Português
Hugo Dionísio
July 9, 2024
© Photo: Public domain

Escreva para nós: info@strategic-culture.su

As últimas semanas constituem um capítulo profundamente esclarecedor, quanto às razões explicativas da crise da apelidada “democracia liberal” e dos problemas profundos que afectam o ocidente e a União Europeia, em particular. Seja o debate Trump/Biden que nos diz que quem está ao leme não dá a cara, e quem dá a cara, não está ao leme; sejam as eleições na EU, que demonstram a contradição entre um “centro” político monolítico e as necessidades das suas populações; nos dois casos, constatamos a crescente obsolescência do sistema político para fazer face aos desafios anunciados, bem como o esgotamento real das “soluções” que preconiza.

Consequência profunda desse esgotamento, verifica-se a ausência de uma estratégia de futuro que não passe por um conturbado navegar à vista e uma total falta de base material que justifique as decisões políticas que se vão tomando, todas resultando em fracasso após fracasso. É absolutamente incrível que se consiga falhar tanto e tantas vezes. As medidas aplicadas pelos EUA, e mimetizadas pela EU contra os seus adversários, não apenas falham, como têm, reiteradamente, os efeitos inversos aos enunciados. Não obstante, elas permanecem imutáveis.

Para confirmar esta verdade, recentemente, a União Europeia decidiu aplicar tarifas aos cereais da Rússia e Bielorrússia. Para além do disparate tremendo que é, num contexto de crise, caracterizado pela necessidade de controlo da inflação e preço elevado dos fatores de produção, a EU decide repetir a receita aplicada ao gás e contribuir para o encarecimento da alimentação. O objectivo de redução das importações de cereais, provindos destes países, está relacionado, segundo a burocracia europeia, com o objectivo de negar à Rússia rendimentos económicos. Tomando como exemplo o que tem sucedido com as sanções, resta-me perguntar se, para derrotar a Rússia, não teremos de morrer todos à fome primeiro.

Exemplo do que é que o monolitismo e inamovibilidade deste “centro” político, construído a partir e à imagem de Washington, através do recurso às ONG’s, à academia, Think Thank e dos organismos internacionais, é a própria designação de Úrsula Von Der Leyen e António Costa. Alguém explique, por favor, com base em que escrutínio é que esta senhora voltou a ser escolhida para Presidente da Comissão! Qual foi a dimensão democrática em que a senhora foi bem-sucedida, a não ser na replicação cega, para a União Europeia, da política externa de Washington? E por que razão, a família política dos S&D, aprovou a sua designação? Trocaram pelo o apoio do PPE a António Costa!

Também no caso de António Costa é consagrado o poder deste “centro” político. Depois do seu adversário político e actual Primeiro Ministro português, ter andado, em Portugal, a acusá-lo de incompetência e de ter chefiado um dos piores governos da história democrática portuguesa, porque razão veio, depois, quando se tratou de o designar para o Conselho Europeu, dizer que Costa cumpria todos os requisitos? O facto é que a vida política no ocidente colectivo faz-se, cada vez mais, em circuito fechado, em que a propaganda, ao contrário de antes, já não visa convencer os de fora, a entrar; visa, sim, convencer os dentro, a ficar!

Esta situação demonstra a complexidade do problema e, ao contrário do que muitos querem fazer crer, não basta à União Europeia, ou aos EUA, substituir a classe política comprometida com esta decadência. Pode parecer atractivo pensar que “a culpa é dos políticos”, e que basta mudar os de má qualidade, por outros melhores, e tudo se resolverá. Políticos melhores dependem da subida do nível de consciência das populações e estas ainda estão demasiado recuadas para os poderem produzir, em quantidade e qualidade. Os poucos que existem são rejeitados pelo “centro” político todo poderoso, por não se alinharem com as suas pretensões.

Por isso, lamento desiludir os que vêem uma mudança profunda nos últimos resultados eleitorais. Os resultados eleitorais, caracterizados pela “ameaça” da “extrema” direita, representam, sobretudo, que uma parte crescente da população se sente muito mal. Mas correspondem ainda, a meu ver, a um estado primário de consciência. O discurso político do centro dominante, focado no mal dos outros (“a economia russa está em pedaços”; “A economia chinesa vai cair”, uma e outra vez), já não pode esconder o estado grave em que nos encontramos. As populações começam a perceber que estão doentes, sim, mas ainda não conhecem as causas da doença, quanto mais o caminho da cura.

Para já, e até numa lógica de resistência a qualquer tipo de mudança substancial, as escolhas incidem, sobretudo, em agendas partidárias que apenas abordam questões superficiais (não quer dizer que não tenham importância) sem nunca tocarem no fundamental. Sem nunca colocarem em causa o modelo de exploração económica. Reconheçamos que é mais fácil assumir que a culpa é dos outros, que o mal vem de fora, do que assumir que ele está cá dentro e é profundo!

