Português
José Goulão
April 5, 2025
© Photo: Public domain

Sob a tutela de Putin e Trump, entre os quais continua a existir um diferendo limitador relacionado com o cessar-fogo, o cenário de hipotéticas negociações formais é ainda um magma de contradições que, até aqui, têm sido insanáveis.

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E o feitiço está a virar-se contra o feiticeiro.

Os inspiradores, condutores e financiadores do golpe de Estado de 2014 na Praça Maidan, em Kiev, estão a sofrer as consequências desse atentado grosseiro contra a democracia montado exclusivamente para defender interesses alheios aos do povo ucraniano e estender o campo de acção da NATO até às fronteiras da Rússia.

O Ocidente está em choque com a derrocada de pilares que sustentam as alianças transatlânticas, que pareciam sólidas, como se correspondessem a um devir histórico, e afinal são vulneráveis quando os interesses contraditórios envolvidos finalmente entram em conflito. O que Davos tem vindo a construir tão laboriosamente com golpes, manipulação e propaganda no sentido do globalismo, a situação actual, sobretudo depois da eleição de Donald Trump, veio agora atrapalhar.

Não poderá dizer-se que se trata de um caso de zanga entra comadres. É muito mais uma ruptura do tipo de relações habituais mantidas numa teia mafiosa entre o Padrinho e os seus Cappos.

Como ainda recentemente – em termos históricos – aconteceu no Afeganistão, os Estados Unidos estão em debandada da Ucrânia, arrastando consigo uma NATO atónita e dentro da qual o secretário-geral não sabe o que há-de dizer, a não ser dislates em que consegue pronunciar considerações e as suas contrárias numa mesma intervenção.

À fuga norte-americana das consequências da situação que criou há 11 anos em Kiev, e que custaram, logo para começar, cinco mil milhões de dólares à Fazenda de Washington, segundo versão oficial, corresponde a entrada numa fase ainda mais grave da longa agonia que antecede a morte da União Europeia. Enredada nos laços que criou por se ter envolvido, desde o primeiro momento, no apoio acrítico ao regime totalitário nazi-banderista instituído através do golpe, os 27 ficam agora com o menino nos braços e sem o direito a negociar soluções. Continuam a proclamar que apoiarão até às últimas consequências a casta corrupta e criminosa da qual a figura mais visível é o presidente ilegítimo Zelensky, de modo a “que a Ucrânia vença”.

Para alimentar a ilusão de que irão alcançar esse objectivo, cultivam a ideia insana de enviar tropas com uma dimensão de efectivos que não têm; dispõem-se a mandar dinheiro em cima do que já voou em anteriores donativos para as contas da seita nazi e que agora também não possuem porque cumprem com obediência canina as sanções à Rússia decretadas pelos Estados Unidos; e consideram-se obrigados a encaminhar ainda mais armas para o regime ucraniano com os seus próprios arsenais já esvaziados. E se, com risco do seu próprio futuro a curto prazo, quiserem continuar com essa “democrática” missão, vão ter de comprar armamento aos senhores norte-americanos da morte, que já esfregam as mãos antecipando mais esse bónus.

Estes órfãos de Washington, que durante anos a fio abdicaram de ter voz e agora pretendem falar grosso mas têm as cordas vocais enferrujadas, ainda não perceberam o alcance dos problemas em que os atingem. A situação traz à superfície, mais uma vez, aquela velha sentença do sábio Henry Kissinger: “Ser inimigo da América é perigoso; mas ser amigo é fatal”.

O vice-presidente norte-americano JD Vance, usando o púlpito da chamada “conferência de segurança” de Munique, começou por dar o tom dos novos tempos e humilhou os dirigentes europeus. Diagnosticou que “a principal ameaça à Europa vem de dentro, não da Rússia ou da China” e pôs em evidência a ostensiva sabujice dos dirigentes da União Europeia em relação a tudo quanto se decide em Washington, incluindo a maneira suicida como se emaranharam na teia tecida pelos nazi-banderistas de Kiev, confiando em que a tutela norte-americana sobre a situação seria garantida enquanto necessária.

