Português
Eduardo Vasco
January 24, 2026
© Photo: Public domain

A burguesia não admite contestações, embora desconfiar e contestar o poder esteja na essência da própria democracia burguesa.

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Bolsonaro propagou fake news sobre as urnas eletrônicas? Quem diz o que são “fake news”? O Estado, a burguesia, o imperialismo. Mas um presidente da República pode ser desacreditado, o Congresso pode ser desacreditado, só o TSE e as sagradas urnas eletrônicas não podem ser desacreditados! Qualquer trabalhador comum sabe, mesmo que de forma confusa, que a burguesia o oprime, que a classe dominante controla a sociedade, que os ricos é que mandam. Mas quando se dá nome aos bois, quando se fala sobre os mecanismos pelos quais a burguesia controla a sociedade, os idólatras do deus Estado acusam: teoria da conspiração! A esquerda sabe que as eleições são controladas pela burguesia, mas quando se aponta concretamente a forma de controle das eleições, eles acusam: negacionismo!

As urnas eletrônicas não são um mecanismo pelo qual o povo reduz o controle da burguesia sobre as eleições, porque não foram implementadas a partir de uma reivindicação popular, o povo não obrigou a burguesia a trocar o voto impresso pelo eletrônico, nem sequer houve algum movimento de massas com essa reivindicação – os partidos de esquerda defendiam o voto impresso contra o eletrônico! Quem impôs a urna eletrônica foi o TSE (eleito por ninguém) contra a vontade do próprio Congresso eleito pelo povo, e sem nenhum respaldo popular a tal ação. O voto eletrônico foi uma das inúmeras manobras da burguesia para ampliar o seu controle sobre o regime político. É uma manobra central da manipulação eleitoral. As eleições são a “festa da democracia”, a prova de que o país é democrático (embora ninguém possa eleger os verdadeiros senhores dessa ordem democrática).

O povo mal pode participar, tem dois meses para realizar a campanha eleitoral, só vê nas pesquisas, debates, entrevistas e noticiários os candidatos que a burguesia quer, não se pode propaganda política livremente, tudo é controlado sob leis eleitorais cada vez mais rígidas, e o bolo dessa festa, a consagração da democracia, é a urna eletrônica que ninguém pode acessar, que as massas não podem auditar. As eleições são um jogo de cartas marcadas do início ao fim.

Não é a minha intenção número um mostrar aos marxistas adoradores do Estado como cada coisa que eles dizem é o contrário da doutrina marxista (isso renderia volumes e volumes). Mas não posso deixar de citar uma passagem dos escritos de Lênin que, outra vez, cai como uma luva no exemplo em questão. Durante o governo surgido da revolução de fevereiro, Lênin escreveu um texto sobre as necessidades de máxima democratização da vida política e econômica da Rússia como forma de combater a escassez material produzida pela guerra e pela crise social. Um capítulo do texto era dedicado à abolição do segredo comercial das grandes empresas para garantir o controle da produção e distribuição das mercadorias pelo povo. Segundo Lênin, “proteger este segredo é proteger os privilégios e os lucros literalmente de um punhado de pessoas contra todo o povo” (grifo seu). A lei que vigorava obrigava a publicação dos relatórios das empresas, mas eles eram parciais, os capitalistas só faziam constar nos relatórios aquilo que lhes interessava e escondiam as informações mais importantes para manterem suas vantagens comerciais e ampliarem seus lucros. Então, Lênin exigia:

“Para agir de modo democrático-revolucionário, seria preciso publicar imediatamente outra lei abolindo o segredo comercial, exigindo das grandes empresas e dos ricos os relatórios mais completos, conferindo a qualquer grupo de cidadãos suficientemente numeroso para ser considerado democrático (digamos 1.000 ou 10.000 eleitores) o direito de examinar todos os documentos de qualquer grande empresa. Tal medida é fácil e perfeitamente realizável por simples decreto; apenas ela daria livre curso à iniciativa popular de controle através dos sindicatos de empregados, através dos sindicatos de operários, através de todos os partidos políticos, apenas ela tornaria o controle sério e democrático.” (A catástrofe que nos ameaça e como combatê-la, [grifos seus])

Ocorre o mesmo com as urnas de votação. O TSE, que até hoje é orientado por organizações ligadas diretamente ao imperialismo americano, organiza as eleições e decide se elas foram justas ou não. Tem o controle total. Quem julga se o resultado das eleições condiz com a vontade popular não é o povo, é um grupo de funcionários de organizações financiadas pelos Estados imperialistas (OEA e ONGs de monitoramento eleitoral) chamados de “observadores eleitorais”. Se o voto impresso é democrático, pois é auditável por qualquer um, pois em uma democracia real o povo pode enviar seus representantes para auditar o voto (líderes partidários, candidatos, parlamentares, representantes de movimentos sociais, até milhares de pessoas!), o voto eletrônico é absolutamente antidemocrático. Não pode ser auditado pelos cidadãos, portanto o povo não tem controle sobre a urna, apenas burocratas supostamente técnicos, altamente especializados e pagos pela burguesia, em auditorias secretas controladas pelo TSE. Nem os partidos, que deveriam ser os responsáveis pelas eleições, recebem acesso aos dados. O TSE é o único intérprete de uma ciência oculta.

