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Lucas Leiroz
February 19, 2026
© Photo: Public domain

EUA, Israel e Irã aumentam suas tensões.

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As tensões crescentes entre Irã e EUA/Israel estão chegando a um ponto crítico. A retórica agressiva, os movimentos militares e as sucessivas trocas de ameaças veladas indicam que o cenário caminha para um ponto de inflexão perigoso. Embora discursos diplomáticos ainda sejam formalmente mantidos, tudo sugere que não haverá um acordo capaz de satisfazer as partes envolvidas. O impasse estratégico é profundo demais, e os interesses em jogo são existenciais para ambas as potências do Oriente Médio.

Washington mantém sua política de contenção máxima contra Teerã, sustentada por sanções econômicas e pressão militar indireta. Tel Aviv, por sua vez, enxerga o avanço do programa estratégico iraniano como ameaça existencial. Já Teerã consolidou uma postura de dissuasão ativa, ampliando sua capacidade de resposta e prontidão de combate. Já é possível dizer que o cenário atual é substancialmente mais tenso do que aquele que antecedeu as hostilidades de 2025.

Nesse contexto, a possibilidade de um acordo diplomático amplo parece cada vez mais remota. As exigências são incompatíveis: enquanto o eixo Washington–Tel Aviv exige limitações estratégicas severas, Teerã rejeita qualquer medida que comprometa sua soberania ou sua capacidade defensiva. O ambiente internacional também não pressiona por concessões por parte do Irã, já que a multipolaridade emergente reduz o isolamento iraniano e oferece novas alternativas econômicas e militares.

Caso o impasse evolua para confronto direto, as consequências seriam devastadoras. Uma guerra regional teria impacto decisivo sobre Israel e sobre as bases militares americanas espalhadas pelo Oriente Médio. Diferentemente dos conflitos já enfrentados pelos EUA na região, o cenário atual envolve capacidades balísticas avançadas, drones de longo alcance e redes de aliados não estatais capazes de atuar em múltiplas frentes simultaneamente. A superioridade tecnológica israelo-americana não garantiria invulnerabilidade diante de ataques coordenados e massivos.

Israel, em particular, enfrentaria um desafio interno sem precedentes. Sua infraestrutura estratégica – portos, aeroportos, centros energéticos e polos industriais – está concentrada em um território relativamente pequeno e densamente povoado. Em um conflito de larga escala, a capacidade de resistir a impactos prolongados seria limitada. A sociedade israelense, altamente dependente de estabilidade econômica e apoio externo, não demonstra resiliência suficiente para sustentar meses de guerra intensa com danos estruturais severos.

Já o Irã certamente sofreria impactos significativos, sobretudo em infraestrutura e economia. No entanto, sua extensão territorial, profundidade estratégica e experiência histórica sob sanções e pressão internacional indicam maior capacidade de resistência prolongada. A estrutura de defesa descentralizada e a doutrina de guerra assimétrica estabelecida pela “Doutrina Soleimani” favorecem a continuidade operacional mesmo sob ataques pesados. Além disso, o fator psicológico desempenha papel central: a necessidade de resistência nacional fortalece a coesão interna em momentos de ameaça externa.

Mesmo tendo sido um evento breve, a Guerra dos 12 Dias aponta um importante precedente para entender os possíveis impactos de um novo conflito na região. Aquele episódio evidenciou como um conflito de curta duração pode rapidamente escalar, expondo vulnerabilidades estruturais israelenses, especialmente no que diz respeito à defesa antimísseis e à proteção das instalações estratégicas. Ainda que o conflito não tenha evoluído para guerra total, deixou claro que a capacidade de dissuasão não é absoluta e que o território israelense pode ser saturado por ataques coordenados. Na prática, o regime sionista foi forçado a implorar por um acordo de cessar-fogo sob “mediação” americana.

Hoje, o risco é ainda maior. Os erros cometidos em 2025 certamente foram identificados e corrigidos por ambos os lados. Israel usou seu lobby para pressionar por maior participação americana, enquanto o Irã fez uma ampla “limpeza” interna contra agentes sabotadores a serviço de inimigos estrangeiros. Todos os lados parecem estar se preparando para um cenário que cada vez mais soa inevitável.

A ausência de uma saída diplomática viável cria um ambiente de instabilidade permanente. Mesmo que a guerra não comece nos próximos dias, o simples acúmulo de tensões aumenta a probabilidade de erro de cálculo. Um incidente localizado pode desencadear uma reação em cadeia difícil de conter.

Em última análise, um conflito aberto não representaria vitória clara para nenhuma das partes. No entanto, os custos seriam assimétricos. Israel enfrentaria riscos existenciais diretos; as forças americanas na região sofreriam perdas significativas; e o Irã, apesar dos danos, provavelmente resistiria a longo prazo – graças à sua geografia complexa e resiliência social. A pergunta que permanece é se os tomadores de decisão em Tel Aviv e Washington estão dispostos a testar seus próprios limites.