Os argumentos de Vance para chegar a esta conclusão são de um reacionarismo ultramontano e atroz, o que destroça ainda mais o abalado prestígio da União Europeia ao seguir obedientemente Washington. Porém, num dos argumentos explicitados o vice-presidente norte-americano tem alguma razão. Não se esqueceu a anulação das eleições presidenciais na Roménia e ensinou aos europeus que “podemos aceitar que é errado a Rússia comprar anúncios nas redes sociais para influenciar as vossas eleições, mas se a vossa democracia pode ser posta em causa por algumas centenas de milhares de dólares em publicidade digital de um país estrangeiro, então não é assim tão forte”.

Os dirigentes europeus que assistiram em directo a esta exibição do representante trauliteiro do nacionalismo imperial arengando aos suseranos ficaram em choque, acharam que não mereciam tamanha ingratidão.

“Pode ficar registado na História que este foi um dia negro para a Europa”, queixou-se amargamente Marko Mikkelson, presidente do Parlamento da Estónia; a sua pobre compatriota Kaja Kallas, em missão de serviço como chefe da “política externa” da União Europeia, ficou estarrecida com o facto de os Estados Unidos estarem “em confronto” com a Europa.

O diário britânico “The Telegraph” decidiu resumir o desgosto de todos na sua manchete: “Agora é o mundo de Putin e Trump. Estados Unidos deixaram de estar interessados em garantir a segurança na Ucrânia e na Europa”.

De cabeça perdida

As notícias sobre os contactos entre Donald Trump e Vladimir Putin, que ainda pouco ou nada avançaram, por exemplo em relação a uma “paz” na Ucrânia, porém, são suficientes para deixar os países da União Europeia e os dirigentes não eleitos desta organização de cabeça perdida, isolados numa espécie de manicómio. O que os deixa à beira de um ataque de nervos é a interpretação segundo a qual o actual formato de conversações os deixa isolados na tarefa de apoiar o regime ucraniano sem terem uma palavra a dizer na procura de uma solução para pacificar o país.

Os eurocratas, tecnocratas e autocratas de Bruxelas ficaram incomodados com o facto de Zelensky também ter sido posto de lado, em parte porque Trump e Putin parecem de acordo quanto à ilegitimidade da sua presença na presidência em Kiev. O presidente norte-americano manifestou-se até céptico quanto ao futuro político do chefe formal do nazi-banderismo comentando que, numa perspectiva eleitoral, “os seus números nas sondagens não são óptimos, para dizer o mínimo”.

Se algumas intenções atribuídas a Trump não forem por este invalidadas, conhecidas que são as suas tendências contumazes para a mentira e a incoerência, Putin terá obtido já a aceitação de duas das exigências russas em relação a um eventual plano de paz: a impossibilidade de regresso às fronteiras de 2014 – a inclusão de quatro oblasts (províncias) no território russo parece ter sido uma hipótese levantada; e a Ucrânia não fará parte da NATO, travando-se assim a expansão da aliança para Leste. E tudo o que a União Europeia pretenda fazer para tentar impedir a concretização destas realidades tropeçará na sua própria insignificância.

A rejeição da adesão da Ucrânia à NATO deixa a União Europeia à beira da catástrofe no caso de avançar por sua conta e risco para uma guerra contra a Rússia para defender, em desespero, a ditadura nazi-banderista de Kiev. O artigo 5º do Tratado do Atlântico, que implica uma resposta de toda a aliança no caso de um membro ser atacado, não será agora válido para quaisquer tropas europeias que pretendam instalar-se na Ucrânia.

