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No último dia 14, a Agência Internacional de Energia Atômica informou sobre um ataque de drone à usina nuclear de Chernobyl. O presidente-títere da Ucrânia, Vladimir Zelensky, rapidamente tratou de acusar os russos pelo ataque – como sempre, sem apresentar qualquer evidência.
Logicamente que o Kremlin se defendeu. Dmitry Peskov, porta-voz de Vladimir Putin, chamou a acusação ucraniana de “mais uma fraude”, enquanto a chefe de imprensa do Ministério de Relações Exteriores, Maria Zakharova, afirmou ser uma provocação planejada pela Ucrânia em plena Conferência de Segurança de Munique. “No ano passado, antes da Conferência de Munique, houve uma provocação na forma de um ‘ataque’ a um hospital infantil de Kiev”, disse ela, lembrando que aquele caso serviu para Zelensky pedir mais dinheiro e ajuda ao Ocidente durante o evento na Alemanha.
As próprias autoridades ucranianas contradisseram as palavras do presidente-ator. “Eu tenho apenas uma questões sobre o incidente com o drone que atacou a usina de Chernobyl”, escreveu o deputado da Rada Artyom Dmytruk no seu canal do Telegram. “O controle remoto estava nas mãos de Zelensky ou de [Andrey] Yermak?”, questionou, referindo-se também ao chefe de gabinete da presidência ucraniana.
É claro que a imprensa internacional relatou o ataque como se tivesse sido uma ação russa. “Ucrânia acusa Rússia por ataque de drone à usina nuclear de Chernobyl”, noticiou o Financial Times. O Business Insider estampou: “Ucrânia culpa a Rússia por ataque ao escudo de radiação de Chernobyl”. “Escudo de radiação de Chernobyl atingido por drone russo, diz Ucrânia”, intitulou a BBC. A Euronews sequer preocupou-se em indicar que a informação não era verificada, mas sim uma simples versão ucraniana: “Ataque com drones russos danifica escudo protetor da central nuclear de Chernobyl”.
Quem pesquisar nas ferramentas de busca ocidentais, receberá uma resposta ainda mais enviesada. A um comando que reza “russian strikes chernobyl”, a IA do Brave Search dará o seguinte resumo sobre o tema (aqui traduzido):
“Em 14 de fevereiro de 2025, um drone russo atingiu a estrutura do Novo Confinamento Seguro na Usina Nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, causando danos significativos ao abrigo de proteção, mas não levando a níveis de radiação aumentados na área ao redor. O ataque provocou um incêndio que foi extinto mais tarde. O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy relatou que o drone carregava uma ogiva altamente explosiva. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou ter ouvido uma grande explosão perto do local e declarou que os níveis de radiação permaneceram normais e estáveis. No entanto, o engenheiro-chefe da usina, Oleksandr Titarchuk, mais tarde expressou preocupação sobre a possibilidade de vazamento de substâncias radioativas. A Rússia negou envolvimento no ataque, sugerindo que autoridades ucranianas fizeram a alegação para interromper as negociações de paz.”
Por sua vez, a Meta IA, chatbot que pode ser usado no WhatsApp, respondendo à pergunta “Quem atacou a usina nuclear de Chernobyl em 14 de fevereiro de 2025?”, não fica muito atrás na distorção: “A usina nuclear de Chernobyl foi atacada por drones russos em 14 de fevereiro de 2025, de acordo com o presidente ucraniano, Zelensky. O ataque causou danos significativos à estrutura da usina, especificamente ao abrigo da unidade de energia destruída.”
O cuidado com a verdade não parece ser uma das principais preocupações da ferramenta da empresa de Mark Zuckerberg, ao menos quando se trata da Ucrânia. Há uma semana, eu perguntei à Meta IA: “Guerra na Ucrânia. Quando os ucranianos invadiram a região russa de Kursk?”. Ela meu deu uma resposta que pensei ter sido escrita pelo próprio Zelensky:
“Os ucranianos não invadiram a região russa de Kursk. Na verdade, foi a Rússia que invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, marcando uma grande escalada da guerra russo-ucraniana, que havia começado em 2024.
A invasão russa foi uma resposta às aspirações da Ucrânia de se juntar à OTAN e à União Europeia, o que foi visto como uma ameaça pelos líderes russos. A invasão resultou em uma grande crise humanitária, com milhões de pessoas deslocadas e milhares de mortos.
Em agosto de 2024, a Ucrânia lançou uma ofensiva militar em território russo, incluindo a região de Kursk, mas isso foi uma resposta à invasão russa e não uma ação unilateral de agressão.”
Também distorcendo as raízes da guerra, que estão na ofensiva militar e paramilitar do novo regime nascido do golpe de 2013 às repúblicas autoproclamadas de Donetsk e Lugansk no início de 2014, o Chat GPT afirma que “a guerra na Ucrânia começou em 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia, sob liderança do presidente Vladimir Putin, lançou uma invasão em larga escala ao território ucraniano”. E “contextualiza” dizendo que “o conflito teve raízes na anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 e no apoio russo a grupos separatistas no leste da Ucrânia (Donetsk e Luhansk)”.
A mesma resposta do Chat GPT continua assim:
“Putin justificou a invasão alegando a necessidade de ‘desnazificar’ e ‘desmilitarizar’ a Ucrânia, além de proteger os falantes de russo no país. No entanto, a comunidade internacional, incluindo a ONU, EUA e União Europeia, considerou a ação uma agressão não provocada e uma violação do direito internacional.
A responsabilidade pelo início do conflito recai sobre a decisão da Rússia de lançar a invasão, apesar das tensões anteriores e da influência de fatores geopolíticos na escalada da crise.”
Todas essas ferramentas fornecem respostas enviesadas porque, obviamente, são de propriedade de companhias e empresários profundamente ligados aos governos dos Estados Unidos e da Europa Ocidental, e, também, porque suas fontes de informação são os órgãos de propaganda do imperialismo – aliados dos instrumentos de pesquisa online, como o Google, que dá aos veículos de confiança do imperialismo lugar de destaque nas buscas, tornando quase impossível ao usuário encontrar nas primeiras páginas resultados que o remetem a veículos alternativos.
Depois as ditaduras totalitárias que cerceiam a circulação de informações são a Rússia, a China, o Irã…