Seja como for, o movimento eleitoral dirige-se, crescentemente, no sentido do voto nas forças que melhor exprimem este mal sentir, mas que raramente apresentam soluções de fundo para o resolver. Daí que, depois de um apelo de décadas à “moderação centrista”, as populações se sintam impelidas ao “politicamente incorrecto”, confundindo acusações de culpa a terceiros (aos imigrantes, aos ciganos, aos corruptos) e a gritaria com a necessária “mudança”. E é este “politicamente incorrecto” que é exprimido pela dita “extrema direita”. E, em muitos casos, é isso que a distingue, no fundamental, do “centro” político em crise.

Se existe estagnação e inamovibilidade no “centro” político ocidental, tal sucede como resultado da histórica capitulação da social democracia e da sua captura pelos interesses da classe dominante. Tal conduziu a uma concentração, sem precedentes, do poder político (também resultante da concentração da riqueza nos estratos sociais mais ricos), passando, este “centro” político, a funcionar como um cartel ideológico em que as diferenças superficiais não colocam em causa o que os une. Este centro político é “woke” (pensavam que o “wokismo” era esquerda?), partilhando a agenda de Soros; é neoliberal, partilhando a agenda do consenso de Washington; é globalista, partilhando a agenda do Grande Reset do Fórum Económico Mundial.

As diferenças superficiais que constatamos entre um centro esquerda mais “woke” e um centro direita mais neoliberal, não podem ser confundidas entre “direita e esquerda” e ainda menos entre esquerda progressista e direita reaccionária. Elas refletem apenas a abrangência do centro político. Ao invés, essas diferenças perdem expressão perante a ideia de “civilização ocidental neoliberal”, chefiada pelos EUA, e a sua expansão neocolonial, para o resto do mundo, a qual representa o pilar ideológico fundamental que unem as famílias políticas mais poderosas. Vejamos o caso do Reino Unido, em que se circula, ficando parado, entre um partido conservador dominado por multimilionários e um partido trabalhista dominado por empregados de multimilionários. Mas a política de fundo nunca muda.

Para evitar o desgaste, os interesses dominantes recorrem à alternância eleitoralista, criando a aparência de rotatividade, escrutínio e responsabilização democráticas. Contudo, uma vez que o poder está cartelizado entre oligarquias políticas, a alternância tem sido, como se previa, incapaz de traduzir, a rotação alternante, em mudanças políticas concretas. O sistema tornou-se prisioneiro de um mero movimento aparente. Qualquer que seja o sistema político, mais ou menos sufragista, existe algo que decreta a sua morte a prazo: a insusceptibilidade de mudar; o monolitismo ideológico, principalmente perante as dificuldades das populações.

A suposta “moderação” deste centro de poder sempre foi medida através do índice de insusceptibilidade de contestação às directrizes económicas e de política externa, europeias e ocidentais, em especial emanadas de Washington. A grande preocupação dos governos nacionais, pertencentes ao centro político dominante, passou a ser o de, burocraticamente, “cumprir as directrizes europeias”. Já a EU vive obcecada com o alinhamento atlantista. A margem de governação para resolver os problemas dos povos europeus passou a ser mínima. Neste sentido, este “centro” político representa uma forma de extremismo militante atlantista.

Dado o monolitismo deste “centro” político, a sua arrogância e sectarismo, em que não aceitar uma das regras que preconiza significa ficar de fora, a direita que rejeita a guerra é afastada para as margens. E é a partir daqui que se sustenta parte da ideia de “extrema” direita e do seu perigo, não se distinguindo entre “extrema” direita que o é porque rejeita a política externa globalista e de confronto (onde até já vi alinharem Vucic e Fico!!!), e a extrema direita de facto, xenófoba, fascista e atrasada.

Neste sentido, o “centro” político pode ser tão extremista e perigoso como a “extrema direita” de facto, uma vez que é este mesmo “centro moderado” que abraçou o militarismo e pretende a continuação e alargamento da frente de guerra (existe algo pior e mais extremo que a guerra?).

E é aqui que se estabelece a diferença fundamental dos nossos dias entre o “centro moderado”, alguma “extrema” direita e alguma “extrema” esquerda. A oposição à guerra e o apoio ao diálogo com a Rússia. Aspectos que, adicionados ao caso de Orban, que também defende as relações com a China, ameaçam fazer ruir, a estratégia hegemónica Norte Americana, apropriada de forma tão militante pela Comissão europeia de Úrsula Von Der Leyen e pelo seu “centro” político. Para fora da discussão política são chutadas todas as forças de “extrema esquerda” que preconizem a mudança do modelo económico de exploração.

Daí que possamos tirar várias conclusões a partir do histórico dos últimos tempos. Uma, é que este centro político explora, propagandisticamente, uma falsa ideia de “moderação” assumida como o modo de governação característico que, supostamente, reúne e representa as virtudes de todo o espectro político-ideológico. Nada mais falso. Hoje, a questão da guerra contra a Rússia, o apoio ao regime de Kiev e a atitude face à China constituem um autêntico divisor de águas que promete baralhar o espaço político. Mesmo forças políticas abertamente capitalistas defendem o aprofundamento das relações com ambas, na medida em que representam facções que pretendem “surfar” o crescimento destas potências.