A União Europeia, contudo, continua a insistir nesta intenção, embora entre os 27 haja quem comece a levar a sério as declarações do chefe do Kremlin. Além disso, as populações dos 27 começam a manifestar sérias inquietações quanto a uma eventual campanha militar decidida pelos seus chefes. Em Portugal, por exemplo, uma recentíssima sondagem revelou que a maioria dos inquiridos pode ser favorável a um “exército europeu” mas não está, de maneira alguma, de acordo com a restauração do serviço militar obrigatório.

Na verdade, o exército russo que, segundo perspectivas comuns na Europa, mal saíra ainda da Idade Média e a carência de armamento era tal que os soldados se viam obrigados a usar utensílios agrícolas do género de pás, forquilhas e ancinhos, ou mesmo peças de máquinas de lavar como munições, transfigurou-se, de um momento para o outro, num terrível e gigantesco monstro de eficácia.

Ouçamos o ministro da Defesa da Lituânia, Davilé Sakaliené: “As capacidades militares russas já são três vezes maiores do que eram quando começou a invasão da Ucrânia em larga escala há três anos; e tudo isso aconteceu num contexto de guerra activa”.

E o próprio Volodimyr Zelensky, que durante meses e meses se declarou à beira da vitória contra as incapazes e saloias tropas russas, garante agora que “depois da queda da Ucrânia a Rússia ocupará a totalidade da Europa com toda a facilidade”.

Pelo que a Europa, segundo a publicação alemã “Die Welt”, tem um problema. Diz-se que a “força de paz” necessita de pelo menos 120 mil efectivos no terreno mas os países europeus, segundo aquela fonte, não seriam capazes de mobilizar mais de 25 mil.

O bom senso que escasseia em Bruxelas

Nas conversações efectuadas até agora, Trump e Putin terão concordado em que “o bom senso” deverá prevalecer no caminho para negociações e a celebração um eventual tratado de paz nesta guerra ucraniana que, “numa presidência minha nunca teria existido”, disse o dirigente norte-americano. Ora bom senso é o que mais falta à desorientada casta dirigente da União Europeia, o que é mais uma razão, juntamente com as pulsões belicistas, para ser mantida à margem de quaisquer negociações.

Não tenhamos, contudo, grandes ilusões nem dúvidas porque, na situação em que as coisas ainda estão, mais de um milhão de mortos depois a paz na Ucrânia continua longínqua.

Sob a tutela de Putin e Trump, entre os quais continua a existir um diferendo limitador relacionado com o cessar-fogo, o cenário de hipotéticas negociações formais é ainda um magma de contradições que, até aqui, têm sido insanáveis. A Rússia, porém, é a parte que menos pressa tem, talvez convicta de que o tempo joga a seu favor para prosseguir os avanços militares e reforçar o poder negocial. Daí, por sua vez, a urgência de Trump num cessar-fogo.

Velhas alianças afundam-se no Atlântico

Sob a tutela de Putin e Trump, entre os quais continua a existir um diferendo limitador relacionado com o cessar-fogo, o cenário de hipotéticas negociações formais é ainda um magma de contradições que, até aqui, têm sido insanáveis.

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E o feitiço está a virar-se contra o feiticeiro.

Os inspiradores, condutores e financiadores do golpe de Estado de 2014 na Praça Maidan, em Kiev, estão a sofrer as consequências desse atentado grosseiro contra a democracia montado exclusivamente para defender interesses alheios aos do povo ucraniano e estender o campo de acção da NATO até às fronteiras da Rússia.

O Ocidente está em choque com a derrocada de pilares que sustentam as alianças transatlânticas, que pareciam sólidas, como se correspondessem a um devir histórico, e afinal são vulneráveis quando os interesses contraditórios envolvidos finalmente entram em conflito. O que Davos tem vindo a construir tão laboriosamente com golpes, manipulação e propaganda no sentido do globalismo, a situação actual, sobretudo depois da eleição de Donald Trump, veio agora atrapalhar.

Não poderá dizer-se que se trata de um caso de zanga entra comadres. É muito mais uma ruptura do tipo de relações habituais mantidas numa teia mafiosa entre o Padrinho e os seus Cappos.

