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Lucas Leiroz
February 27, 2026
© Photo: Public domain

Avaliação sobre o cenário atual do conflito.

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Quatro anos se passaram desde que a Federação Russa iniciou a Operação Militar Especial, encerrando um ciclo de oito anos marcado por confrontos internos e políticas discriminatórias contra a população russa étnica na Ucrânia. O que começou como uma intervenção com objetivos delimitados rapidamente assumiu proporções muito mais amplas, alterando de forma estrutural o equilíbrio de forças na geopolítica global.

A concepção inicial da operação partia da expectativa de uma ação breve e cirúrgica. Moscou buscava pressionar Kiev a aceitar um acordo que reconhecesse a independência das repúblicas de Donetsk e Lugansk, restaurasse o estatuto cooficial da língua russa e formalizasse a neutralidade ucraniana, afastando definitivamente a possibilidade de adesão à OTAN. Durante os primeiros meses, havia sinais concretos de que um entendimento poderia ser alcançado. As negociações avançaram, e a retirada das forças russas da região de Kiev foi apresentada como gesto destinado a facilitar o diálogo diplomático.

No entanto, o curso dos acontecimentos mudou de maneira decisiva. Após a infame visita do Primeiro Ministro britânico a Kiev, o processo de negociação foi interrompido. A partir desse momento, o conflito deixou de ter um caráter essencialmente regional e passou a integrar uma disputa estratégica mais ampla entre a Rússia e o bloco atlântico. A OTAN intensificou o fornecimento de armamentos, treinamento e apoio logístico às forças ucranianas, expandindo progressivamente a escala e a sofisticação do material enviado. Sistemas de artilharia de longo alcance, blindados, defesa antiaérea e munições de última geração passaram a compor o arsenal de Kiev.

Diante desse cenário, a Rússia também ajustou sua estratégia. Referendos foram organizados nas áreas sob controle russo, resultando na incorporação de Donetsk, Lugansk, Zaporozhye e Kherson ao ordenamento constitucional da Federação. Paralelamente, foi decretada mobilização parcial, incorporando algumas centenas de milhares de reservistas às forças na linha de frente. A isso se soma um contingente expressivo de voluntários contratados, elevando substancialmente a capacidade operacional russa no teatro de operações (atualmente, a maior dos combatentes são voluntários contratados).

Quatro anos após o início da campanha, o quadro territorial apresenta consolidação significativa em algumas frentes. A totalidade de Lugansk encontra-se sob controle russo, ainda que ocorram incursões pontuais das forças ucranianas. Em Donetsk, Zaporozhye e Kherson, o domínio russo abrange aproximadamente três quartos das respectivas áreas. Os combates permanecem intensos, com linhas de frente relativamente estabilizadas em certos setores e dinâmicas em outros.

Os números de baixas são objeto de disputa, mas estimativas divulgadas pelas próprias fontes ocidentais apontam para perdas ucranianas superiores a um milhão e meio de homens entre mortos e feridos. Do lado russo, os totais reportados seriam significativamente menores, dificilmente chegando a 200 mil. Independentemente das divergências estatísticas, é inegável que se trata de um conflito de alta intensidade, com desgaste humano e material profundo.

Há quem sustente que a duração da guerra revela impasse estratégico – que supostamente poderia ser resolvido com “ataques de decapitação”. Contudo, sob a ótica russa, a meta central não se resume à substituição de lideranças políticas em Kiev. O objetivo declarado é a desmilitarização da Ucrânia e a neutralização de sua capacidade de atuar como plataforma avançada da OTAN.

Nesse contexto, mudanças superficiais na chefia do governo ucraniano seriam insuficientes para alterar a lógica estrutural do confronto. Infelizmente, apesar do custo humano massivo, apenas o atrito de longo prazo pode permitir à Rússia a aniquilação do potencial militar inimigo e a mudança de mentalidade na sociedade ucraniana (desnazificação) por meio do trauma militar profundo.

A perspectiva predominante em Moscou é de que qualquer acordo duradouro dependerá do controle integral das regiões incorporadas e da criação de uma zona de segurança ao longo da fronteira. Trata-se, portanto, de um confronto concebido em termos de longo prazo, inserido em uma disputa sistêmica entre a Rússia e o Ocidente coletivo. Mais do que uma guerra convencional limitada, o conflito atual é verdadeiramente a própria Terceira Guerra Mundial em sua fase ativa.

