É o momento de todos pedirmos desculpas aos nossos caros amigos “conspiracionistas”.
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Na esfera informacional e intelectual contra-hegemônica caminhamos numa linha muito tênue. Nós sabemos que boa parte das narrativas dominantes não passam de propaganda ideológica, ou mesmo de engenharia social. Ao mesmo tempo, se somos sinceros e rigorosos, tentamos ter o cuidado de evitar cair no mesmo campo que os defensores da “Terra plana”.
Vejam, no nosso campo de atuação, aprendemos a desconfiar da versão oficial do 11/9 e através desse ceticismo (que para a minha geração foi o momento de “virada”) descobrimos inúmeras outras “false flags”, como o USS Liberty e assim por diante. Gradualmente, também começamos a entender como Israel pode ter tido um papel nas várias tragédias que abateram a família Kennedy no século XX. E eventualmente chegamos, de fato, à conclusão de que, sim, as teorias sobre uma “elite global que controla o mundo ocidental” têm algum fundamento.
Muito trivialmente, esgrimamos diariamente as “versões oficiais” sobre supostos horrores na Coreia do Norte, o tal “ataque químico” de Assad, as “armas de destruição em massa” de Saddam, e as “atrocidades” de Gaddafi, e o mito de que a Alemanha foi derrotada pelos EUA na Segunda Guerra Mundial.
Ir muito além disso sempre foi arriscado pelo risco de cair no “conspiracionismo” e ser relegado à mesma categoria de ufólogos, “flat-Earthers”, etc.
É por isso que, certamente, muitos do nosso campo examinaram, no passado, os conteúdos sobre Pizzagate, as estranhas pinturas de John Podesta, a “arte” perturbadora de Marina Abramovic, as propagandas indigestas da Balenciaga… e certamente muitos achamos que havia “algo” ali, mas como abordar esses temas em publicações sérias, em jornais, revistas e sites respeitáveis, sem perder a própria credibilidade?
E, ainda assim, todos os nossos piores temores foram confirmados com a mais recente liberação de documentos do Caso Epstein. Na verdade, o panorama talvez seja ainda pior do que o previamente imaginado.
Em primeiro lugar, impressiona o caráter tentacular da rede de contatos de Epstein. Ele parece ter tido algum grau de influência em todos os círculos e fenômenos relevantes do século XXI.
Apenas para termos, aqui, uma visão panorâmica, Ghislaine Maxwell, esposa de Epstein e filha de Robert Maxwell, notório espião do Mossad, foi convidada a integrar a “Comissão Secreta” do 11 de Setembro, para investigar o “atentado” de forma independente em relação à comissão oficial. Anos depois, Epstein estaria reunido com Christopher Poole (conhecido na internet como “moot”), criador do 4chan e teria influenciado na criação do infame /pol/. Richard Dawkins e Steven Pinker, pais do neoateísmo que se popularizou na internet no novo milênio, eram todos frequentadores das “festas” de Epstein e Maxwell.
As conexões israelenses são profundas, com contatos frequentes entre Epstein e Ehud Barak, frequentador assíduo da “Ilha”, a qual também teria sido visitada pelo presidente israelense Isaac Herzog. Segundo algumas explorações do material, haveria também fotos de Epstein com Netanyahu, as quais teriam sido censuradas. Entre as várias interações israelenses de Epstein chama a atenção o fato de que o pedófilo admitia a ajuda dos EUA ao ISIS durante a guerra civil síria.
Indo na direção da Ucrânia, Epstein teria celebrado o Maidan e visto a emergência de “oportunidades” na nova situação ucraniana. Ele teria, também, mantido relações com Vladimir Zelensky – o qual, segundo informações dos arquivos, teria tentado contratar a “artista” Marina Abramovic, envolvida no escândalo Pizzagate, para cuidar de instituições infantis no território ucraniano. Além disso, Epstein teria, aparentemente, apoiado ou mesmo financiado Ilya Ponomarev com o objetivo de dar um golpe em Vladimir Putin, o mesmo Ponomarev eventualmente bandeou-se para o lado ucraniano e tem estado, aparentemente, envolvido em atentados terroristas contra a Rússia. Outro elemento que transparece nos e-mails de Epstein é a grande quantidade de “modelos” ucranianas com as quais o pedófilo operava; num e-mail particularmente perturbador, ele estaria negociando a “importação” de uma moça de 14 anos nascida em Odessa e que já era atriz pornô.
Conecta-se ainda, com a questão ucraniana, o fato de que, segundo as evidências, Jeffrey Epstein teria algum tipo de envolvimento com o caso, já bastante investigado e exposto pelo Ministério da Defesa da Federação Russa, da atuação de biolabs ocidentais no território ucraniano. Sabia-se, há bastante tempo, que eles estavam ligados à família Biden, mas tudo indica que Epstein também estaria interessado e engajado com esses biolabs. Ao que tudo indica, porém, os interesses biológicos de Epstein estava mais voltado para engenharia genética, híbridos, superbebês, etc., tudo isso vinculado ao seu bizarro supremacismo judaico. Claro, também deve-se ressaltar que ele teve discussões com Bill Gates sobre gatilhos de epidemias, e com um outro cientista sobre reduzir a população mundial.