Como ainda recentemente – em termos históricos – aconteceu no Afeganistão, os Estados Unidos estão em debandada da Ucrânia, arrastando consigo uma NATO atónita e dentro da qual o secretário-geral não sabe o que há-de dizer, a não ser dislates em que consegue pronunciar considerações e as suas contrárias numa mesma intervenção.

À fuga norte-americana das consequências da situação que criou há 11 anos em Kiev, e que custaram, logo para começar, cinco mil milhões de dólares à Fazenda de Washington, segundo versão oficial, corresponde a entrada numa fase ainda mais grave da longa agonia que antecede a morte da União Europeia. Enredada nos laços que criou por se ter envolvido, desde o primeiro momento, no apoio acrítico ao regime totalitário nazi-banderista instituído através do golpe, os 27 ficam agora com o menino nos braços e sem o direito a negociar soluções. Continuam a proclamar que apoiarão até às últimas consequências a casta corrupta e criminosa da qual a figura mais visível é o presidente ilegítimo Zelensky, de modo a “que a Ucrânia vença”.

Para alimentar a ilusão de que irão alcançar esse objectivo, cultivam a ideia insana de enviar tropas com uma dimensão de efectivos que não têm; dispõem-se a mandar dinheiro em cima do que já voou em anteriores donativos para as contas da seita nazi e que agora também não possuem porque cumprem com obediência canina as sanções à Rússia decretadas pelos Estados Unidos; e consideram-se obrigados a encaminhar ainda mais armas para o regime ucraniano com os seus próprios arsenais já esvaziados. E se, com risco do seu próprio futuro a curto prazo, quiserem continuar com essa “democrática” missão, vão ter de comprar armamento aos senhores norte-americanos da morte, que já esfregam as mãos antecipando mais esse bónus.

Estes órfãos de Washington, que durante anos a fio abdicaram de ter voz e agora pretendem falar grosso mas têm as cordas vocais enferrujadas, ainda não perceberam o alcance dos problemas em que os atingem. A situação traz à superfície, mais uma vez, aquela velha sentença do sábio Henry Kissinger: “Ser inimigo da América é perigoso; mas ser amigo é fatal”.

O vice-presidente norte-americano JD Vance, usando o púlpito da chamada “conferência de segurança” de Munique, começou por dar o tom dos novos tempos e humilhou os dirigentes europeus. Diagnosticou que “a principal ameaça à Europa vem de dentro, não da Rússia ou da China” e pôs em evidência a ostensiva sabujice dos dirigentes da União Europeia em relação a tudo quanto se decide em Washington, incluindo a maneira suicida como se emaranharam na teia tecida pelos nazi-banderistas de Kiev, confiando em que a tutela norte-americana sobre a situação seria garantida enquanto necessária.

Os argumentos de Vance para chegar a esta conclusão são de um reacionarismo ultramontano e atroz, o que destroça ainda mais o abalado prestígio da União Europeia ao seguir obedientemente Washington. Porém, num dos argumentos explicitados o vice-presidente norte-americano tem alguma razão. Não se esqueceu a anulação das eleições presidenciais na Roménia e ensinou aos europeus que “podemos aceitar que é errado a Rússia comprar anúncios nas redes sociais para influenciar as vossas eleições, mas se a vossa democracia pode ser posta em causa por algumas centenas de milhares de dólares em publicidade digital de um país estrangeiro, então não é assim tão forte”.

Os dirigentes europeus que assistiram em directo a esta exibição do representante trauliteiro do nacionalismo imperial arengando aos suseranos ficaram em choque, acharam que não mereciam tamanha ingratidão.

“Pode ficar registado na História que este foi um dia negro para a Europa”, queixou-se amargamente Marko Mikkelson, presidente do Parlamento da Estónia; a sua pobre compatriota Kaja Kallas, em missão de serviço como chefe da “política externa” da União Europeia, ficou estarrecida com o facto de os Estados Unidos estarem “em confronto” com a Europa.