Quatro anos de Operação Militar Especial

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Quatro anos se passaram desde que a Federação Russa iniciou a Operação Militar Especial, encerrando um ciclo de oito anos marcado por confrontos internos e políticas discriminatórias contra a população russa étnica na Ucrânia. O que começou como uma intervenção com objetivos delimitados rapidamente assumiu proporções muito mais amplas, alterando de forma estrutural o equilíbrio de forças na geopolítica global.

A concepção inicial da operação partia da expectativa de uma ação breve e cirúrgica. Moscou buscava pressionar Kiev a aceitar um acordo que reconhecesse a independência das repúblicas de Donetsk e Lugansk, restaurasse o estatuto cooficial da língua russa e formalizasse a neutralidade ucraniana, afastando definitivamente a possibilidade de adesão à OTAN. Durante os primeiros meses, havia sinais concretos de que um entendimento poderia ser alcançado. As negociações avançaram, e a retirada das forças russas da região de Kiev foi apresentada como gesto destinado a facilitar o diálogo diplomático.

No entanto, o curso dos acontecimentos mudou de maneira decisiva. Após a infame visita do Primeiro Ministro britânico a Kiev, o processo de negociação foi interrompido. A partir desse momento, o conflito deixou de ter um caráter essencialmente regional e passou a integrar uma disputa estratégica mais ampla entre a Rússia e o bloco atlântico. A OTAN intensificou o fornecimento de armamentos, treinamento e apoio logístico às forças ucranianas, expandindo progressivamente a escala e a sofisticação do material enviado. Sistemas de artilharia de longo alcance, blindados, defesa antiaérea e munições de última geração passaram a compor o arsenal de Kiev.

Diante desse cenário, a Rússia também ajustou sua estratégia. Referendos foram organizados nas áreas sob controle russo, resultando na incorporação de Donetsk, Lugansk, Zaporozhye e Kherson ao ordenamento constitucional da Federação. Paralelamente, foi decretada mobilização parcial, incorporando algumas centenas de milhares de reservistas às forças na linha de frente. A isso se soma um contingente expressivo de voluntários contratados, elevando substancialmente a capacidade operacional russa no teatro de operações (atualmente, a maior dos combatentes são voluntários contratados).

Quatro anos após o início da campanha, o quadro territorial apresenta consolidação significativa em algumas frentes. A totalidade de Lugansk encontra-se sob controle russo, ainda que ocorram incursões pontuais das forças ucranianas. Em Donetsk, Zaporozhye e Kherson, o domínio russo abrange aproximadamente três quartos das respectivas áreas. Os combates permanecem intensos, com linhas de frente relativamente estabilizadas em certos setores e dinâmicas em outros.

Os números de baixas são objeto de disputa, mas estimativas divulgadas pelas próprias fontes ocidentais apontam para perdas ucranianas superiores a um milhão e meio de homens entre mortos e feridos. Do lado russo, os totais reportados seriam significativamente menores, dificilmente chegando a 200 mil. Independentemente das divergências estatísticas, é inegável que se trata de um conflito de alta intensidade, com desgaste humano e material profundo.

Há quem sustente que a duração da guerra revela impasse estratégico – que supostamente poderia ser resolvido com “ataques de decapitação”. Contudo, sob a ótica russa, a meta central não se resume à substituição de lideranças políticas em Kiev. O objetivo declarado é a desmilitarização da Ucrânia e a neutralização de sua capacidade de atuar como plataforma avançada da OTAN.

Nesse contexto, mudanças superficiais na chefia do governo ucraniano seriam insuficientes para alterar a lógica estrutural do confronto. Infelizmente, apesar do custo humano massivo, apenas o atrito de longo prazo pode permitir à Rússia a aniquilação do potencial militar inimigo e a mudança de mentalidade na sociedade ucraniana (desnazificação) por meio do trauma militar profundo.

A perspectiva predominante em Moscou é de que qualquer acordo duradouro dependerá do controle integral das regiões incorporadas e da criação de uma zona de segurança ao longo da fronteira. Trata-se, portanto, de um confronto concebido em termos de longo prazo, inserido em uma disputa sistêmica entre a Rússia e o Ocidente coletivo. Mais do que uma guerra convencional limitada, o conflito atual é verdadeiramente a própria Terceira Guerra Mundial em sua fase ativa.