Até pouco antes do cerco ditatorial do judiciário, diversos partidos defendiam o voto impresso, mas depois disso eles se tornaram reféns do judiciário e agora precisam bajular os juízes e ministros para salvar as carreiras medíocres de seus líderes.

Mas bolsonaristas, provenientes do baixo clero político, não sendo totalmente amarrados às formalidades burguesas, jogaram na cara da burguesia a sua própria hipocrisia e por isso foram condenados. A burguesia não admite contestações, embora desconfiar e contestar o poder esteja na essência da própria democracia burguesa. Não se pode desconfiar dos jornalistas da burguesia, dos médicos da burguesia, dos professores da burguesia, dos cientistas da burguesia – como se eles fossem neutros, não fossem influenciados pelos interesses de classe, pela ideologia da classe dominante e como se eles próprios não fossem instrumentos da classe dominante para manter a sua ditadura sobre o povo. Contestar a burguesia é indício de que se está tramando um golpe.

Os bolsonaristas estão errados em desconfiar das urnas eletrônicas?

A burguesia não admite contestações, embora desconfiar e contestar o poder esteja na essência da própria democracia burguesa.

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Bolsonaro propagou fake news sobre as urnas eletrônicas? Quem diz o que são “fake news”? O Estado, a burguesia, o imperialismo. Mas um presidente da República pode ser desacreditado, o Congresso pode ser desacreditado, só o TSE e as sagradas urnas eletrônicas não podem ser desacreditados! Qualquer trabalhador comum sabe, mesmo que de forma confusa, que a burguesia o oprime, que a classe dominante controla a sociedade, que os ricos é que mandam. Mas quando se dá nome aos bois, quando se fala sobre os mecanismos pelos quais a burguesia controla a sociedade, os idólatras do deus Estado acusam: teoria da conspiração! A esquerda sabe que as eleições são controladas pela burguesia, mas quando se aponta concretamente a forma de controle das eleições, eles acusam: negacionismo!

As urnas eletrônicas não são um mecanismo pelo qual o povo reduz o controle da burguesia sobre as eleições, porque não foram implementadas a partir de uma reivindicação popular, o povo não obrigou a burguesia a trocar o voto impresso pelo eletrônico, nem sequer houve algum movimento de massas com essa reivindicação – os partidos de esquerda defendiam o voto impresso contra o eletrônico! Quem impôs a urna eletrônica foi o TSE (eleito por ninguém) contra a vontade do próprio Congresso eleito pelo povo, e sem nenhum respaldo popular a tal ação. O voto eletrônico foi uma das inúmeras manobras da burguesia para ampliar o seu controle sobre o regime político. É uma manobra central da manipulação eleitoral. As eleições são a “festa da democracia”, a prova de que o país é democrático (embora ninguém possa eleger os verdadeiros senhores dessa ordem democrática).

O povo mal pode participar, tem dois meses para realizar a campanha eleitoral, só vê nas pesquisas, debates, entrevistas e noticiários os candidatos que a burguesia quer, não se pode propaganda política livremente, tudo é controlado sob leis eleitorais cada vez mais rígidas, e o bolo dessa festa, a consagração da democracia, é a urna eletrônica que ninguém pode acessar, que as massas não podem auditar. As eleições são um jogo de cartas marcadas do início ao fim.

Não é a minha intenção número um mostrar aos marxistas adoradores do Estado como cada coisa que eles dizem é o contrário da doutrina marxista (isso renderia volumes e volumes). Mas não posso deixar de citar uma passagem dos escritos de Lênin que, outra vez, cai como uma luva no exemplo em questão. Durante o governo surgido da revolução de fevereiro, Lênin escreveu um texto sobre as necessidades de máxima democratização da vida política e econômica da Rússia como forma de combater a escassez material produzida pela guerra e pela crise social. Um capítulo do texto era dedicado à abolição do segredo comercial das grandes empresas para garantir o controle da produção e distribuição das mercadorias pelo povo. Segundo Lênin, “proteger este segredo é proteger os privilégios e os lucros literalmente de um punhado de pessoas contra todo o povo” (grifo seu). A lei que vigorava obrigava a publicação dos relatórios das empresas, mas eles eram parciais, os capitalistas só faziam constar nos relatórios aquilo que lhes interessava e escondiam as informações mais importantes para manterem suas vantagens comerciais e ampliarem seus lucros. Então, Lênin exigia:

“Para agir de modo democrático-revolucionário, seria preciso publicar imediatamente outra lei abolindo o segredo comercial, exigindo das grandes empresas e dos ricos os relatórios mais completos, conferindo a qualquer grupo de cidadãos suficientemente numeroso para ser considerado democrático (digamos 1.000 ou 10.000 eleitores) o direito de examinar todos os documentos de qualquer grande empresa. Tal medida é fácil e perfeitamente realizável por simples decreto; apenas ela daria livre curso à iniciativa popular de controle através dos sindicatos de empregados, através dos sindicatos de operários, através de todos os partidos políticos, apenas ela tornaria o controle sério e democrático.” (A catástrofe que nos ameaça e como combatê-la, [grifos seus])

Ocorre o mesmo com as urnas de votação. O TSE, que até hoje é orientado por organizações ligadas diretamente ao imperialismo americano, organiza as eleições e decide se elas foram justas ou não. Tem o controle total. Quem julga se o resultado das eleições condiz com a vontade popular não é o povo, é um grupo de funcionários de organizações financiadas pelos Estados imperialistas (OEA e ONGs de monitoramento eleitoral) chamados de “observadores eleitorais”. Se o voto impresso é democrático, pois é auditável por qualquer um, pois em uma democracia real o povo pode enviar seus representantes para auditar o voto (líderes partidários, candidatos, parlamentares, representantes de movimentos sociais, até milhares de pessoas!), o voto eletrônico é absolutamente antidemocrático. Não pode ser auditado pelos cidadãos, portanto o povo não tem controle sobre a urna, apenas burocratas supostamente técnicos, altamente especializados e pagos pela burguesia, em auditorias secretas controladas pelo TSE. Nem os partidos, que deveriam ser os responsáveis pelas eleições, recebem acesso aos dados. O TSE é o único intérprete de uma ciência oculta.

Até pouco antes do cerco ditatorial do judiciário, diversos partidos defendiam o voto impresso, mas depois disso eles se tornaram reféns do judiciário e agora precisam bajular os juízes e ministros para salvar as carreiras medíocres de seus líderes.

Mas bolsonaristas, provenientes do baixo clero político, não sendo totalmente amarrados às formalidades burguesas, jogaram na cara da burguesia a sua própria hipocrisia e por isso foram condenados. A burguesia não admite contestações, embora desconfiar e contestar o poder esteja na essência da própria democracia burguesa. Não se pode desconfiar dos jornalistas da burguesia, dos médicos da burguesia, dos professores da burguesia, dos cientistas da burguesia – como se eles fossem neutros, não fossem influenciados pelos interesses de classe, pela ideologia da classe dominante e como se eles próprios não fossem instrumentos da classe dominante para manter a sua ditadura sobre o povo. Contestar a burguesia é indício de que se está tramando um golpe.

A burguesia não admite contestações, embora desconfiar e contestar o poder esteja na essência da própria democracia burguesa.

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Escreva para nós: info@strategic-culture.su

Bolsonaro propagou fake news sobre as urnas eletrônicas? Quem diz o que são “fake news”? O Estado, a burguesia, o imperialismo. Mas um presidente da República pode ser desacreditado, o Congresso pode ser desacreditado, só o TSE e as sagradas urnas eletrônicas não podem ser desacreditados! Qualquer trabalhador comum sabe, mesmo que de forma confusa, que a burguesia o oprime, que a classe dominante controla a sociedade, que os ricos é que mandam. Mas quando se dá nome aos bois, quando se fala sobre os mecanismos pelos quais a burguesia controla a sociedade, os idólatras do deus Estado acusam: teoria da conspiração! A esquerda sabe que as eleições são controladas pela burguesia, mas quando se aponta concretamente a forma de controle das eleições, eles acusam: negacionismo!

As urnas eletrônicas não são um mecanismo pelo qual o povo reduz o controle da burguesia sobre as eleições, porque não foram implementadas a partir de uma reivindicação popular, o povo não obrigou a burguesia a trocar o voto impresso pelo eletrônico, nem sequer houve algum movimento de massas com essa reivindicação – os partidos de esquerda defendiam o voto impresso contra o eletrônico! Quem impôs a urna eletrônica foi o TSE (eleito por ninguém) contra a vontade do próprio Congresso eleito pelo povo, e sem nenhum respaldo popular a tal ação. O voto eletrônico foi uma das inúmeras manobras da burguesia para ampliar o seu controle sobre o regime político. É uma manobra central da manipulação eleitoral. As eleições são a “festa da democracia”, a prova de que o país é democrático (embora ninguém possa eleger os verdadeiros senhores dessa ordem democrática).