O diário britânico “The Telegraph” decidiu resumir o desgosto de todos na sua manchete: “Agora é o mundo de Putin e Trump. Estados Unidos deixaram de estar interessados em garantir a segurança na Ucrânia e na Europa”.

De cabeça perdida

As notícias sobre os contactos entre Donald Trump e Vladimir Putin, que ainda pouco ou nada avançaram, por exemplo em relação a uma “paz” na Ucrânia, porém, são suficientes para deixar os países da União Europeia e os dirigentes não eleitos desta organização de cabeça perdida, isolados numa espécie de manicómio. O que os deixa à beira de um ataque de nervos é a interpretação segundo a qual o actual formato de conversações os deixa isolados na tarefa de apoiar o regime ucraniano sem terem uma palavra a dizer na procura de uma solução para pacificar o país.

Os eurocratas, tecnocratas e autocratas de Bruxelas ficaram incomodados com o facto de Zelensky também ter sido posto de lado, em parte porque Trump e Putin parecem de acordo quanto à ilegitimidade da sua presença na presidência em Kiev. O presidente norte-americano manifestou-se até céptico quanto ao futuro político do chefe formal do nazi-banderismo comentando que, numa perspectiva eleitoral, “os seus números nas sondagens não são óptimos, para dizer o mínimo”.

Se algumas intenções atribuídas a Trump não forem por este invalidadas, conhecidas que são as suas tendências contumazes para a mentira e a incoerência, Putin terá obtido já a aceitação de duas das exigências russas em relação a um eventual plano de paz: a impossibilidade de regresso às fronteiras de 2014 – a inclusão de quatro oblasts (províncias) no território russo parece ter sido uma hipótese levantada; e a Ucrânia não fará parte da NATO, travando-se assim a expansão da aliança para Leste. E tudo o que a União Europeia pretenda fazer para tentar impedir a concretização destas realidades tropeçará na sua própria insignificância.

A rejeição da adesão da Ucrânia à NATO deixa a União Europeia à beira da catástrofe no caso de avançar por sua conta e risco para uma guerra contra a Rússia para defender, em desespero, a ditadura nazi-banderista de Kiev. O artigo 5º do Tratado do Atlântico, que implica uma resposta de toda a aliança no caso de um membro ser atacado, não será agora válido para quaisquer tropas europeias que pretendam instalar-se na Ucrânia.

A União Europeia, contudo, continua a insistir nesta intenção, embora entre os 27 haja quem comece a levar a sério as declarações do chefe do Kremlin. Além disso, as populações dos 27 começam a manifestar sérias inquietações quanto a uma eventual campanha militar decidida pelos seus chefes. Em Portugal, por exemplo, uma recentíssima sondagem revelou que a maioria dos inquiridos pode ser favorável a um “exército europeu” mas não está, de maneira alguma, de acordo com a restauração do serviço militar obrigatório.

Na verdade, o exército russo que, segundo perspectivas comuns na Europa, mal saíra ainda da Idade Média e a carência de armamento era tal que os soldados se viam obrigados a usar utensílios agrícolas do género de pás, forquilhas e ancinhos, ou mesmo peças de máquinas de lavar como munições, transfigurou-se, de um momento para o outro, num terrível e gigantesco monstro de eficácia.

Ouçamos o ministro da Defesa da Lituânia, Davilé Sakaliené: “As capacidades militares russas já são três vezes maiores do que eram quando começou a invasão da Ucrânia em larga escala há três anos; e tudo isso aconteceu num contexto de guerra activa”.

E o próprio Volodimyr Zelensky, que durante meses e meses se declarou à beira da vitória contra as incapazes e saloias tropas russas, garante agora que “depois da queda da Ucrânia a Rússia ocupará a totalidade da Europa com toda a facilidade”.

Pelo que a Europa, segundo a publicação alemã “Die Welt”, tem um problema. Diz-se que a “força de paz” necessita de pelo menos 120 mil efectivos no terreno mas os países europeus, segundo aquela fonte, não seriam capazes de mobilizar mais de 25 mil.