A este respeito, é o “centro moderado” que surge como a área política mais extremada e mais incapaz de se conciliar e dialogar com a Federação Russa (totalmente) e com a República Popular da China (crescentemente). Este “centro moderado” assume uma postura totalmente arrogante (nós é que estamos certos, o outro lado está errado); sectária (ou estás connosco ou contra nós) e fracturante (não há diálogo possível). Ao invés, são alguns dos que o “centro” designa como “extremos” que surgem como verdadeiramente moderados.

Outra conclusão decisiva é a de que, face à concorrência sistémica internacional, traduzida no conceito de “Sul Global” (a que devemos chamar de “maioria global”), composto por organizações internacionais como a Organização de Cooperação de Xangai, a União Económica Euroasiática, a ASEAN, os BRICS, União Africana e outras, o Ocidente Colectivo cristalizado, cada vez mais proteccionista, surge em frontal contradição com o movimento de abertura, expansão e desenvolvimento a que se assiste no mundo não ocidental. O “Sul Global”, em movimento de libertação do neocolonialismo dos últimos 100 anos, surge como mais integrador da diversidade do que o Ocidente Colectivo.

O Ocidente Colectivo apenas admite um modelo de governação, na sua versão de exportação, a que todos devem aderir, mais tarde ou mais cedo, se com ele se quiserem relacionar. A não adesão ao modelo cristalizado ocidental implica uma enorme insegurança nas relações, sujeitando o parceiro aderente à possibilidade constante de sanções, revoluções coloridas e demais movimentos de ingerência externa nos seus afazeres. Ao contrário, as organizações do sul global partem de uma premissa mais tolerante e pluralista, admitindo, no seu seio, diferentes visões do mundo e da política, sem que uns queiram, pela menos até ver, impor o seu modelo aos demais.

Não é difícil identificar qual será o modelo mais apto a vingar, evoluir e resultar num encontro inovador de premissas ideológicas que respondam aos problemas da humanidade. Um modelo fechado, impositivo, imposto de cima para baixo, conformador e autoritário, na medida em que não admite outra atitude que não seja a sua aplicação, impondo a destruição das soberanias como condição para uma “libertação” e que sujeita as nações ao poder do seu “centro” político; ou, por outra via, um modelo diverso, em que diferentes sistemas contactam e cooperam entre si, mutuamente aprendendo e retirando dos demais as melhores e mais bem sucedidas aprendizagens, num caldo plural e despretensioso, por isso mesmo, mais propício à inovação e ao progresso, assumidos pelas nações, de forma voluntária e soberana? Ente estas duas visões, afinal, qual é que nos surge como mais moderado, dialogante e equilibrado?

Ao monolitismo extremista do sistema ocidental liberal contrapõe-se, paulatinamente, um novo mundo. Um mundo multipolar e por isso mesmo, mais plural, diverso e inclusivo, logo mais apto a inovar, e inovando, mais apto a desenvolver-se, sobreviver e vencer!

Ao cristalizar-se num centro monolítico, cada vez mais obsoleto, a “democracia” liberal anuncia a sua morte! Quando o “centro” ocupa todo o espectro, deixa de ser “centro” para passar a ser “extremo”.

A crescente obsolescência do “centro” político ocidental!

Escreva para nós: info@strategic-culture.su

As últimas semanas constituem um capítulo profundamente esclarecedor, quanto às razões explicativas da crise da apelidada “democracia liberal” e dos problemas profundos que afectam o ocidente e a União Europeia, em particular. Seja o debate Trump/Biden que nos diz que quem está ao leme não dá a cara, e quem dá a cara, não está ao leme; sejam as eleições na EU, que demonstram a contradição entre um “centro” político monolítico e as necessidades das suas populações; nos dois casos, constatamos a crescente obsolescência do sistema político para fazer face aos desafios anunciados, bem como o esgotamento real das “soluções” que preconiza.

Consequência profunda desse esgotamento, verifica-se a ausência de uma estratégia de futuro que não passe por um conturbado navegar à vista e uma total falta de base material que justifique as decisões políticas que se vão tomando, todas resultando em fracasso após fracasso. É absolutamente incrível que se consiga falhar tanto e tantas vezes. As medidas aplicadas pelos EUA, e mimetizadas pela EU contra os seus adversários, não apenas falham, como têm, reiteradamente, os efeitos inversos aos enunciados. Não obstante, elas permanecem imutáveis.

Para confirmar esta verdade, recentemente, a União Europeia decidiu aplicar tarifas aos cereais da Rússia e Bielorrússia. Para além do disparate tremendo que é, num contexto de crise, caracterizado pela necessidade de controlo da inflação e preço elevado dos fatores de produção, a EU decide repetir a receita aplicada ao gás e contribuir para o encarecimento da alimentação. O objectivo de redução das importações de cereais, provindos destes países, está relacionado, segundo a burocracia europeia, com o objectivo de negar à Rússia rendimentos económicos. Tomando como exemplo o que tem sucedido com as sanções, resta-me perguntar se, para derrotar a Rússia, não teremos de morrer todos à fome primeiro.

