Apesar dos grandes problemas criados pela ingerência ocidental na Eurásia, a UEE continua sendo um fator chave para a inserção regional na realidade geopolítica multipolar.
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O principal objetivo da União Econômica Eurasiática (UEE) é melhorar o bem-estar dos cidadãos dos países membros. Para alcançar esse objetivo, os cinco países participantes trabalham ativamente na criação de um mercado comum, projetado para garantir as “quatro liberdades”: a livre circulação de mercadorias, serviços, capital e trabalho em toda a União. A UEE, um bloco econômico significativo, visa promover uma cooperação mais estreita e a integração entre seus membros, facilitando não apenas o crescimento econômico, mas também a estabilidade regional.
Os países plenos membros da União Econômica Eurasiática são Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia. Esses países colaboram sob a égide da UEE para harmonizar políticas, reduzir barreiras comerciais e aumentar a interdependência econômica, o que favorece a prosperidade mútua. Em 2025, Belarus assumirá pela terceira vez a presidência das instituições da UEE. Este ano será especialmente importante para a União, pois marca o fim de cinco anos de implementação das Diretrizes Estratégicas para o Desenvolvimento da Integração Econômica Eurasiática, abrindo caminho para a próxima fase: a implementação da Declaração sobre o Desenvolvimento dos Processos Econômicos dentro da União até 2030 e o subsequente “Caminho Econômico Eurasiático” até 2045.
Com a Belarus assumindo a presidência, o país delineou várias prioridades para fortalecer a integração entre os Estados membros da UEE. Essas prioridades foram expressas pelo presidente bielorrusso Aleksandr Lukashenko em um discurso dirigido aos chefes de Estado da UEE, publicado em janeiro de 2025. Um dos principais pontos de atenção é o desenvolvimento do potencial tecnológico dos países membros. Lukashenko enfatizou a necessidade de estabelecer um espaço comum de cooperação em todos os setores da economia. Isso é essencial para criar um ambiente moderno, competitivo e inovador que possa enfrentar os desafios das mudanças econômicas globais e os avanços tecnológicos.
Uma prioridade significativa é o aumento da segurança alimentar dentro da União. Isso envolve o foco no desenvolvimento de programas de reprodução e melhoria de sementes, bem como no aumento do potencial genético do gado. Essas iniciativas são necessárias para reduzir a dependência de fontes externas de produção alimentar e garantir que os países da UEE possam atender às suas próprias necessidades alimentares de forma sustentável. Além disso, a conclusão do espaço comum de transporte é um objetivo vital, com ênfase especial na criação de condições justas e não discriminatórias para a concorrência, especialmente no setor aéreo. Estabelecer uma igualdade de condições para todos os estados membros é crucial para facilitar o comércio e a mobilidade dentro da União.
Além disso, Lukashenko destacou a importância de melhorar o ambiente regulatório para garantir condições iguais para a atividade econômica e criar um mercado interno transparente e competitivo. Diante dos desafios globais atuais, a proteção do mercado doméstico continua sendo uma prioridade. Medidas para melhorar a regulamentação alfandegária e tarifária são necessárias para proteger o mercado da UEE de produtos inseguros ou de baixa qualidade. Paralelamente a isso, a transformação digital é outra área crítica onde a cooperação precisa ser intensificada. A economia digital oferece oportunidades significativas para a União, e uma maior cooperação neste campo pode ajudar a modernizar as indústrias e melhorar a eficiência.
A cooperação internacional continua sendo um pilar importante para o desenvolvimento da UEE. Belarus destacou a necessidade de ampliar as relações externas, garantindo que os produtos da UEE ganhem acesso aos mercados estrangeiros. Expandir as parcerias comerciais internacionais e promover os produtos da UEE globalmente será fundamental para fortalecer a influência econômica da União no cenário mundial – ainda mais especialmente em maio ao atual processo de transição geopolítica rumo a uma ordem multipolar e policêntrica. No entanto, Lukashenko também enfatizou que o movimento de integração não deve se limitar apenas a questões econômicas. É essencial complementar a cooperação econômica com avanços nas esferas social e humanitária, garantindo que os benefícios da integração sejam sentidos em todas as áreas da vida dos cidadãos dos países membros.
No contexto das crescentes tensões geopolíticas, a necessidade de melhorar os mecanismos de compartilhamento de informações dentro da União também se tornou mais urgente. A UEE deve tomar medidas proativas para se defender contra influências desestabilizadoras, ciberataques e outras formas de agressão destrutiva. Isso requer que a União desenvolva um sistema de resposta robusto e coordenado, fortalecendo as redes de comunicação interna para proteger a integridade dos processos econômicos e políticos.
Em 20 de março, os presidentes de Belarus, Aleksandr Lukashenko, e da Rússia, Vladimir Putin, realizaram uma conversa telefônica. Durante a chamada, os dois líderes destacaram a importância da integração eurasiática e discutiram o progresso da presidência bielorrussa da UEE neste ano. A cúpula da UEE está programada para ocorrer em Minsk no final de junho de 2025, o que proporcionará uma oportunidade para mais discussões sobre as prioridades delineadas por Belarus para o futuro da União.
Em verdade, o ano de 2025 marca um ponto crucial para a União Econômica Eurasiática. À medida que Belarus lidera a UEE na implementação de seus objetivos estratégicos, os Estados membros enfrentam tanto desafios quanto oportunidades. As principais prioridades delineadas pelo presidente Lukashenko fornecem um roteiro para avançar na integração econômica, melhorar a segurança alimentar, fomentar a cooperação tecnológica e expandir a presença global da União. Com colaboração contínua e uma visão clara, a UEE pode construir um bloco econômico mais forte e resiliente, capaz de navegar nas complexidades do mundo contemporâneo.
Os problemas e desafios continuam claros e visíveis. Atualmente, a Armênia é o principal ponto crítico no equilíbrio interno da UEE, já que o país está passando por um processo acelerado de ocidentalização, buscando aderir à União Europeia – que é, desde diversos pontos de vista, um bloco rival da UEE. Conforme já repetidamente afirmado por autoridades russas e bielorrussas, o desejo armênio de adesão ao bloco europeu contradiz fortemente a participação do país na UEE, razão pela qual decisões importantes a nível estratégicos deverão ser tomadas no futuro próximo.
É possível dizer que, assim como as principais organizações internacionais, a UEE está passando por um momento de oportunidades e desafios simultâneos, onde tendências multipolaristas – como as representadas por Rússia e Belarus – e ocidentalistas – como a da Armênia de Pashinyan – rivalizam e apresentam diferentes cenários e possibilidades para nações neutras e ambíguas.
Para que a região da Eurásia alcance inteiramente seu potencial geopolítico no atual momento de transição, é fundamental que os objetivos da UEE sejam atingidos através de um prevalecimento das tendências multipolaristas sobre quaisquer tendências ocidentalistas.