O bom senso que escasseia em Bruxelas

Nas conversações efectuadas até agora, Trump e Putin terão concordado em que “o bom senso” deverá prevalecer no caminho para negociações e a celebração um eventual tratado de paz nesta guerra ucraniana que, “numa presidência minha nunca teria existido”, disse o dirigente norte-americano. Ora bom senso é o que mais falta à desorientada casta dirigente da União Europeia, o que é mais uma razão, juntamente com as pulsões belicistas, para ser mantida à margem de quaisquer negociações.

Não tenhamos, contudo, grandes ilusões nem dúvidas porque, na situação em que as coisas ainda estão, mais de um milhão de mortos depois a paz na Ucrânia continua longínqua.

Sob a tutela de Putin e Trump, entre os quais continua a existir um diferendo limitador relacionado com o cessar-fogo, o cenário de hipotéticas negociações formais é ainda um magma de contradições que, até aqui, têm sido insanáveis. A Rússia, porém, é a parte que menos pressa tem, talvez convicta de que o tempo joga a seu favor para prosseguir os avanços militares e reforçar o poder negocial. Daí, por sua vez, a urgência de Trump num cessar-fogo.

Sob a tutela de Putin e Trump, entre os quais continua a existir um diferendo limitador relacionado com o cessar-fogo, o cenário de hipotéticas negociações formais é ainda um magma de contradições que, até aqui, têm sido insanáveis.

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E o feitiço está a virar-se contra o feiticeiro.

Os inspiradores, condutores e financiadores do golpe de Estado de 2014 na Praça Maidan, em Kiev, estão a sofrer as consequências desse atentado grosseiro contra a democracia montado exclusivamente para defender interesses alheios aos do povo ucraniano e estender o campo de acção da NATO até às fronteiras da Rússia.

O Ocidente está em choque com a derrocada de pilares que sustentam as alianças transatlânticas, que pareciam sólidas, como se correspondessem a um devir histórico, e afinal são vulneráveis quando os interesses contraditórios envolvidos finalmente entram em conflito. O que Davos tem vindo a construir tão laboriosamente com golpes, manipulação e propaganda no sentido do globalismo, a situação actual, sobretudo depois da eleição de Donald Trump, veio agora atrapalhar.

Não poderá dizer-se que se trata de um caso de zanga entra comadres. É muito mais uma ruptura do tipo de relações habituais mantidas numa teia mafiosa entre o Padrinho e os seus Cappos.

Como ainda recentemente – em termos históricos – aconteceu no Afeganistão, os Estados Unidos estão em debandada da Ucrânia, arrastando consigo uma NATO atónita e dentro da qual o secretário-geral não sabe o que há-de dizer, a não ser dislates em que consegue pronunciar considerações e as suas contrárias numa mesma intervenção.

À fuga norte-americana das consequências da situação que criou há 11 anos em Kiev, e que custaram, logo para começar, cinco mil milhões de dólares à Fazenda de Washington, segundo versão oficial, corresponde a entrada numa fase ainda mais grave da longa agonia que antecede a morte da União Europeia. Enredada nos laços que criou por se ter envolvido, desde o primeiro momento, no apoio acrítico ao regime totalitário nazi-banderista instituído através do golpe, os 27 ficam agora com o menino nos braços e sem o direito a negociar soluções. Continuam a proclamar que apoiarão até às últimas consequências a casta corrupta e criminosa da qual a figura mais visível é o presidente ilegítimo Zelensky, de modo a “que a Ucrânia vença”.