Exemplo do que é que o monolitismo e inamovibilidade deste “centro” político, construído a partir e à imagem de Washington, através do recurso às ONG’s, à academia, Think Thank e dos organismos internacionais, é a própria designação de Úrsula Von Der Leyen e António Costa. Alguém explique, por favor, com base em que escrutínio é que esta senhora voltou a ser escolhida para Presidente da Comissão! Qual foi a dimensão democrática em que a senhora foi bem-sucedida, a não ser na replicação cega, para a União Europeia, da política externa de Washington? E por que razão, a família política dos S&D, aprovou a sua designação? Trocaram pelo o apoio do PPE a António Costa!

Também no caso de António Costa é consagrado o poder deste “centro” político. Depois do seu adversário político e actual Primeiro Ministro português, ter andado, em Portugal, a acusá-lo de incompetência e de ter chefiado um dos piores governos da história democrática portuguesa, porque razão veio, depois, quando se tratou de o designar para o Conselho Europeu, dizer que Costa cumpria todos os requisitos? O facto é que a vida política no ocidente colectivo faz-se, cada vez mais, em circuito fechado, em que a propaganda, ao contrário de antes, já não visa convencer os de fora, a entrar; visa, sim, convencer os dentro, a ficar!

Esta situação demonstra a complexidade do problema e, ao contrário do que muitos querem fazer crer, não basta à União Europeia, ou aos EUA, substituir a classe política comprometida com esta decadência. Pode parecer atractivo pensar que “a culpa é dos políticos”, e que basta mudar os de má qualidade, por outros melhores, e tudo se resolverá. Políticos melhores dependem da subida do nível de consciência das populações e estas ainda estão demasiado recuadas para os poderem produzir, em quantidade e qualidade. Os poucos que existem são rejeitados pelo “centro” político todo poderoso, por não se alinharem com as suas pretensões.

Por isso, lamento desiludir os que vêem uma mudança profunda nos últimos resultados eleitorais. Os resultados eleitorais, caracterizados pela “ameaça” da “extrema” direita, representam, sobretudo, que uma parte crescente da população se sente muito mal. Mas correspondem ainda, a meu ver, a um estado primário de consciência. O discurso político do centro dominante, focado no mal dos outros (“a economia russa está em pedaços”; “A economia chinesa vai cair”, uma e outra vez), já não pode esconder o estado grave em que nos encontramos. As populações começam a perceber que estão doentes, sim, mas ainda não conhecem as causas da doença, quanto mais o caminho da cura.

Para já, e até numa lógica de resistência a qualquer tipo de mudança substancial, as escolhas incidem, sobretudo, em agendas partidárias que apenas abordam questões superficiais (não quer dizer que não tenham importância) sem nunca tocarem no fundamental. Sem nunca colocarem em causa o modelo de exploração económica. Reconheçamos que é mais fácil assumir que a culpa é dos outros, que o mal vem de fora, do que assumir que ele está cá dentro e é profundo!

Seja como for, o movimento eleitoral dirige-se, crescentemente, no sentido do voto nas forças que melhor exprimem este mal sentir, mas que raramente apresentam soluções de fundo para o resolver. Daí que, depois de um apelo de décadas à “moderação centrista”, as populações se sintam impelidas ao “politicamente incorrecto”, confundindo acusações de culpa a terceiros (aos imigrantes, aos ciganos, aos corruptos) e a gritaria com a necessária “mudança”. E é este “politicamente incorrecto” que é exprimido pela dita “extrema direita”. E, em muitos casos, é isso que a distingue, no fundamental, do “centro” político em crise.

Se existe estagnação e inamovibilidade no “centro” político ocidental, tal sucede como resultado da histórica capitulação da social democracia e da sua captura pelos interesses da classe dominante. Tal conduziu a uma concentração, sem precedentes, do poder político (também resultante da concentração da riqueza nos estratos sociais mais ricos), passando, este “centro” político, a funcionar como um cartel ideológico em que as diferenças superficiais não colocam em causa o que os une. Este centro político é “woke” (pensavam que o “wokismo” era esquerda?), partilhando a agenda de Soros; é neoliberal, partilhando a agenda do consenso de Washington; é globalista, partilhando a agenda do Grande Reset do Fórum Económico Mundial.

As diferenças superficiais que constatamos entre um centro esquerda mais “woke” e um centro direita mais neoliberal, não podem ser confundidas entre “direita e esquerda” e ainda menos entre esquerda progressista e direita reaccionária. Elas refletem apenas a abrangência do centro político. Ao invés, essas diferenças perdem expressão perante a ideia de “civilização ocidental neoliberal”, chefiada pelos EUA, e a sua expansão neocolonial, para o resto do mundo, a qual representa o pilar ideológico fundamental que unem as famílias políticas mais poderosas. Vejamos o caso do Reino Unido, em que se circula, ficando parado, entre um partido conservador dominado por multimilionários e um partido trabalhista dominado por empregados de multimilionários. Mas a política de fundo nunca muda.