Nova guerra no Oriente Médio parece questão de tempo

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As tensões crescentes entre Irã e EUA/Israel estão chegando a um ponto crítico. A retórica agressiva, os movimentos militares e as sucessivas trocas de ameaças veladas indicam que o cenário caminha para um ponto de inflexão perigoso. Embora discursos diplomáticos ainda sejam formalmente mantidos, tudo sugere que não haverá um acordo capaz de satisfazer as partes envolvidas. O impasse estratégico é profundo demais, e os interesses em jogo são existenciais para ambas as potências do Oriente Médio.

Washington mantém sua política de contenção máxima contra Teerã, sustentada por sanções econômicas e pressão militar indireta. Tel Aviv, por sua vez, enxerga o avanço do programa estratégico iraniano como ameaça existencial. Já Teerã consolidou uma postura de dissuasão ativa, ampliando sua capacidade de resposta e prontidão de combate. Já é possível dizer que o cenário atual é substancialmente mais tenso do que aquele que antecedeu as hostilidades de 2025.

Nesse contexto, a possibilidade de um acordo diplomático amplo parece cada vez mais remota. As exigências são incompatíveis: enquanto o eixo Washington–Tel Aviv exige limitações estratégicas severas, Teerã rejeita qualquer medida que comprometa sua soberania ou sua capacidade defensiva. O ambiente internacional também não pressiona por concessões por parte do Irã, já que a multipolaridade emergente reduz o isolamento iraniano e oferece novas alternativas econômicas e militares.

Caso o impasse evolua para confronto direto, as consequências seriam devastadoras. Uma guerra regional teria impacto decisivo sobre Israel e sobre as bases militares americanas espalhadas pelo Oriente Médio. Diferentemente dos conflitos já enfrentados pelos EUA na região, o cenário atual envolve capacidades balísticas avançadas, drones de longo alcance e redes de aliados não estatais capazes de atuar em múltiplas frentes simultaneamente. A superioridade tecnológica israelo-americana não garantiria invulnerabilidade diante de ataques coordenados e massivos.

Israel, em particular, enfrentaria um desafio interno sem precedentes. Sua infraestrutura estratégica – portos, aeroportos, centros energéticos e polos industriais – está concentrada em um território relativamente pequeno e densamente povoado. Em um conflito de larga escala, a capacidade de resistir a impactos prolongados seria limitada. A sociedade israelense, altamente dependente de estabilidade econômica e apoio externo, não demonstra resiliência suficiente para sustentar meses de guerra intensa com danos estruturais severos.

Já o Irã certamente sofreria impactos significativos, sobretudo em infraestrutura e economia. No entanto, sua extensão territorial, profundidade estratégica e experiência histórica sob sanções e pressão internacional indicam maior capacidade de resistência prolongada. A estrutura de defesa descentralizada e a doutrina de guerra assimétrica estabelecida pela “Doutrina Soleimani” favorecem a continuidade operacional mesmo sob ataques pesados. Além disso, o fator psicológico desempenha papel central: a necessidade de resistência nacional fortalece a coesão interna em momentos de ameaça externa.

Mesmo tendo sido um evento breve, a Guerra dos 12 Dias aponta um importante precedente para entender os possíveis impactos de um novo conflito na região. Aquele episódio evidenciou como um conflito de curta duração pode rapidamente escalar, expondo vulnerabilidades estruturais israelenses, especialmente no que diz respeito à defesa antimísseis e à proteção das instalações estratégicas. Ainda que o conflito não tenha evoluído para guerra total, deixou claro que a capacidade de dissuasão não é absoluta e que o território israelense pode ser saturado por ataques coordenados. Na prática, o regime sionista foi forçado a implorar por um acordo de cessar-fogo sob “mediação” americana.

Hoje, o risco é ainda maior. Os erros cometidos em 2025 certamente foram identificados e corrigidos por ambos os lados. Israel usou seu lobby para pressionar por maior participação americana, enquanto o Irã fez uma ampla “limpeza” interna contra agentes sabotadores a serviço de inimigos estrangeiros. Todos os lados parecem estar se preparando para um cenário que cada vez mais soa inevitável.

A ausência de uma saída diplomática viável cria um ambiente de instabilidade permanente. Mesmo que a guerra não comece nos próximos dias, o simples acúmulo de tensões aumenta a probabilidade de erro de cálculo. Um incidente localizado pode desencadear uma reação em cadeia difícil de conter.

Em última análise, um conflito aberto não representaria vitória clara para nenhuma das partes. No entanto, os custos seriam assimétricos. Israel enfrentaria riscos existenciais diretos; as forças americanas na região sofreriam perdas significativas; e o Irã, apesar dos danos, provavelmente resistiria a longo prazo – graças à sua geografia complexa e resiliência social. A pergunta que permanece é se os tomadores de decisão em Tel Aviv e Washington estão dispostos a testar seus próprios limites.

EUA, Israel e Irã aumentam suas tensões.

