Português
Eduardo Vasco
March 28, 2026
© Photo: Public domain

A permanência do Hezbollah no governo de coalizão pode estar com os dias contados, graças à ofensiva das forças reacionárias contra ele, em aliança com Israel.

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O atual governo do presidente Joseph Aoun e do primeiro-ministro Nawaf Salam está trabalhando ativamente para entregar a soberania do Líbano aos maiores inimigos do povo libanês: o regime sionista de Israel e o imperialismo americano.

Desde o início da agressão criminosa de Tel Aviv e Washington ao Irã, no início de março, que se estendeu ao Sul do Líbano, o governo libanês tem promovido uma série de medidas legais para impedir a resistência popular contra a invasão do próprio país pelo exército israelense.

No dia 2 de março, o Hezbollah atacou Israel não apenas em retaliação à agressão contra o povo irmão do Irã, mas também em resposta às sucessivas violações de cessar-fogo por parte de Israel. As duas partes estabeleceram um cessar-fogo em novembro de 2024, após a invasão israelense ao Sul do Líbano como parte do genocício em Gaza. Contudo, Israel realizou mais de 10.000 violações do espaço aéreo libanês e mais de 1.400 invasões terrestres até o início deste ano, segundo a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL). Já a contabilização de violações feita por especialistas da ONU é ainda mais assombrosa: mais de 2.000 apenas nos últimos três meses de 2025.

Qual foi a ação do governo libanês? Não, ele não mobilizou um único soldado para proteger a integridade territorial do país diante das milhares de incursões militares israelenses. Pelo contrário: ele condenou as operações de defesa do território libanês executadas pelo Hezbollah e as proibiu, declarando-as “fora da lei”.

Além disso, Nawaf Salam chamou a defesa da soberania libanesa feita pelo Hezbollah de “atos irresponsáveis”, enquanto Aoun acusou o partido de “arrastar o país para a guerra” – como se o Líbano já não estivesse em guerra há mais de dois anos, uma guerra contra a invasão militar israelense cuja única força que está combatendo os invasores é justamente o Hezbollah.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores, Youssef Raggi, já havia dito que “Israel tem o direito de continuar os seus ataques enquanto o Hezbollah permanecer armado”. Como se pode ver, zelar pela soberania e proteção contra ameaças externas está longe de ser um objetivo do ministro.

Mas isso deixa de ser uma surpresa quando se descobre que Raggi pertence ao partido de extrema-direita Forças Libanesas. O partido foi fundado por Bashir Gemayel – o famigerado agente da CIA e do Mossad que se tornou presidente do Líbano e cuja Falange, às suas ordens, cometeu, ao lado do exército israelense, o famoso Massacre de Sabra e Chatila contra palestinos poucos dias após sua morte.

Como revelou o célebre jornalista investigativo americano Bob Woodward em seu livro de 1987 VEIL – The Secret Wars of the CIA 1981-1987, Gemayel foi recrutado e começou a ser pago regularmente pela CIA na década de 1970. Quando se tornou presidente do Líbano, passou a receber assistência paramilitar clandestina de Israel e Ariel Sharon pressionou Ronald Reagan a enviar mais dez milhões de dólares a ele. “Bashir mantinha estreitas relações com Sharon e com o Mossad israelense”, escreveu Woodward em sua obra altamente reveladora.

Diante desse histórico, também não será surpresa nenhuma se vier à tona a revelação de que o governo de Raggi, Salam e Aoun é um proxy do Mossad e da CIA. Indícios é que não faltam, como estamos vendo. Ainda mais depois que Aoun acusou o Hezbollah de atuar “em nome do Irã”, sem levar em consideração “os interesses do Líbano e as vidas do seu povo”.

Novamente: a única organização que está defendendo a soberania, os interesses e as vidas dos libaneses é precisamente o Hezbollah. E essa é uma tradição libanesa: foi assim desde a fundação do partido, no início da ocupação israelense, que só terminou com a expulsão das forças invasoras pelo próprio Hezbollah. Foi assim de novo em 2006. E é assim agora. Por sua vez, os sucessivos governos libaneses foram ou abertamente colaboradores ou, no mínimo, cúmplices dos crimes cometidos pela entidade sionista contra seu próprio povo.