Para evitar o desgaste, os interesses dominantes recorrem à alternância eleitoralista, criando a aparência de rotatividade, escrutínio e responsabilização democráticas. Contudo, uma vez que o poder está cartelizado entre oligarquias políticas, a alternância tem sido, como se previa, incapaz de traduzir, a rotação alternante, em mudanças políticas concretas. O sistema tornou-se prisioneiro de um mero movimento aparente. Qualquer que seja o sistema político, mais ou menos sufragista, existe algo que decreta a sua morte a prazo: a insusceptibilidade de mudar; o monolitismo ideológico, principalmente perante as dificuldades das populações.

A suposta “moderação” deste centro de poder sempre foi medida através do índice de insusceptibilidade de contestação às directrizes económicas e de política externa, europeias e ocidentais, em especial emanadas de Washington. A grande preocupação dos governos nacionais, pertencentes ao centro político dominante, passou a ser o de, burocraticamente, “cumprir as directrizes europeias”. Já a EU vive obcecada com o alinhamento atlantista. A margem de governação para resolver os problemas dos povos europeus passou a ser mínima. Neste sentido, este “centro” político representa uma forma de extremismo militante atlantista.

Dado o monolitismo deste “centro” político, a sua arrogância e sectarismo, em que não aceitar uma das regras que preconiza significa ficar de fora, a direita que rejeita a guerra é afastada para as margens. E é a partir daqui que se sustenta parte da ideia de “extrema” direita e do seu perigo, não se distinguindo entre “extrema” direita que o é porque rejeita a política externa globalista e de confronto (onde até já vi alinharem Vucic e Fico!!!), e a extrema direita de facto, xenófoba, fascista e atrasada.

Neste sentido, o “centro” político pode ser tão extremista e perigoso como a “extrema direita” de facto, uma vez que é este mesmo “centro moderado” que abraçou o militarismo e pretende a continuação e alargamento da frente de guerra (existe algo pior e mais extremo que a guerra?).

E é aqui que se estabelece a diferença fundamental dos nossos dias entre o “centro moderado”, alguma “extrema” direita e alguma “extrema” esquerda. A oposição à guerra e o apoio ao diálogo com a Rússia. Aspectos que, adicionados ao caso de Orban, que também defende as relações com a China, ameaçam fazer ruir, a estratégia hegemónica Norte Americana, apropriada de forma tão militante pela Comissão europeia de Úrsula Von Der Leyen e pelo seu “centro” político. Para fora da discussão política são chutadas todas as forças de “extrema esquerda” que preconizem a mudança do modelo económico de exploração.

Daí que possamos tirar várias conclusões a partir do histórico dos últimos tempos. Uma, é que este centro político explora, propagandisticamente, uma falsa ideia de “moderação” assumida como o modo de governação característico que, supostamente, reúne e representa as virtudes de todo o espectro político-ideológico. Nada mais falso. Hoje, a questão da guerra contra a Rússia, o apoio ao regime de Kiev e a atitude face à China constituem um autêntico divisor de águas que promete baralhar o espaço político. Mesmo forças políticas abertamente capitalistas defendem o aprofundamento das relações com ambas, na medida em que representam facções que pretendem “surfar” o crescimento destas potências.

A este respeito, é o “centro moderado” que surge como a área política mais extremada e mais incapaz de se conciliar e dialogar com a Federação Russa (totalmente) e com a República Popular da China (crescentemente). Este “centro moderado” assume uma postura totalmente arrogante (nós é que estamos certos, o outro lado está errado); sectária (ou estás connosco ou contra nós) e fracturante (não há diálogo possível). Ao invés, são alguns dos que o “centro” designa como “extremos” que surgem como verdadeiramente moderados.

Outra conclusão decisiva é a de que, face à concorrência sistémica internacional, traduzida no conceito de “Sul Global” (a que devemos chamar de “maioria global”), composto por organizações internacionais como a Organização de Cooperação de Xangai, a União Económica Euroasiática, a ASEAN, os BRICS, União Africana e outras, o Ocidente Colectivo cristalizado, cada vez mais proteccionista, surge em frontal contradição com o movimento de abertura, expansão e desenvolvimento a que se assiste no mundo não ocidental. O “Sul Global”, em movimento de libertação do neocolonialismo dos últimos 100 anos, surge como mais integrador da diversidade do que o Ocidente Colectivo.

O Ocidente Colectivo apenas admite um modelo de governação, na sua versão de exportação, a que todos devem aderir, mais tarde ou mais cedo, se com ele se quiserem relacionar. A não adesão ao modelo cristalizado ocidental implica uma enorme insegurança nas relações, sujeitando o parceiro aderente à possibilidade constante de sanções, revoluções coloridas e demais movimentos de ingerência externa nos seus afazeres. Ao contrário, as organizações do sul global partem de uma premissa mais tolerante e pluralista, admitindo, no seu seio, diferentes visões do mundo e da política, sem que uns queiram, pela menos até ver, impor o seu modelo aos demais.