Para alimentar a ilusão de que irão alcançar esse objectivo, cultivam a ideia insana de enviar tropas com uma dimensão de efectivos que não têm; dispõem-se a mandar dinheiro em cima do que já voou em anteriores donativos para as contas da seita nazi e que agora também não possuem porque cumprem com obediência canina as sanções à Rússia decretadas pelos Estados Unidos; e consideram-se obrigados a encaminhar ainda mais armas para o regime ucraniano com os seus próprios arsenais já esvaziados. E se, com risco do seu próprio futuro a curto prazo, quiserem continuar com essa “democrática” missão, vão ter de comprar armamento aos senhores norte-americanos da morte, que já esfregam as mãos antecipando mais esse bónus.

Estes órfãos de Washington, que durante anos a fio abdicaram de ter voz e agora pretendem falar grosso mas têm as cordas vocais enferrujadas, ainda não perceberam o alcance dos problemas em que os atingem. A situação traz à superfície, mais uma vez, aquela velha sentença do sábio Henry Kissinger: “Ser inimigo da América é perigoso; mas ser amigo é fatal”.

O vice-presidente norte-americano JD Vance, usando o púlpito da chamada “conferência de segurança” de Munique, começou por dar o tom dos novos tempos e humilhou os dirigentes europeus. Diagnosticou que “a principal ameaça à Europa vem de dentro, não da Rússia ou da China” e pôs em evidência a ostensiva sabujice dos dirigentes da União Europeia em relação a tudo quanto se decide em Washington, incluindo a maneira suicida como se emaranharam na teia tecida pelos nazi-banderistas de Kiev, confiando em que a tutela norte-americana sobre a situação seria garantida enquanto necessária.

Os argumentos de Vance para chegar a esta conclusão são de um reacionarismo ultramontano e atroz, o que destroça ainda mais o abalado prestígio da União Europeia ao seguir obedientemente Washington. Porém, num dos argumentos explicitados o vice-presidente norte-americano tem alguma razão. Não se esqueceu a anulação das eleições presidenciais na Roménia e ensinou aos europeus que “podemos aceitar que é errado a Rússia comprar anúncios nas redes sociais para influenciar as vossas eleições, mas se a vossa democracia pode ser posta em causa por algumas centenas de milhares de dólares em publicidade digital de um país estrangeiro, então não é assim tão forte”.

Os dirigentes europeus que assistiram em directo a esta exibição do representante trauliteiro do nacionalismo imperial arengando aos suseranos ficaram em choque, acharam que não mereciam tamanha ingratidão.

“Pode ficar registado na História que este foi um dia negro para a Europa”, queixou-se amargamente Marko Mikkelson, presidente do Parlamento da Estónia; a sua pobre compatriota Kaja Kallas, em missão de serviço como chefe da “política externa” da União Europeia, ficou estarrecida com o facto de os Estados Unidos estarem “em confronto” com a Europa.

O diário britânico “The Telegraph” decidiu resumir o desgosto de todos na sua manchete: “Agora é o mundo de Putin e Trump. Estados Unidos deixaram de estar interessados em garantir a segurança na Ucrânia e na Europa”.

De cabeça perdida

As notícias sobre os contactos entre Donald Trump e Vladimir Putin, que ainda pouco ou nada avançaram, por exemplo em relação a uma “paz” na Ucrânia, porém, são suficientes para deixar os países da União Europeia e os dirigentes não eleitos desta organização de cabeça perdida, isolados numa espécie de manicómio. O que os deixa à beira de um ataque de nervos é a interpretação segundo a qual o actual formato de conversações os deixa isolados na tarefa de apoiar o regime ucraniano sem terem uma palavra a dizer na procura de uma solução para pacificar o país.

Os eurocratas, tecnocratas e autocratas de Bruxelas ficaram incomodados com o facto de Zelensky também ter sido posto de lado, em parte porque Trump e Putin parecem de acordo quanto à ilegitimidade da sua presença na presidência em Kiev. O presidente norte-americano manifestou-se até céptico quanto ao futuro político do chefe formal do nazi-banderismo comentando que, numa perspectiva eleitoral, “os seus números nas sondagens não são óptimos, para dizer o mínimo”.