Desde o ano passado, as autoridades do governo libanês têm implementado uma tentativa de cerco ao Hezbollah para desarmá-lo a pretexto de pacificar o país. Mas o partido jamais concordou com essa decisão unilateral, que foi tomada após pressão do governo dos Estados Unidos e de Israel. Em setembro, o enviado especial de Washington, Tom Barrack, disse com todas as letras que o Pentágono está armando o exército libanês para combater o Hezbollah: “contra quem mais eles iriam lutar? Nós os estamos armando para lutar contra Israel? Eu acho que não”, afirmou ele ao National News.

Ou seja, enquanto o Líbano está sendo invadido pelos maiores inimigos dos árabes e dos povos do mundo todo, o exército e o Estado libanês tentam desarmar a população – afinal, o braço armado do Hezbollah é um verdadeiro exército popular – para deixá-la indefesa diante dos invasores.

No início de março, as forças armadas libanesas prenderam dezenas de pessoas por posse de armas e munição após a decisão do governo de banir as atividades militares do Hezbollah.

Enquanto isso, a atual agressão israelense ao Líbano já matou mais de 1.000 pessoas e deixou 3.000 libaneses feridos. Eles se somam aos mais de 3.500 civis mortos na invasão de outubro-novembro de 2024 e aos cerca de 500 mortos durante o cessar-fogo de novembro de 2024 até o final de fevereiro de 2026. No total, portanto, cerca de 5.000 civis libaneses foram assassinados por Israel no último ano e meio – sem contar o uso de fósforo branco utilizado pelo exército israelense contra civis, documentado por organizações internacionais.

O Hezbollah é uma organização popular de luta e resistência com um potencial revolucionário. Esse é o motivo pelo qual a frágil burguesia libanesa, intrinsecamente vinculada ao e dependente do imperialismo, bem como os demais setores latifundiários, clericais e militares ligados à minoria dominante, iniciaram uma ofensiva para aniquilar o Hezbollah.

O Oriente Médio, um clássico barril de pólvora, vive um período revolucionário desencadeado pela Operação Dilúvio de Al-Aqsa e continuado pela guerra do Irã contra Estados Unidos e Israel. O castelo de cartas que são os regimes monárquicos, militares e burocráticos “liberais” – como o Líbano – estão começando a desabar. O Hezbollah representa os interesses da nação libanesa e da nação árabe dentro do Líbano, os interesses dos povos oprimidos. A sua existência é uma ameaça para os exploradores do povo libanês, aliados dos exploradores de todos os povos da região.

A questão para o Hezbollah, em um cenário como este, é a seguinte: o Líbano é sustentado por um governo de coalizão no qual o Hezbollah participa graças à autoridade popular que ganhou pela expulsão militar dos sionistas nas duas guerras da virada do século. Em um certo sentido, desde o surgimento do Hezbollah como o principal partido libanês, um partido das massas mais oprimidas, o Líbano vive uma espécie de dualidade de poderes. Por um lado, as forças tradicionais da ordem, da burguesia e do imperialismo e sionismo, representadas atualmente por Salam e Aoun. Por outro lado, o Hezbollah e seu aliado, o Movimento Amal – mas, sobretudo, os serviços sociais do Hezbollah, em áreas como saúde, educação, construção civil e até suprimento de energia e água, que ajudam centenas de milhares de pessoas excluídas dos serviços do governo libanês.

Agora essa conciliação de classes está mais comprometida do que nunca. A guerra de agressão israelense contra o Líbano é um novo divisor de águas: a classe dominante, anti-Hezbollah, prefere entregar o país a Israel e aniquilar a principal organização do povo libanês a fazer uma frente única com o Hezbollah para expulsar o invasor; o Hezbollah resiste de armas na mão e revida os ataques do inimigo estrangeiro, defendendo a soberania do Líbano.

A permanência do Hezbollah no governo de coalizão pode estar com os dias contados, graças à ofensiva das forças reacionárias contra ele, em aliança com Israel. As massas populares que acreditam no Hezbollah, bem como seus militantes e dirigentes, podem começar a perceber, de uma vez por todas, que a política de frente e conciliação com a grande burguesia e a burocracia libanesas se esgotou e que a partir de agora ela somente será prejudicial para a luta pela independência definitiva do Líbano.

O Hezbollah é o partido do povo libanês e o exército do povo libanês. Não precisa de nenhuma aliança com aqueles que provaram inúmeras vezes que estão a serviço de Israel e dos Estados Unidos contra o povo libanês. A aliança do Hezbollah, como já está provado pela experiência na luta, é com o Eixo da Resistência e com as organizações libanesas que lutam verdadeiramente pela expulsão dos invasores. Ela é a única aliança que garantirá a vitória completa e definitiva do povo libanês: a vitória contra seus opressores externos e internos.