Não é difícil identificar qual será o modelo mais apto a vingar, evoluir e resultar num encontro inovador de premissas ideológicas que respondam aos problemas da humanidade. Um modelo fechado, impositivo, imposto de cima para baixo, conformador e autoritário, na medida em que não admite outra atitude que não seja a sua aplicação, impondo a destruição das soberanias como condição para uma “libertação” e que sujeita as nações ao poder do seu “centro” político; ou, por outra via, um modelo diverso, em que diferentes sistemas contactam e cooperam entre si, mutuamente aprendendo e retirando dos demais as melhores e mais bem sucedidas aprendizagens, num caldo plural e despretensioso, por isso mesmo, mais propício à inovação e ao progresso, assumidos pelas nações, de forma voluntária e soberana? Ente estas duas visões, afinal, qual é que nos surge como mais moderado, dialogante e equilibrado?

Ao monolitismo extremista do sistema ocidental liberal contrapõe-se, paulatinamente, um novo mundo. Um mundo multipolar e por isso mesmo, mais plural, diverso e inclusivo, logo mais apto a inovar, e inovando, mais apto a desenvolver-se, sobreviver e vencer!

Ao cristalizar-se num centro monolítico, cada vez mais obsoleto, a “democracia” liberal anuncia a sua morte! Quando o “centro” ocupa todo o espectro, deixa de ser “centro” para passar a ser “extremo”.

Escreva para nós: info@strategic-culture.su

As últimas semanas constituem um capítulo profundamente esclarecedor, quanto às razões explicativas da crise da apelidada “democracia liberal” e dos problemas profundos que afectam o ocidente e a União Europeia, em particular. Seja o debate Trump/Biden que nos diz que quem está ao leme não dá a cara, e quem dá a cara, não está ao leme; sejam as eleições na EU, que demonstram a contradição entre um “centro” político monolítico e as necessidades das suas populações; nos dois casos, constatamos a crescente obsolescência do sistema político para fazer face aos desafios anunciados, bem como o esgotamento real das “soluções” que preconiza.

Consequência profunda desse esgotamento, verifica-se a ausência de uma estratégia de futuro que não passe por um conturbado navegar à vista e uma total falta de base material que justifique as decisões políticas que se vão tomando, todas resultando em fracasso após fracasso. É absolutamente incrível que se consiga falhar tanto e tantas vezes. As medidas aplicadas pelos EUA, e mimetizadas pela EU contra os seus adversários, não apenas falham, como têm, reiteradamente, os efeitos inversos aos enunciados. Não obstante, elas permanecem imutáveis.

Para confirmar esta verdade, recentemente, a União Europeia decidiu aplicar tarifas aos cereais da Rússia e Bielorrússia. Para além do disparate tremendo que é, num contexto de crise, caracterizado pela necessidade de controlo da inflação e preço elevado dos fatores de produção, a EU decide repetir a receita aplicada ao gás e contribuir para o encarecimento da alimentação. O objectivo de redução das importações de cereais, provindos destes países, está relacionado, segundo a burocracia europeia, com o objectivo de negar à Rússia rendimentos económicos. Tomando como exemplo o que tem sucedido com as sanções, resta-me perguntar se, para derrotar a Rússia, não teremos de morrer todos à fome primeiro.

Exemplo do que é que o monolitismo e inamovibilidade deste “centro” político, construído a partir e à imagem de Washington, através do recurso às ONG’s, à academia, Think Thank e dos organismos internacionais, é a própria designação de Úrsula Von Der Leyen e António Costa. Alguém explique, por favor, com base em que escrutínio é que esta senhora voltou a ser escolhida para Presidente da Comissão! Qual foi a dimensão democrática em que a senhora foi bem-sucedida, a não ser na replicação cega, para a União Europeia, da política externa de Washington? E por que razão, a família política dos S&D, aprovou a sua designação? Trocaram pelo o apoio do PPE a António Costa!

Também no caso de António Costa é consagrado o poder deste “centro” político. Depois do seu adversário político e actual Primeiro Ministro português, ter andado, em Portugal, a acusá-lo de incompetência e de ter chefiado um dos piores governos da história democrática portuguesa, porque razão veio, depois, quando se tratou de o designar para o Conselho Europeu, dizer que Costa cumpria todos os requisitos? O facto é que a vida política no ocidente colectivo faz-se, cada vez mais, em circuito fechado, em que a propaganda, ao contrário de antes, já não visa convencer os de fora, a entrar; visa, sim, convencer os dentro, a ficar!