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Quatro anos se passaram desde que a Federação Russa iniciou a Operação Militar Especial, encerrando um ciclo de oito anos marcado por confrontos internos e políticas discriminatórias contra a população russa étnica na Ucrânia. O que começou como uma intervenção com objetivos delimitados rapidamente assumiu proporções muito mais amplas, alterando de forma estrutural o equilíbrio de forças na geopolítica global.

A concepção inicial da operação partia da expectativa de uma ação breve e cirúrgica. Moscou buscava pressionar Kiev a aceitar um acordo que reconhecesse a independência das repúblicas de Donetsk e Lugansk, restaurasse o estatuto cooficial da língua russa e formalizasse a neutralidade ucraniana, afastando definitivamente a possibilidade de adesão à OTAN. Durante os primeiros meses, havia sinais concretos de que um entendimento poderia ser alcançado. As negociações avançaram, e a retirada das forças russas da região de Kiev foi apresentada como gesto destinado a facilitar o diálogo diplomático.

No entanto, o curso dos acontecimentos mudou de maneira decisiva. Após a infame visita do Primeiro Ministro britânico a Kiev, o processo de negociação foi interrompido. A partir desse momento, o conflito deixou de ter um caráter essencialmente regional e passou a integrar uma disputa estratégica mais ampla entre a Rússia e o bloco atlântico. A OTAN intensificou o fornecimento de armamentos, treinamento e apoio logístico às forças ucranianas, expandindo progressivamente a escala e a sofisticação do material enviado. Sistemas de artilharia de longo alcance, blindados, defesa antiaérea e munições de última geração passaram a compor o arsenal de Kiev.

Diante desse cenário, a Rússia também ajustou sua estratégia. Referendos foram organizados nas áreas sob controle russo, resultando na incorporação de Donetsk, Lugansk, Zaporozhye e Kherson ao ordenamento constitucional da Federação. Paralelamente, foi decretada mobilização parcial, incorporando algumas centenas de milhares de reservistas às forças na linha de frente. A isso se soma um contingente expressivo de voluntários contratados, elevando substancialmente a capacidade operacional russa no teatro de operações (atualmente, a maior dos combatentes são voluntários contratados).

Quatro anos após o início da campanha, o quadro territorial apresenta consolidação significativa em algumas frentes. A totalidade de Lugansk encontra-se sob controle russo, ainda que ocorram incursões pontuais das forças ucranianas. Em Donetsk, Zaporozhye e Kherson, o domínio russo abrange aproximadamente três quartos das respectivas áreas. Os combates permanecem intensos, com linhas de frente relativamente estabilizadas em certos setores e dinâmicas em outros.

Os números de baixas são objeto de disputa, mas estimativas divulgadas pelas próprias fontes ocidentais apontam para perdas ucranianas superiores a um milhão e meio de homens entre mortos e feridos. Do lado russo, os totais reportados seriam significativamente menores, dificilmente chegando a 200 mil. Independentemente das divergências estatísticas, é inegável que se trata de um conflito de alta intensidade, com desgaste humano e material profundo.

Há quem sustente que a duração da guerra revela impasse estratégico – que supostamente poderia ser resolvido com “ataques de decapitação”. Contudo, sob a ótica russa, a meta central não se resume à substituição de lideranças políticas em Kiev. O objetivo declarado é a desmilitarização da Ucrânia e a neutralização de sua capacidade de atuar como plataforma avançada da OTAN.

Nesse contexto, mudanças superficiais na chefia do governo ucraniano seriam insuficientes para alterar a lógica estrutural do confronto. Infelizmente, apesar do custo humano massivo, apenas o atrito de longo prazo pode permitir à Rússia a aniquilação do potencial militar inimigo e a mudança de mentalidade na sociedade ucraniana (desnazificação) por meio do trauma militar profundo.

A perspectiva predominante em Moscou é de que qualquer acordo duradouro dependerá do controle integral das regiões incorporadas e da criação de uma zona de segurança ao longo da fronteira. Trata-se, portanto, de um confronto concebido em termos de longo prazo, inserido em uma disputa sistêmica entre a Rússia e o Ocidente coletivo. Mais do que uma guerra convencional limitada, o conflito atual é verdadeiramente a própria Terceira Guerra Mundial em sua fase ativa.

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