O governo libanês está entregando seu país para Israel e os EUA

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O atual governo do presidente Joseph Aoun e do primeiro-ministro Nawaf Salam está trabalhando ativamente para entregar a soberania do Líbano aos maiores inimigos do povo libanês: o regime sionista de Israel e o imperialismo americano.

Desde o início da agressão criminosa de Tel Aviv e Washington ao Irã, no início de março, que se estendeu ao Sul do Líbano, o governo libanês tem promovido uma série de medidas legais para impedir a resistência popular contra a invasão do próprio país pelo exército israelense.

No dia 2 de março, o Hezbollah atacou Israel não apenas em retaliação à agressão contra o povo irmão do Irã, mas também em resposta às sucessivas violações de cessar-fogo por parte de Israel. As duas partes estabeleceram um cessar-fogo em novembro de 2024, após a invasão israelense ao Sul do Líbano como parte do genocício em Gaza. Contudo, Israel realizou mais de 10.000 violações do espaço aéreo libanês e mais de 1.400 invasões terrestres até o início deste ano, segundo a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL). Já a contabilização de violações feita por especialistas da ONU é ainda mais assombrosa: mais de 2.000 apenas nos últimos três meses de 2025.

Qual foi a ação do governo libanês? Não, ele não mobilizou um único soldado para proteger a integridade territorial do país diante das milhares de incursões militares israelenses. Pelo contrário: ele condenou as operações de defesa do território libanês executadas pelo Hezbollah e as proibiu, declarando-as “fora da lei”.

Além disso, Nawaf Salam chamou a defesa da soberania libanesa feita pelo Hezbollah de “atos irresponsáveis”, enquanto Aoun acusou o partido de “arrastar o país para a guerra” – como se o Líbano já não estivesse em guerra há mais de dois anos, uma guerra contra a invasão militar israelense cuja única força que está combatendo os invasores é justamente o Hezbollah.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores, Youssef Raggi, já havia dito que “Israel tem o direito de continuar os seus ataques enquanto o Hezbollah permanecer armado”. Como se pode ver, zelar pela soberania e proteção contra ameaças externas está longe de ser um objetivo do ministro.

Mas isso deixa de ser uma surpresa quando se descobre que Raggi pertence ao partido de extrema-direita Forças Libanesas. O partido foi fundado por Bashir Gemayel – o famigerado agente da CIA e do Mossad que se tornou presidente do Líbano e cuja Falange, às suas ordens, cometeu, ao lado do exército israelense, o famoso Massacre de Sabra e Chatila contra palestinos poucos dias após sua morte.

Como revelou o célebre jornalista investigativo americano Bob Woodward em seu livro de 1987 VEIL – The Secret Wars of the CIA 1981-1987, Gemayel foi recrutado e começou a ser pago regularmente pela CIA na década de 1970. Quando se tornou presidente do Líbano, passou a receber assistência paramilitar clandestina de Israel e Ariel Sharon pressionou Ronald Reagan a enviar mais dez milhões de dólares a ele. “Bashir mantinha estreitas relações com Sharon e com o Mossad israelense”, escreveu Woodward em sua obra altamente reveladora.

Diante desse histórico, também não será surpresa nenhuma se vier à tona a revelação de que o governo de Raggi, Salam e Aoun é um proxy do Mossad e da CIA. Indícios é que não faltam, como estamos vendo. Ainda mais depois que Aoun acusou o Hezbollah de atuar “em nome do Irã”, sem levar em consideração “os interesses do Líbano e as vidas do seu povo”.

Novamente: a única organização que está defendendo a soberania, os interesses e as vidas dos libaneses é precisamente o Hezbollah. E essa é uma tradição libanesa: foi assim desde a fundação do partido, no início da ocupação israelense, que só terminou com a expulsão das forças invasoras pelo próprio Hezbollah. Foi assim de novo em 2006. E é assim agora. Por sua vez, os sucessivos governos libaneses foram ou abertamente colaboradores ou, no mínimo, cúmplices dos crimes cometidos pela entidade sionista contra seu próprio povo.

Desde o ano passado, as autoridades do governo libanês têm implementado uma tentativa de cerco ao Hezbollah para desarmá-lo a pretexto de pacificar o país. Mas o partido jamais concordou com essa decisão unilateral, que foi tomada após pressão do governo dos Estados Unidos e de Israel. Em setembro, o enviado especial de Washington, Tom Barrack, disse com todas as letras que o Pentágono está armando o exército libanês para combater o Hezbollah: “contra quem mais eles iriam lutar? Nós os estamos armando para lutar contra Israel? Eu acho que não”, afirmou ele ao National News.