Esta situação demonstra a complexidade do problema e, ao contrário do que muitos querem fazer crer, não basta à União Europeia, ou aos EUA, substituir a classe política comprometida com esta decadência. Pode parecer atractivo pensar que “a culpa é dos políticos”, e que basta mudar os de má qualidade, por outros melhores, e tudo se resolverá. Políticos melhores dependem da subida do nível de consciência das populações e estas ainda estão demasiado recuadas para os poderem produzir, em quantidade e qualidade. Os poucos que existem são rejeitados pelo “centro” político todo poderoso, por não se alinharem com as suas pretensões.

Por isso, lamento desiludir os que vêem uma mudança profunda nos últimos resultados eleitorais. Os resultados eleitorais, caracterizados pela “ameaça” da “extrema” direita, representam, sobretudo, que uma parte crescente da população se sente muito mal. Mas correspondem ainda, a meu ver, a um estado primário de consciência. O discurso político do centro dominante, focado no mal dos outros (“a economia russa está em pedaços”; “A economia chinesa vai cair”, uma e outra vez), já não pode esconder o estado grave em que nos encontramos. As populações começam a perceber que estão doentes, sim, mas ainda não conhecem as causas da doença, quanto mais o caminho da cura.

Para já, e até numa lógica de resistência a qualquer tipo de mudança substancial, as escolhas incidem, sobretudo, em agendas partidárias que apenas abordam questões superficiais (não quer dizer que não tenham importância) sem nunca tocarem no fundamental. Sem nunca colocarem em causa o modelo de exploração económica. Reconheçamos que é mais fácil assumir que a culpa é dos outros, que o mal vem de fora, do que assumir que ele está cá dentro e é profundo!

Seja como for, o movimento eleitoral dirige-se, crescentemente, no sentido do voto nas forças que melhor exprimem este mal sentir, mas que raramente apresentam soluções de fundo para o resolver. Daí que, depois de um apelo de décadas à “moderação centrista”, as populações se sintam impelidas ao “politicamente incorrecto”, confundindo acusações de culpa a terceiros (aos imigrantes, aos ciganos, aos corruptos) e a gritaria com a necessária “mudança”. E é este “politicamente incorrecto” que é exprimido pela dita “extrema direita”. E, em muitos casos, é isso que a distingue, no fundamental, do “centro” político em crise.

Se existe estagnação e inamovibilidade no “centro” político ocidental, tal sucede como resultado da histórica capitulação da social democracia e da sua captura pelos interesses da classe dominante. Tal conduziu a uma concentração, sem precedentes, do poder político (também resultante da concentração da riqueza nos estratos sociais mais ricos), passando, este “centro” político, a funcionar como um cartel ideológico em que as diferenças superficiais não colocam em causa o que os une. Este centro político é “woke” (pensavam que o “wokismo” era esquerda?), partilhando a agenda de Soros; é neoliberal, partilhando a agenda do consenso de Washington; é globalista, partilhando a agenda do Grande Reset do Fórum Económico Mundial.

As diferenças superficiais que constatamos entre um centro esquerda mais “woke” e um centro direita mais neoliberal, não podem ser confundidas entre “direita e esquerda” e ainda menos entre esquerda progressista e direita reaccionária. Elas refletem apenas a abrangência do centro político. Ao invés, essas diferenças perdem expressão perante a ideia de “civilização ocidental neoliberal”, chefiada pelos EUA, e a sua expansão neocolonial, para o resto do mundo, a qual representa o pilar ideológico fundamental que unem as famílias políticas mais poderosas. Vejamos o caso do Reino Unido, em que se circula, ficando parado, entre um partido conservador dominado por multimilionários e um partido trabalhista dominado por empregados de multimilionários. Mas a política de fundo nunca muda.

Para evitar o desgaste, os interesses dominantes recorrem à alternância eleitoralista, criando a aparência de rotatividade, escrutínio e responsabilização democráticas. Contudo, uma vez que o poder está cartelizado entre oligarquias políticas, a alternância tem sido, como se previa, incapaz de traduzir, a rotação alternante, em mudanças políticas concretas. O sistema tornou-se prisioneiro de um mero movimento aparente. Qualquer que seja o sistema político, mais ou menos sufragista, existe algo que decreta a sua morte a prazo: a insusceptibilidade de mudar; o monolitismo ideológico, principalmente perante as dificuldades das populações.

A suposta “moderação” deste centro de poder sempre foi medida através do índice de insusceptibilidade de contestação às directrizes económicas e de política externa, europeias e ocidentais, em especial emanadas de Washington. A grande preocupação dos governos nacionais, pertencentes ao centro político dominante, passou a ser o de, burocraticamente, “cumprir as directrizes europeias”. Já a EU vive obcecada com o alinhamento atlantista. A margem de governação para resolver os problemas dos povos europeus passou a ser mínima. Neste sentido, este “centro” político representa uma forma de extremismo militante atlantista.