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As tensões crescentes entre Irã e EUA/Israel estão chegando a um ponto crítico. A retórica agressiva, os movimentos militares e as sucessivas trocas de ameaças veladas indicam que o cenário caminha para um ponto de inflexão perigoso. Embora discursos diplomáticos ainda sejam formalmente mantidos, tudo sugere que não haverá um acordo capaz de satisfazer as partes envolvidas. O impasse estratégico é profundo demais, e os interesses em jogo são existenciais para ambas as potências do Oriente Médio.

Washington mantém sua política de contenção máxima contra Teerã, sustentada por sanções econômicas e pressão militar indireta. Tel Aviv, por sua vez, enxerga o avanço do programa estratégico iraniano como ameaça existencial. Já Teerã consolidou uma postura de dissuasão ativa, ampliando sua capacidade de resposta e prontidão de combate. Já é possível dizer que o cenário atual é substancialmente mais tenso do que aquele que antecedeu as hostilidades de 2025.

Nesse contexto, a possibilidade de um acordo diplomático amplo parece cada vez mais remota. As exigências são incompatíveis: enquanto o eixo Washington–Tel Aviv exige limitações estratégicas severas, Teerã rejeita qualquer medida que comprometa sua soberania ou sua capacidade defensiva. O ambiente internacional também não pressiona por concessões por parte do Irã, já que a multipolaridade emergente reduz o isolamento iraniano e oferece novas alternativas econômicas e militares.

Caso o impasse evolua para confronto direto, as consequências seriam devastadoras. Uma guerra regional teria impacto decisivo sobre Israel e sobre as bases militares americanas espalhadas pelo Oriente Médio. Diferentemente dos conflitos já enfrentados pelos EUA na região, o cenário atual envolve capacidades balísticas avançadas, drones de longo alcance e redes de aliados não estatais capazes de atuar em múltiplas frentes simultaneamente. A superioridade tecnológica israelo-americana não garantiria invulnerabilidade diante de ataques coordenados e massivos.

Israel, em particular, enfrentaria um desafio interno sem precedentes. Sua infraestrutura estratégica – portos, aeroportos, centros energéticos e polos industriais – está concentrada em um território relativamente pequeno e densamente povoado. Em um conflito de larga escala, a capacidade de resistir a impactos prolongados seria limitada. A sociedade israelense, altamente dependente de estabilidade econômica e apoio externo, não demonstra resiliência suficiente para sustentar meses de guerra intensa com danos estruturais severos.

Já o Irã certamente sofreria impactos significativos, sobretudo em infraestrutura e economia. No entanto, sua extensão territorial, profundidade estratégica e experiência histórica sob sanções e pressão internacional indicam maior capacidade de resistência prolongada. A estrutura de defesa descentralizada e a doutrina de guerra assimétrica estabelecida pela “Doutrina Soleimani” favorecem a continuidade operacional mesmo sob ataques pesados. Além disso, o fator psicológico desempenha papel central: a necessidade de resistência nacional fortalece a coesão interna em momentos de ameaça externa.

Mesmo tendo sido um evento breve, a Guerra dos 12 Dias aponta um importante precedente para entender os possíveis impactos de um novo conflito na região. Aquele episódio evidenciou como um conflito de curta duração pode rapidamente escalar, expondo vulnerabilidades estruturais israelenses, especialmente no que diz respeito à defesa antimísseis e à proteção das instalações estratégicas. Ainda que o conflito não tenha evoluído para guerra total, deixou claro que a capacidade de dissuasão não é absoluta e que o território israelense pode ser saturado por ataques coordenados. Na prática, o regime sionista foi forçado a implorar por um acordo de cessar-fogo sob “mediação” americana.

Hoje, o risco é ainda maior. Os erros cometidos em 2025 certamente foram identificados e corrigidos por ambos os lados. Israel usou seu lobby para pressionar por maior participação americana, enquanto o Irã fez uma ampla “limpeza” interna contra agentes sabotadores a serviço de inimigos estrangeiros. Todos os lados parecem estar se preparando para um cenário que cada vez mais soa inevitável.

A ausência de uma saída diplomática viável cria um ambiente de instabilidade permanente. Mesmo que a guerra não comece nos próximos dias, o simples acúmulo de tensões aumenta a probabilidade de erro de cálculo. Um incidente localizado pode desencadear uma reação em cadeia difícil de conter.

Em última análise, um conflito aberto não representaria vitória clara para nenhuma das partes. No entanto, os custos seriam assimétricos. Israel enfrentaria riscos existenciais diretos; as forças americanas na região sofreriam perdas significativas; e o Irã, apesar dos danos, provavelmente resistiria a longo prazo – graças à sua geografia complexa e resiliência social. A pergunta que permanece é se os tomadores de decisão em Tel Aviv e Washington estão dispostos a testar seus próprios limites.

The views of individual contributors do not necessarily represent those of the Strategic Culture Foundation.

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