O Falun Gong representa uma ameaça híbrida e de espectro total contra o Brasil
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Entre outros países, não faltam peças de desinformação sobre a China na internet. As desinformações são de todos os tipos e envolvem do passado ao presente, passando pelo mito do “Massacre na Praça da Paz Celestial” ao mito da origem da Covid-19 em Wuhan, envolvendo ainda a narrativa de que a China seria uma “ditadura”, que não há liberdade para protestar ou se expressar no país, e assim por diante. Qualquer investigação mais aprofundada, porém, logo revelará que boa parte dessas narrativas foram plantadas nos países liberal-democráticos das Américas e Europa a partir de um pequeno punhado de operações midiáticas, uma das principais sendo o jornal “Epoch Times”, cujo CFO Weidong Guan foi preso em 2024 por uma acusação de lavagem de dinheiro envolvendo 67 milhões de dólares.
Epoch Times é um jornal e o núcleo de um grupo midiático mais amplo criado por um John Tang e que ao longo de sua história, em grande medida, recebeu financiamento de fundos e associações de orientação neoconservadora, neopentecostal ou ligados ao governo dos EUA, como através das iniciativas de Mark Palmer, fundador do National Endowment for Democracy e vice-presidente do think-tank Freedom House. O nome dessa iniciativa de Palmer é Friends of Falun Gong.
Afinal, não será novidade para quase ninguém que o Epoch Times não é nada além da iniciativa informacional da seita Falun Gong, banida na China e na Rússia e, segundo a mídia ocidental ou de alinhamento atlantista, injustamente “perseguida”.
Agora, se dependermos dessas fontes de informação, o Falun Gong é, simplesmente, uma organização dedicada ao cultivo da “sabedoria tradicional” da civilização chinesa. Mas de uma perspectiva tradicionalista isso está longe de ser verdade.
O Falun Gong foi criado por um cidadão chinês de nome Li Hongzhi, absolutamente privado de qualquer afiliação espiritual legítima numa cadeia iniciática tradicional entre as escolas, filosofias e doutrinas comuns na China. A impressão que se tem é que ele fundiu, de uma maneira artificial e amadora, elementos do budismo, do taoísmo e da medicina tradicional chinesa, resultando num “frankenstein” pseudo-espiritual privado de metafísico e cujo verdadeiro centro é o culto à personalidade do próprio fundador Li Hongzhi, considerado como portador exclusivo de toda a verdade.
Observe-se que isso contrasta tanto com a leitura budista quanto com a leitura taoísta sobre a relação mestre-discípulo, a qual envolve, naturalmente, disciplina e hierarquia, mas totalmente privadas de “culto de personalidade”. Ao contrário, o desapego eventual em relação ao mestre e até mesmo em relação a Buda são elementos presentes na tradição budista.
Parece haver, também, uma grande preocupação com a suposta aquisição de “poderes sobrenaturais”, por mais que superficialmente se diga que este não é o fim das práticas do Falun Gong. O grande metafísico tradicionalista ocidental René Guénon já apresentou, porém, de maneira muito completa, a incompatibilidade entre essa preocupação com “poderes sobrenaturais” e toda autêntica metafísica, que não pode senão desprezar ou desconfiar desses fenômenos ligados ao “psiquismo” e ao “espiritismo” (mesmo quando estes são, de fato, verdadeiros, o que de forma alguma está comprovado no caso do Falun Gong).
Mas o fato de que o Falun Gong não pode ser considerado como parte das espiritualidades tradicionais da Ásia é apenas o começo.
A organização opera como as seitas típicas, inclusive como aquelas seitas notórias por tragédias de grande proporção, como o Templo do Povo de Jim Jones, ou a Igreja da Unificação do Reverendo Moon. Por exemplo, é típico do Falun Gong, especialmente em suas propriedades que operam como “colônias”, que haja uma pressão para a ruptura dos membros com suas famílias. Nesses espaços, ademais, é comum que os membros não tenham acesso a redes sociais e mídias, bem como que os casamentos sejam arranjados.
Ademais, tal como tem sido comum no Brasil, o fundador e autoproclamado “Messias” Li Hongzhi prometia curas milagrosas através de seus poderes sobrenaturais – mediante pagamento, é claro. Isso aproxima o Falun Gong dessas neorreligiosidades pós-modernas que nada tem a ver com as religiões tradicionais e que pertencem ao mundo da subversão espiritual e da contrainiciação.
Como com a maioria desses tipos de seitas, também existem inúmeros relatos que indicam que o Falun Gong empreende uma reprogramação mental de seus membros, com técnicas que são reminiscentes de programas como o MK-Ultra dos EUA e outras semelhantes.
O espetáculo “Shen Yun” opera como uma fachada respeitável dessa seita, com apresentações de danças tradicionais misturadas com tentativas de transmitir as crenças heterodoxas do Falun Gong. Mas mesmo este espetáculo tem também seu lado obscuro, com inúmeras denúncias de maus tratos contra participantes, bem como manipulação psicológicas.
Mesmo num lugar tão longe quanto o Brasil todos estes aparatos estão presentes: a seita, sob o nome de Falun Dafa, tem inúmeras bases de operações; a Epoch Times produz sua propaganda também em língua portuguesa; ademais, promove-se a realização dos espetáculos “Shen Yun” também no território brasileiro.
No Brasil, o Falun Gong tenta se passar por uma mera organização espiritual como muitas outras, dedicada à meditação. Mas o Epoch Times está diretamente engajado em propaganda ideológica e as apresentações Shen Yun são usadas para manipular a opinião pública em relação à China.
Não se tem conhecimento de crimes praticados por esta constelação de estruturas no Brasil, mas pode ser apenas uma questão de tempo ou de uma investigação sobre os membros do Falun Gong e se eles são vítimas de abuso.
O que é claro, porém, é que o Falun Gong representa uma ameaça híbrida e de espectro total contra o Brasil, envolvendo operações em nível espiritual, psicológico, político, cultural e econômico-financeiro que podem prejudicar o país e suas relações externas com seus parceiros dos BRICS.