Dado o monolitismo deste “centro” político, a sua arrogância e sectarismo, em que não aceitar uma das regras que preconiza significa ficar de fora, a direita que rejeita a guerra é afastada para as margens. E é a partir daqui que se sustenta parte da ideia de “extrema” direita e do seu perigo, não se distinguindo entre “extrema” direita que o é porque rejeita a política externa globalista e de confronto (onde até já vi alinharem Vucic e Fico!!!), e a extrema direita de facto, xenófoba, fascista e atrasada.

Neste sentido, o “centro” político pode ser tão extremista e perigoso como a “extrema direita” de facto, uma vez que é este mesmo “centro moderado” que abraçou o militarismo e pretende a continuação e alargamento da frente de guerra (existe algo pior e mais extremo que a guerra?).

E é aqui que se estabelece a diferença fundamental dos nossos dias entre o “centro moderado”, alguma “extrema” direita e alguma “extrema” esquerda. A oposição à guerra e o apoio ao diálogo com a Rússia. Aspectos que, adicionados ao caso de Orban, que também defende as relações com a China, ameaçam fazer ruir, a estratégia hegemónica Norte Americana, apropriada de forma tão militante pela Comissão europeia de Úrsula Von Der Leyen e pelo seu “centro” político. Para fora da discussão política são chutadas todas as forças de “extrema esquerda” que preconizem a mudança do modelo económico de exploração.

Daí que possamos tirar várias conclusões a partir do histórico dos últimos tempos. Uma, é que este centro político explora, propagandisticamente, uma falsa ideia de “moderação” assumida como o modo de governação característico que, supostamente, reúne e representa as virtudes de todo o espectro político-ideológico. Nada mais falso. Hoje, a questão da guerra contra a Rússia, o apoio ao regime de Kiev e a atitude face à China constituem um autêntico divisor de águas que promete baralhar o espaço político. Mesmo forças políticas abertamente capitalistas defendem o aprofundamento das relações com ambas, na medida em que representam facções que pretendem “surfar” o crescimento destas potências.

A este respeito, é o “centro moderado” que surge como a área política mais extremada e mais incapaz de se conciliar e dialogar com a Federação Russa (totalmente) e com a República Popular da China (crescentemente). Este “centro moderado” assume uma postura totalmente arrogante (nós é que estamos certos, o outro lado está errado); sectária (ou estás connosco ou contra nós) e fracturante (não há diálogo possível). Ao invés, são alguns dos que o “centro” designa como “extremos” que surgem como verdadeiramente moderados.

Outra conclusão decisiva é a de que, face à concorrência sistémica internacional, traduzida no conceito de “Sul Global” (a que devemos chamar de “maioria global”), composto por organizações internacionais como a Organização de Cooperação de Xangai, a União Económica Euroasiática, a ASEAN, os BRICS, União Africana e outras, o Ocidente Colectivo cristalizado, cada vez mais proteccionista, surge em frontal contradição com o movimento de abertura, expansão e desenvolvimento a que se assiste no mundo não ocidental. O “Sul Global”, em movimento de libertação do neocolonialismo dos últimos 100 anos, surge como mais integrador da diversidade do que o Ocidente Colectivo.

O Ocidente Colectivo apenas admite um modelo de governação, na sua versão de exportação, a que todos devem aderir, mais tarde ou mais cedo, se com ele se quiserem relacionar. A não adesão ao modelo cristalizado ocidental implica uma enorme insegurança nas relações, sujeitando o parceiro aderente à possibilidade constante de sanções, revoluções coloridas e demais movimentos de ingerência externa nos seus afazeres. Ao contrário, as organizações do sul global partem de uma premissa mais tolerante e pluralista, admitindo, no seu seio, diferentes visões do mundo e da política, sem que uns queiram, pela menos até ver, impor o seu modelo aos demais.

Não é difícil identificar qual será o modelo mais apto a vingar, evoluir e resultar num encontro inovador de premissas ideológicas que respondam aos problemas da humanidade. Um modelo fechado, impositivo, imposto de cima para baixo, conformador e autoritário, na medida em que não admite outra atitude que não seja a sua aplicação, impondo a destruição das soberanias como condição para uma “libertação” e que sujeita as nações ao poder do seu “centro” político; ou, por outra via, um modelo diverso, em que diferentes sistemas contactam e cooperam entre si, mutuamente aprendendo e retirando dos demais as melhores e mais bem sucedidas aprendizagens, num caldo plural e despretensioso, por isso mesmo, mais propício à inovação e ao progresso, assumidos pelas nações, de forma voluntária e soberana? Ente estas duas visões, afinal, qual é que nos surge como mais moderado, dialogante e equilibrado?

Ao monolitismo extremista do sistema ocidental liberal contrapõe-se, paulatinamente, um novo mundo. Um mundo multipolar e por isso mesmo, mais plural, diverso e inclusivo, logo mais apto a inovar, e inovando, mais apto a desenvolver-se, sobreviver e vencer!

Ao cristalizar-se num centro monolítico, cada vez mais obsoleto, a “democracia” liberal anuncia a sua morte! Quando o “centro” ocupa todo o espectro, deixa de ser “centro” para passar a ser “extremo”.

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