O povo mal pode participar, tem dois meses para realizar a campanha eleitoral, só vê nas pesquisas, debates, entrevistas e noticiários os candidatos que a burguesia quer, não se pode propaganda política livremente, tudo é controlado sob leis eleitorais cada vez mais rígidas, e o bolo dessa festa, a consagração da democracia, é a urna eletrônica que ninguém pode acessar, que as massas não podem auditar. As eleições são um jogo de cartas marcadas do início ao fim.

Não é a minha intenção número um mostrar aos marxistas adoradores do Estado como cada coisa que eles dizem é o contrário da doutrina marxista (isso renderia volumes e volumes). Mas não posso deixar de citar uma passagem dos escritos de Lênin que, outra vez, cai como uma luva no exemplo em questão. Durante o governo surgido da revolução de fevereiro, Lênin escreveu um texto sobre as necessidades de máxima democratização da vida política e econômica da Rússia como forma de combater a escassez material produzida pela guerra e pela crise social. Um capítulo do texto era dedicado à abolição do segredo comercial das grandes empresas para garantir o controle da produção e distribuição das mercadorias pelo povo. Segundo Lênin, “proteger este segredo é proteger os privilégios e os lucros literalmente de um punhado de pessoas contra todo o povo” (grifo seu). A lei que vigorava obrigava a publicação dos relatórios das empresas, mas eles eram parciais, os capitalistas só faziam constar nos relatórios aquilo que lhes interessava e escondiam as informações mais importantes para manterem suas vantagens comerciais e ampliarem seus lucros. Então, Lênin exigia:

“Para agir de modo democrático-revolucionário, seria preciso publicar imediatamente outra lei abolindo o segredo comercial, exigindo das grandes empresas e dos ricos os relatórios mais completos, conferindo a qualquer grupo de cidadãos suficientemente numeroso para ser considerado democrático (digamos 1.000 ou 10.000 eleitores) o direito de examinar todos os documentos de qualquer grande empresa. Tal medida é fácil e perfeitamente realizável por simples decreto; apenas ela daria livre curso à iniciativa popular de controle através dos sindicatos de empregados, através dos sindicatos de operários, através de todos os partidos políticos, apenas ela tornaria o controle sério e democrático.” (A catástrofe que nos ameaça e como combatê-la, [grifos seus])

Ocorre o mesmo com as urnas de votação. O TSE, que até hoje é orientado por organizações ligadas diretamente ao imperialismo americano, organiza as eleições e decide se elas foram justas ou não. Tem o controle total. Quem julga se o resultado das eleições condiz com a vontade popular não é o povo, é um grupo de funcionários de organizações financiadas pelos Estados imperialistas (OEA e ONGs de monitoramento eleitoral) chamados de “observadores eleitorais”. Se o voto impresso é democrático, pois é auditável por qualquer um, pois em uma democracia real o povo pode enviar seus representantes para auditar o voto (líderes partidários, candidatos, parlamentares, representantes de movimentos sociais, até milhares de pessoas!), o voto eletrônico é absolutamente antidemocrático. Não pode ser auditado pelos cidadãos, portanto o povo não tem controle sobre a urna, apenas burocratas supostamente técnicos, altamente especializados e pagos pela burguesia, em auditorias secretas controladas pelo TSE. Nem os partidos, que deveriam ser os responsáveis pelas eleições, recebem acesso aos dados. O TSE é o único intérprete de uma ciência oculta.

Até pouco antes do cerco ditatorial do judiciário, diversos partidos defendiam o voto impresso, mas depois disso eles se tornaram reféns do judiciário e agora precisam bajular os juízes e ministros para salvar as carreiras medíocres de seus líderes.

Mas bolsonaristas, provenientes do baixo clero político, não sendo totalmente amarrados às formalidades burguesas, jogaram na cara da burguesia a sua própria hipocrisia e por isso foram condenados. A burguesia não admite contestações, embora desconfiar e contestar o poder esteja na essência da própria democracia burguesa. Não se pode desconfiar dos jornalistas da burguesia, dos médicos da burguesia, dos professores da burguesia, dos cientistas da burguesia – como se eles fossem neutros, não fossem influenciados pelos interesses de classe, pela ideologia da classe dominante e como se eles próprios não fossem instrumentos da classe dominante para manter a sua ditadura sobre o povo. Contestar a burguesia é indício de que se está tramando um golpe.

The views of individual contributors do not necessarily represent those of the Strategic Culture Foundation.

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