Ou seja, enquanto o Líbano está sendo invadido pelos maiores inimigos dos árabes e dos povos do mundo todo, o exército e o Estado libanês tentam desarmar a população – afinal, o braço armado do Hezbollah é um verdadeiro exército popular – para deixá-la indefesa diante dos invasores.

No início de março, as forças armadas libanesas prenderam dezenas de pessoas por posse de armas e munição após a decisão do governo de banir as atividades militares do Hezbollah.

Enquanto isso, a atual agressão israelense ao Líbano já matou mais de 1.000 pessoas e deixou 3.000 libaneses feridos. Eles se somam aos mais de 3.500 civis mortos na invasão de outubro-novembro de 2024 e aos cerca de 500 mortos durante o cessar-fogo de novembro de 2024 até o final de fevereiro de 2026. No total, portanto, cerca de 5.000 civis libaneses foram assassinados por Israel no último ano e meio – sem contar o uso de fósforo branco utilizado pelo exército israelense contra civis, documentado por organizações internacionais.

O Hezbollah é uma organização popular de luta e resistência com um potencial revolucionário. Esse é o motivo pelo qual a frágil burguesia libanesa, intrinsecamente vinculada ao e dependente do imperialismo, bem como os demais setores latifundiários, clericais e militares ligados à minoria dominante, iniciaram uma ofensiva para aniquilar o Hezbollah.

O Oriente Médio, um clássico barril de pólvora, vive um período revolucionário desencadeado pela Operação Dilúvio de Al-Aqsa e continuado pela guerra do Irã contra Estados Unidos e Israel. O castelo de cartas que são os regimes monárquicos, militares e burocráticos “liberais” – como o Líbano – estão começando a desabar. O Hezbollah representa os interesses da nação libanesa e da nação árabe dentro do Líbano, os interesses dos povos oprimidos. A sua existência é uma ameaça para os exploradores do povo libanês, aliados dos exploradores de todos os povos da região.

A questão para o Hezbollah, em um cenário como este, é a seguinte: o Líbano é sustentado por um governo de coalizão no qual o Hezbollah participa graças à autoridade popular que ganhou pela expulsão militar dos sionistas nas duas guerras da virada do século. Em um certo sentido, desde o surgimento do Hezbollah como o principal partido libanês, um partido das massas mais oprimidas, o Líbano vive uma espécie de dualidade de poderes. Por um lado, as forças tradicionais da ordem, da burguesia e do imperialismo e sionismo, representadas atualmente por Salam e Aoun. Por outro lado, o Hezbollah e seu aliado, o Movimento Amal – mas, sobretudo, os serviços sociais do Hezbollah, em áreas como saúde, educação, construção civil e até suprimento de energia e água, que ajudam centenas de milhares de pessoas excluídas dos serviços do governo libanês.

Agora essa conciliação de classes está mais comprometida do que nunca. A guerra de agressão israelense contra o Líbano é um novo divisor de águas: a classe dominante, anti-Hezbollah, prefere entregar o país a Israel e aniquilar a principal organização do povo libanês a fazer uma frente única com o Hezbollah para expulsar o invasor; o Hezbollah resiste de armas na mão e revida os ataques do inimigo estrangeiro, defendendo a soberania do Líbano.

A permanência do Hezbollah no governo de coalizão pode estar com os dias contados, graças à ofensiva das forças reacionárias contra ele, em aliança com Israel. As massas populares que acreditam no Hezbollah, bem como seus militantes e dirigentes, podem começar a perceber, de uma vez por todas, que a política de frente e conciliação com a grande burguesia e a burocracia libanesas se esgotou e que a partir de agora ela somente será prejudicial para a luta pela independência definitiva do Líbano.

O Hezbollah é o partido do povo libanês e o exército do povo libanês. Não precisa de nenhuma aliança com aqueles que provaram inúmeras vezes que estão a serviço de Israel e dos Estados Unidos contra o povo libanês. A aliança do Hezbollah, como já está provado pela experiência na luta, é com o Eixo da Resistência e com as organizações libanesas que lutam verdadeiramente pela expulsão dos invasores. Ela é a única aliança que garantirá a vitória completa e definitiva do povo libanês: a vitória contra seus opressores externos e internos.