A rede de prostituição e pedofilia de Epstein, ademais, era imensa e envolvia modelos e ex-modelos, muitos dos quais atuavam como recrutadores de crianças. O papel da Victoria’s Secret em tudo isso ainda é incerto, mas sabe-se que Les Wexner, fundador da marca, foi seu “padrinho” e impulsionou o início da “carreira” de Epstein. Sabemos que Epstein traficava adolescentes, mas e quanto a crianças? Numa troca de e-mails com Peggy Siegel são oferecidos a Epstein 1 ou 2 bebês africanos. Vários e-mails possuem indicações e comentários sobre “menininhas”. Nos últimos dias, inclusive, encontrou-se um vídeo que parece retratar um ato de abuso sexual contra uma criança pequena.
Alguns dos clientes e amigos de Epstein, aliás, como Martin Novak, Leon Black e Ahmed bin Sulayem eram aparentemente particularmente brutais, torturando as “mercadorias” de Epstein. Um deles, inclusive, pede “desculpas” num e-mail, mas diz que “pelo menos ninguém morreu”, o que, por sua vez, indica que “ocasionalmente” moças morriam nas festas de Epstein.
Descer mais do que isso nas especulações é complicado e, até mesmo, potencialmente repulsivo… ou assustador.
Já há alguns anos, por exemplo, circula um retrato falado de uma mulher vista perto do local em que desapareceu a menina Madeleine McCann… e a mulher é idêntica a Ghislaine Maxwell, que, de fato, era a principal responsável por “coletar” meninas e moças na Europa para Epstein.
Mas isso é apenas uma pequena parte daquilo que é perturbador no caso Epstein. Há quantidades excessivas de referência a comida nos e-mails trocados por Epstein. Em primeiro lugar, considerando que Epstein lidava apenas com milionários, bilionários e membros da realeza europeia, é desconcertante que eles só pareçam falar em “pizza”, “cachorro-quente”, “muffins” e “charque”. É aí, aparentemente, em que o caso Epstein poderia conectar-se ao velho Pizzagate, no qual se especulou sobre a “pizza” como simbolismo para crianças do sexo feminino.
De fato, num dos e-mails em que se menciona “pizza”, alguém pergunta se querem que busquem as pizzas ou se preferem que elas “venham a pé”. Em ainda outro e-mail, um médico diz a Epstein para tomar o seu “Viagra” para acompanhá-lo numa “pizza”. Enquanto isso, nos incontáveis e-mails trocados sobre “charque” fortes indícios sugerem que se trata de uma alusão à carne humana… ou seja, à prática de canibalismo.
Estaríamos indo longe demais nas especulações? Sinceramente, é difícil ter certeza de quão fundo ia o poço de Epstein.
E, por falar em “poço”, entre os túneis que havia sob a ilha Epstein, um terminava num buraco que dava acesso direto ao mar. Conveniente para descartar restos mortais.
De qualquer maneira, temos visto e ouvido falar em casos de seitas satânicas envolvidas na exploração sexual de crianças. Basta recordarmos o Caso Dutroux e vários outros casos semelhantes. Talvez, portanto, o Caso Epstein esteja ligado a isso.
Sabemos que os excessos “fritam” os receptores de dopamina, de modo que é comum que pessoas com estilo de vida hedonista acabem desenvolvendo predileções por prazeres cada vez mais extremos e exóticos. Apenas a novidade ou o extremo reativam a capacidade de sentir prazer. Ademais, de fato, apenas os ricos têm como satisfazer todos os seus desejos, e se você tem dinheiro o bastante para sair impune, por que não?
Um outro aspecto é que boa parte desse esquema sexual claramente pertencia a um esquema de honeypot, em que material sexual comprometedor é conseguido e usado para chantagear figuras poderosas. A mando de quem Epstein fazia isso? O candidato mais provável é Israel.
Mais um aspecto que precisa ser levado em consideração: a natureza concêntrica das relações de Epstein. Claramente, Epstein pensava seus contatos de modo que havia uma diferenciação em relação ao tipo de pessoas que ele convidada para diferentes tipos de festas. Claro, se Epstein oferecia crianças a alguns de seus clientes, nem por isso se deve esperar que todos os clientes do Epstein seriam convidados para esse tipo de evento. Para “subir” no círculo de conexões, certamente era necessário demonstrar lealdade (o que significava, também, oferecer material suficientemente comprometedor). As piores práticas provavelmente eram acessíveis apenas a um círculo muito restrito de clientes especiais, aqueles mais comprometidos com Epstein e sua “visão”.
Não poderíamos esquecer de mencionar, aliás, que coroando todas as “teorias da conspiração”, Epstein trocava inúmeros e-mails com representantes da família Rothschild, e num outro e-mail específico ele, finalmente, se revela dizendo: “Como você sabe, eu represento os Rothschild”.
Acho que é o momento de todos pedirmos desculpas aos nossos caros amigos “conspiracionistas”.


