos!) de odiar os oprimidos! O Estado que proíbe o “discurso de ódio” é o mesmo que chacina centenas de pobres nas favelas. Não se pode desejar a morte de ninguém, mas a polícia tem carta branca para matar. E ai dos órfãos e das viúvas que se recusarem a engolir a indignação, porque, além de perderem seus familiares, ainda poderão ser processados por “discurso de ódio”!

The views of individual contributors do not necessarily represent those of the Strategic Culture Foundation.

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