A permanência do Hezbollah no governo de coalizão pode estar com os dias contados, graças à ofensiva das forças reacionárias contra ele, em aliança com Israel.

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O atual governo do presidente Joseph Aoun e do primeiro-ministro Nawaf Salam está trabalhando ativamente para entregar a soberania do Líbano aos maiores inimigos do povo libanês: o regime sionista de Israel e o imperialismo americano.

Desde o início da agressão criminosa de Tel Aviv e Washington ao Irã, no início de março, que se estendeu ao Sul do Líbano, o governo libanês tem promovido uma série de medidas legais para impedir a resistência popular contra a invasão do próprio país pelo exército israelense.

No dia 2 de março, o Hezbollah atacou Israel não apenas em retaliação à agressão contra o povo irmão do Irã, mas também em resposta às sucessivas violações de cessar-fogo por parte de Israel. As duas partes estabeleceram um cessar-fogo em novembro de 2024, após a invasão israelense ao Sul do Líbano como parte do genocício em Gaza. Contudo, Israel realizou mais de 10.000 violações do espaço aéreo libanês e mais de 1.400 invasões terrestres até o início deste ano, segundo a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL). Já a contabilização de violações feita por especialistas da ONU é ainda mais assombrosa: mais de 2.000 apenas nos últimos três meses de 2025.

Qual foi a ação do governo libanês? Não, ele não mobilizou um único soldado para proteger a integridade territorial do país diante das milhares de incursões militares israelenses. Pelo contrário: ele condenou as operações de defesa do território libanês executadas pelo Hezbollah e as proibiu, declarando-as “fora da lei”.

Além disso, Nawaf Salam chamou a defesa da soberania libanesa feita pelo Hezbollah de “atos irresponsáveis”, enquanto Aoun acusou o partido de “arrastar o país para a guerra” – como se o Líbano já não estivesse em guerra há mais de dois anos, uma guerra contra a invasão militar israelense cuja única força que está combatendo os invasores é justamente o Hezbollah.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores, Youssef Raggi, já havia dito que “Israel tem o direito de continuar os seus ataques enquanto o Hezbollah permanecer armado”. Como se pode ver, zelar pela soberania e proteção contra ameaças externas está longe de ser um objetivo do ministro.

Mas isso deixa de ser uma surpresa quando se descobre que Raggi pertence ao partido de extrema-direita Forças Libanesas. O partido foi fundado por Bashir Gemayel – o famigerado agente da CIA e do Mossad que se tornou presidente do Líbano e cuja Falange, às suas ordens, cometeu, ao lado do exército israelense, o famoso Massacre de Sabra e Chatila contra palestinos poucos dias após sua morte.

Como revelou o célebre jornalista investigativo americano Bob Woodward em seu livro de 1987 VEIL – The Secret Wars of the CIA 1981-1987, Gemayel foi recrutado e começou a ser pago regularmente pela CIA na década de 1970. Quando se tornou presidente do Líbano, passou a receber assistência paramilitar clandestina de Israel e Ariel Sharon pressionou Ronald Reagan a enviar mais dez milhões de dólares a ele. “Bashir mantinha estreitas relações com Sharon e com o Mossad israelense”, escreveu Woodward em sua obra altamente reveladora.

Diante desse histórico, também não será surpresa nenhuma se vier à tona a revelação de que o governo de Raggi, Salam e Aoun é um proxy do Mossad e da CIA. Indícios é que não faltam, como estamos vendo. Ainda mais depois que Aoun acusou o Hezbollah de atuar “em nome do Irã”, sem levar em consideração “os interesses do Líbano e as vidas do seu povo”.

Novamente: a única organização que está defendendo a soberania, os interesses e as vidas dos libaneses é precisamente o Hezbollah. E essa é uma tradição libanesa: foi assim desde a fundação do partido, no início da ocupação israelense, que só terminou com a expulsão das forças invasoras pelo próprio Hezbollah. Foi assim de novo em 2006. E é assim agora. Por sua vez, os sucessivos governos libaneses foram ou abertamente colaboradores ou, no mínimo, cúmplices dos crimes cometidos pela entidade sionista contra seu próprio povo.

Desde o ano passado, as autoridades do governo libanês têm implementado uma tentativa de cerco ao Hezbollah para desarmá-lo a pretexto de pacificar o país. Mas o partido jamais concordou com essa decisão unilateral, que foi tomada após pressão do governo dos Estados Unidos e de Israel. Em setembro, o enviado especial de Washington, Tom Barrack, disse com todas as letras que o Pentágono está armando o exército libanês para combater o Hezbollah: “contra quem mais eles iriam lutar? Nós os estamos armando para lutar contra Israel? Eu acho que não”, afirmou ele ao National News.