Se algumas intenções atribuídas a Trump não forem por este invalidadas, conhecidas que são as suas tendências contumazes para a mentira e a incoerência, Putin terá obtido já a aceitação de duas das exigências russas em relação a um eventual plano de paz: a impossibilidade de regresso às fronteiras de 2014 – a inclusão de quatro oblasts (províncias) no território russo parece ter sido uma hipótese levantada; e a Ucrânia não fará parte da NATO, travando-se assim a expansão da aliança para Leste. E tudo o que a União Europeia pretenda fazer para tentar impedir a concretização destas realidades tropeçará na sua própria insignificância.

A rejeição da adesão da Ucrânia à NATO deixa a União Europeia à beira da catástrofe no caso de avançar por sua conta e risco para uma guerra contra a Rússia para defender, em desespero, a ditadura nazi-banderista de Kiev. O artigo 5º do Tratado do Atlântico, que implica uma resposta de toda a aliança no caso de um membro ser atacado, não será agora válido para quaisquer tropas europeias que pretendam instalar-se na Ucrânia.

A União Europeia, contudo, continua a insistir nesta intenção, embora entre os 27 haja quem comece a levar a sério as declarações do chefe do Kremlin. Além disso, as populações dos 27 começam a manifestar sérias inquietações quanto a uma eventual campanha militar decidida pelos seus chefes. Em Portugal, por exemplo, uma recentíssima sondagem revelou que a maioria dos inquiridos pode ser favorável a um “exército europeu” mas não está, de maneira alguma, de acordo com a restauração do serviço militar obrigatório.

Na verdade, o exército russo que, segundo perspectivas comuns na Europa, mal saíra ainda da Idade Média e a carência de armamento era tal que os soldados se viam obrigados a usar utensílios agrícolas do género de pás, forquilhas e ancinhos, ou mesmo peças de máquinas de lavar como munições, transfigurou-se, de um momento para o outro, num terrível e gigantesco monstro de eficácia.

Ouçamos o ministro da Defesa da Lituânia, Davilé Sakaliené: “As capacidades militares russas já são três vezes maiores do que eram quando começou a invasão da Ucrânia em larga escala há três anos; e tudo isso aconteceu num contexto de guerra activa”.

E o próprio Volodimyr Zelensky, que durante meses e meses se declarou à beira da vitória contra as incapazes e saloias tropas russas, garante agora que “depois da queda da Ucrânia a Rússia ocupará a totalidade da Europa com toda a facilidade”.

Pelo que a Europa, segundo a publicação alemã “Die Welt”, tem um problema. Diz-se que a “força de paz” necessita de pelo menos 120 mil efectivos no terreno mas os países europeus, segundo aquela fonte, não seriam capazes de mobilizar mais de 25 mil.

O bom senso que escasseia em Bruxelas

Nas conversações efectuadas até agora, Trump e Putin terão concordado em que “o bom senso” deverá prevalecer no caminho para negociações e a celebração um eventual tratado de paz nesta guerra ucraniana que, “numa presidência minha nunca teria existido”, disse o dirigente norte-americano. Ora bom senso é o que mais falta à desorientada casta dirigente da União Europeia, o que é mais uma razão, juntamente com as pulsões belicistas, para ser mantida à margem de quaisquer negociações.

Não tenhamos, contudo, grandes ilusões nem dúvidas porque, na situação em que as coisas ainda estão, mais de um milhão de mortos depois a paz na Ucrânia continua longínqua.

Sob a tutela de Putin e Trump, entre os quais continua a existir um diferendo limitador relacionado com o cessar-fogo, o cenário de hipotéticas negociações formais é ainda um magma de contradições que, até aqui, têm sido insanáveis. A Rússia, porém, é a parte que menos pressa tem, talvez convicta de que o tempo joga a seu favor para prosseguir os avanços militares e reforçar o poder negocial. Daí, por sua vez, a urgência de Trump num cessar-fogo.

The views of individual contributors do not necessarily represent those of the Strategic Culture Foundation.

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