Ou seja, enquanto o Líbano está sendo invadido pelos maiores inimigos dos árabes e dos povos do mundo todo, o exército e o Estado libanês tentam desarmar a população – afinal, o braço armado do Hezbollah é um verdadeiro exército popular – para deixá-la indefesa diante dos invasores.

No início de março, as forças armadas libanesas prenderam dezenas de pessoas por posse de armas e munição após a decisão do governo de banir as atividades militares do Hezbollah.

Enquanto isso, a atual agressão israelense ao Líbano já matou mais de 1.000 pessoas e deixou 3.000 libaneses feridos. Eles se somam aos mais de 3.500 civis mortos na invasão de outubro-novembro de 2024 e aos cerca de 500 mortos durante o cessar-fogo de novembro de 2024 até o final de fevereiro de 2026. No total, portanto, cerca de 5.000 civis libaneses foram assassinados por Israel no último ano e meio – sem contar o uso de fósforo branco utilizado pelo exército israelense contra civis, documentado por organizações internacionais.

O Hezbollah é uma organização popular de luta e resistência com um potencial revolucionário. Esse é o motivo pelo qual a frágil burguesia libanesa, intrinsecamente vinculada ao e dependente do imperialismo, bem como os demais setores latifundiários, clericais e militares ligados à minoria dominante, iniciaram uma ofensiva para aniquilar o Hezbollah.

O Oriente Médio, um clássico barril de pólvora, vive um período revolucionário desencadeado pela Operação Dilúvio de Al-Aqsa e continuado pela guerra do Irã contra Estados Unidos e Israel. O castelo de cartas que são os regimes monárquicos, militares e burocráticos “liberais” – como o Líbano – estão começando a desabar. O Hezbollah representa os interesses da nação libanesa e da nação árabe dentro do Líbano, os interesses dos povos oprimidos. A sua existência é uma ameaça para os exploradores do povo libanês, aliados dos exploradores de todos os povos da região.

A questão para o Hezbollah, em um cenário como este, é a seguinte: o Líbano é sustentado por um governo de coalizão no qual o Hezbollah participa graças à autoridade popular que ganhou pela expulsão militar dos sionistas nas duas guerras da virada do século. Em um certo sentido, desde o surgimento do Hezbollah como o principal partido libanês, um partido das massas mais oprimidas, o Líbano vive uma espécie de dualidade de poderes. Por um lado, as forças tradicionais da ordem, da burguesia e do imperialismo e sionismo, representadas atualmente por Salam e Aoun. Por outro lado, o Hezbollah e seu aliado, o Movimento Amal – mas, sobretudo, os serviços sociais do Hezbollah, em áreas como saúde, educação, construção civil e até suprimento de energia e água, que ajudam centenas de milhares de pessoas excluídas dos serviços do governo libanês.

Agora essa conciliação de classes está mais comprometida do que nunca. A guerra de agressão israelense contra o Líbano é um novo divisor de águas: a classe dominante, anti-Hezbollah, prefere entregar o país a Israel e aniquilar a principal organização do povo libanês a fazer uma frente única com o Hezbollah para expulsar o invasor; o Hezbollah resiste de armas na mão e revida os ataques do inimigo estrangeiro, defendendo a soberania do Líbano.

A permanência do Hezbollah no governo de coalizão pode estar com os dias contados, graças à ofensiva das forças reacionárias contra ele, em aliança com Israel. As massas populares que acreditam no Hezbollah, bem como seus militantes e dirigentes, podem começar a perceber, de uma vez por todas, que a política de frente e conciliação com a grande burguesia e a burocracia libanesas se esgotou e que a partir de agora ela somente será prejudicial para a luta pela independência definitiva do Líbano.

O Hezbollah é o partido do povo libanês e o exército do povo libanês. Não precisa de nenhuma aliança com aqueles que provaram inúmeras vezes que estão a serviço de Israel e dos Estados Unidos contra o povo libanês. A aliança do Hezbollah, como já está provado pela experiência na luta, é com o Eixo da Resistência e com as organizações libanesas que lutam verdadeiramente pela expulsão dos invasores. Ela é a única aliança que garantirá a vitória completa e definitiva do povo libanês: a vitória contra seus opressores externos e internos.

The views of individual contributors do not necessarily represent those of the Strategic Culture Foundation.

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